O Papa Leão XIV colocou a conversão, a dignidade da vida humana e a paz no centro da sua passagem por Lourdes, onde rezou junto à Gruta de Massabielle e presidiu, no domingo, 27 de setembro, à Missa na Prairie do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.
Na oração pronunciada no sábado junto à Gruta das Aparições, Leão XIV confiou a França a Nossa Senhora e pediu “o dom da concórdia fraterna”, desejando uma sociedade capaz de banir “toda a violência e todo o ódio”. O Papa rezou ainda pelos governantes, para que sejam capazes de servir o bem comum e trabalhar pela paz, “rejeitando para sempre as lógicas da guerra”.
O Pontífice confiou também a Maria as famílias, os jovens, os doentes e todos os que atravessam situações de sofrimento, pedindo uma Igreja capaz de indicar “o caminho luminoso do Evangelho”. A oração terminou com uma referência particular às pessoas doentes e aos seus acompanhantes, que procuram em Lourdes “força e cura junto à fonte de Massabielle”.
Na manhã de domingo, durante a Missa, Leão XIV apresentou Lourdes como lugar de conversão e esperança. “É hoje – não amanhã – que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação”, afirmou, sublinhando que a verdadeira felicidade não se esgota no bem-estar material e deve abrir-se ao horizonte da vida eterna.
O Papa dedicou também uma parte significativa da homilia à dignidade da vida humana, sobretudo diante da doença, do sofrimento e da velhice. “Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada”, afirmou, acrescentando que Lourdes é lugar onde muletas, cadeiras de rodas e lágrimas não constituem obstáculos, mas se tornam espaço de acolhimento e respeito. “Lourdes é o lugar abençoado de uma profissão de fé na beleza e na sacralidade da vida”, acrescentou.
Leão XIV relacionou igualmente a conversão pessoal com os conflitos que atravessam o mundo, recordando que “são os corações dos homens que precisam de ser mudados, a começar pelo nosso”. O Papa estendeu esse apelo à própria Igreja, afirmando que esta deve ter “a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar” e reconhecer os erros e feridas provocados no seu interior.
No final da celebração, o Pontífice enviou os peregrinos como “missionários da esperança”, afirmando que ninguém deveria partir de Lourdes da mesma forma que chegou. “Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor”, declarou.
Antes da oração do Angelus, Leão XIV convocou ainda os fiéis e as comunidades cristãs a rezarem o Rosário durante o mês de outubro “com a intenção especial de que cessem as guerras e que a paz se instaure entre os povos em conflito”. Pediu também que essa oração seja acompanhada por “atos concretos de penitência e misericórdia” e pelo compromisso com “o diálogo e a reconciliação”.
























