Vinte e dois crismandos, 14 jovens e oito adultos, receberam o Sacramento nas Eiras, numa celebração presidida pelo vigário-geral da Diocese do Funchal.
“O Crisma não é a festa da despedida. É a festa, sim, do envio, do envio em missão.” Foi com este desafio que o Cónego Marcos Gonçalves se dirigiu aos 22 crismandos que receberam, no sábado, dia 26 de setembro, o Sacramento do Crisma na comunidade paroquial das Eiras.
A celebração solene, presidida pelo vigário-geral da Diocese do Funchal, reuniu 14 jovens e oito adultos numa ocasião marcada pela fé, pela comunhão e pelo apelo a uma vivência cristã mais comprometida no quotidiano.
Na homilia, o Cónego Marcos Gonçalves começou por contrariar uma ideia muitas vezes associada ao Crisma, enquanto conclusão de um percurso de catequese. “Muitas vezes pensa-se que o Crisma é a festa da despedida, mas o Crisma não é a festa da despedida”, afirmou, sublinhando que este Sacramento representa antes “a festa do envio, do envio em missão”.
O sacerdote destacou, neste caminho, o papel das famílias e dos catequistas, que acompanham os jovens e adultos no seu percurso de preparação, mas lembrou que o momento do Crisma não encerra esse caminho. Pelo contrário, abre uma nova etapa, marcada pelo testemunho e pela responsabilidade de viver a fé.
“Não construam castelos sobre areia”
Dirigindo-se particularmente aos jovens, o vigário-geral alertou para as dificuldades de viver a fé numa sociedade onde, muitas vezes, Deus pode parecer dispensável.
“Caros jovens, hoje é muito fácil viver sem Deus. Mas o que parece fácil, muitas vezes não leva a uma verdadeira vida, a uma vida realizada, a uma vida feliz”, afirmou.
Recorrendo à imagem dos castelos construídos na areia, o Cónego Marcos Gonçalves deixou um apelo à construção de uma vida alicerçada em Cristo.
“Acreditem, nesta vida, nós podemos construir muita coisa. Mas, se construirmos sem Deus, acabamos por construir castelos sobre areia”, alertou, acrescentando que “vem o vento e as construções caem completamente”.
Para o vigário-geral, a fé cristã recorda que ninguém é chamado a enfrentar sozinho as dificuldades e os desafios da existência. “Nós não somos chamados a viver sozinhos”, afirmou, explicando que a vida não deve ser construída apenas “com as nossas capacidades, só com a nossa inteligência, só com aquilo que aprendemos”.
“Queremos construir a nossa vida com Cristo, porque queremos fazer a nossa caminhada na vida não sozinhos, mas todos uns com os outros e juntos com o Senhor”, afirmou.
“O temor de Deus não é ter medo de Deus”
Ao falar dos dons do Espírito Santo, o Cónego Marcos Gonçalves deteve-se particularmente no significado do “temor de Deus”, esclarecendo que este não deve ser confundido com medo.
“Não é ter medo de Deus, como muita gente pensa”, explicou. “O temor de Deus é muitas vezes o medo que eu tenho de fazer alguma coisa que estrague a minha amizade com Deus.”
O sacerdote comparou essa relação à amizade entre duas pessoas, em que existe o cuidado de não fazer ou dizer algo que possa ferir ou afastar o outro.
“Este temor de Deus, que é uma força do Espírito Santo, faz-nos cuidar da nossa amizade com Deus”, afirmou.
Nesse sentido, deixou aos crismandos conselhos muito concretos para manter viva essa relação, nomeadamente através da oração e da escuta da Palavra.
“A oração é falar com Deus como um amigo. É partilhar a vida, as alegrias, os projetos, as dificuldades”, explicou. “Falem muito com Deus. Partilhem com Ele.”
Mas deixou também outro desafio: o silêncio. “Às vezes é difícil fazer silêncio. Mas façam, às vezes, um bocadinho de silêncio também para ler a Palavra de Deus”, pediu.
Perante as dúvidas que tantas vezes surgem na vida de fé, o vigário-geral deixou uma garantia: “Às vezes dizemos: “Mas Deus não fala.” Ele fala. Nós é que muitas vezes estamos distraídos.”
E acrescentou: “Não se preocupem. Ele não vai desistir nunca de nós. E vai continuar a falar connosco.”
“Mostrem Deus” onde estiverem
A reflexão prosseguiu com uma distinção entre aquilo que divide e aquilo que constrói, numa referência à ação do mal e à presença do Espírito Santo.
“Sempre que há no nosso coração vontade de partir as coisas, dividir, desconfiar dos outros, vingar-se, querer o mal, aí estão a trabalhar as forças do mal”, afirmou.
Em sentido contrário, apontou a ação do Espírito Santo como fonte de unidade e alegria. “O Espírito Santo é comunicador de boas notícias, de alegria”, destacou.
Por isso, deixou aos novos crismados a missão de levar essa alegria para os diferentes ambientes onde vivem.
“Vocês vão ser cristãos em casa, com os vossos pais. Vão ser cristãos na escola. Vão ser cristãos no trabalho, no divertimento, na praia, no cinema”, afirmou.
E resumiu esse desafio numa expressão dirigida diretamente aos crismandos: “Onde vocês estiverem, Deus vai estar ali, através de vós. Vós, que sois católicos, mostrem Deus.”
Antes do momento da unção com o Santo Crisma, o Cónego Marcos Gonçalves deixou ainda uma palavra de encorajamento perante os desafios que estes jovens e adultos irão encontrar no futuro, nos estudos, no trabalho, nas relações e na construção das suas famílias.
“Não sejam cristãos desanimados, mas cristãos com força, apesar das dificuldades que vos assistem”, pediu.
Recordando que “o jovem é sempre cheio de coragem, cheio de ânimo, cheio de coisas positivas”, o vigário-geral exortou os novos crismados a enfrentarem a vida apoiados na força do Espírito Santo.
“Enfrentem a vida com a força do Espírito Santo”, afirmou, deixando uma última recomendação: “Quando surgirem dificuldades, quando estiverem diante de um grande desafio na vossa vida, não se esqueçam de pedir ao Espírito Santo que vos ajude nesta decisão, nesta visão, naquele trabalho, o que for.”
“Muitas vezes invoquem a força do Espírito Santo”, concluiu, assegurando que, perante os desafios da vida, “Deus nunca vos deixará sós”.





















