ACR reafirma compromisso com uma Igreja de leigos ativos e com um mundo mais justo

D.R.

A Acção Católica Rural (ACR) reafirmou, no Conselho Nacional realizado em Sobrado, Valongo, Diocese do Porto, a vontade de continuar a ser uma presença ativa na Igreja e na sociedade, assumindo o compromisso de “caminhar na esperança” e contribuir para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

O encontro reuniu representantes das dioceses de Aveiro, Braga, Coimbra, Funchal, Guarda, Lamego, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, bem como elementos da Equipa Nacional.

Os trabalhos começaram com a avaliação das Linhas de Força desenvolvidas sob o lema “Caminhar juntos na esperança para um mundo justo e fraterno”, tendo por base os projetos de trabalho apresentados pelas diferentes dioceses.

Apesar das dificuldades encontradas ao longo do caminho, a avaliação destacou a existência de “atividades boas e realidades positivas”, com particular atenção à Revisão de Vida e ao acolhimento de novos militantes. As várias dimensões previstas nas linhas temáticas estiveram presentes através de ações concretas desenvolvidas pelas equipas.

O Conselho Nacional avançou depois para a apresentação do caderno de trabalho para 2026, intitulado “Sujar as mãos no canteiro de obras do nosso tempo”, uma proposta inspirada na primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas.

A partir deste documento, os participantes foram chamados a aprofundar o desafio de construir uma sociedade mais humana, ultrapassando divisões e procurando caminhos de trabalho conjunto. “Superar as nossas divisões e trabalhar juntos” é, precisamente, um dos apelos destacados pelo Papa Leão XIV na encíclica.

Durante a tarde, o padre Ricardo Mendes, dos Salesianos, ajudou os participantes a conhecer e aprofundar os diferentes capítulos daMagnifica Humanitas, numa reflexão centrada na pessoa humana perante os desafios colocados pela inteligência artificial.

Segundo o sacerdote, a encíclica não constitui propriamente uma reflexão sobre a inteligência artificial, mas antes sobre “a pessoa humana na era da inteligência artificial”, colocando no centro a dignidade e o valor de cada ser humano.

Bispo do Porto pede “protagonismo maduro” aos leigos

O Conselho Nacional contou também com a presença de D. Manuel Linda, bispo do Porto, que presidiu à Eucaristia de encerramento, celebrada em comunhão com a comunidade de Sobrado.

Na sua intervenção, o bispo do Porto desafiou a Acção Católica Rural a assumir um “protagonismo maduro”, sublinhando a importância de uma presença ativa dos leigos na Igreja e na transformação da sociedade.

D. Manuel Linda apresentou a Acção Católica como um conjunto de leigos ativos, marcado por uma profunda dimensão humanística, que procuram viver a partir do Evangelho e da palavra de Jesus Cristo para transformar o mundo.

O encontro permitiu, assim, não apenas fazer um balanço do caminho percorrido, mas também lançar novas pistas para a missão da ACR, colocando a ação dos seus militantes em diálogo com os desafios concretos do tempo presente.

Encontro de Campistas reforçou laços entre jovens

Em simultâneo com o Conselho Nacional decorreu o Encontro de Campistas, proporcionando um momento de reencontro entre participantes do Campo de Fé e Trabalho, de partilha de experiências e de reforço dos laços criados durante essa iniciativa.

O Campo de Fé e Trabalho realizou-se este ano na Diocese de Leiria-Fátima, concretamente na União de Freguesias de Boa Vista e Santa Eufémia. Durante uma semana, os participantes estiveram envolvidos em trabalhos de manutenção, limpeza de espaços públicos e diversas ações de proximidade junto de crianças, idosos e da comunidade local.

O trabalho desenvolvido pelos jovens mereceu também reconhecimento público, tendo a Assembleia Municipal de Leiria aprovado um voto de congratulação pelo contributo prestado às populações afetadas pela Tempestade Kristin.

Nesse reconhecimento foi destacado o “meritório trabalho” realizado pelos jovens, que decidiram colocar o seu tempo e disponibilidade ao serviço das comunidades atingidas, numa experiência apresentada como exemplo de cidadania ativa e responsabilidade social.

Com o Conselho Nacional e o Encontro de Campistas, a ACR reafirma, deste modo, a sua disponibilidade para continuar a formar e mobilizar leigos conscientes e ativos, capazes de levar a fé para o quotidiano e de responder aos desafios concretos da sociedade.

A organização assume assim o propósito de continuar a caminhar na esperança, ao serviço de uma sociedade mais justa e fraterna, colocando a ação dos seus militantes ao serviço da Igreja e das comunidades.