D. Nuno Brás desafia jovens crismados a “trabalhar na vinha do Senhor”

Foto: Duarte Gomes

Bispo do Funchal presidiu, este fim de semana, às celebrações do Crisma na Tábua, Ponta do Sol e Gaula, que envolveram 68 jovens.

“O que é que tu vais fazer hoje, agora, depois de ser crismado?” A pergunta deixada por D. Nuno Brás aos jovens marcou as celebrações do Sacramento do Crisma presididas pelo bispo do Funchal, este fim de semana, nas paróquias da Tábua, Ponta do Sol e Gaula. Ao todo, 68 jovens e alguns adultos receberam o Sacramento da Confirmação nestas três comunidades.

No sábado, D. Nuno Brás presidiu à celebração na Tábua, onde foram crismados 19 jovens, seguindo-se a celebração na Ponta do Sol, com mais 19 jovens a receberem o Sacramento. No domingo, o bispo do Funchal esteve em Gaula, onde administrou o Crisma a 30 jovens.

Nas diferentes celebrações, D. Nuno Brás deixou aos crismandos um apelo comum: abrir o coração ao Espírito Santo e assumir, a partir daquele momento, um compromisso concreto com a vida cristã.

“O Senhor quer dar-nos o seu Espírito, o Espírito Santo. Por isso, devemos abrir o coração”, afirmou o bispo do Funchal, explicando que essa deve ser uma das primeiras atitudes perante Deus. “Deixar que Ele faça em nós aquilo que quiser”, pediu, sublinhando também a importância de acolher a “presença de Deus” como uma realidade que deve acompanhar cada pessoa “em toda a nossa vida, em tudo aquilo que fazemos”.

A partir do Evangelho proclamado nas celebrações, D. Nuno Brás centrou depois a sua reflexão na parábola dos dois filhos enviados pelo pai a trabalhar na vinha. Um diz que não vai, mas acaba por ir. O outro responde afirmativamente, mas não cumpre a vontade do pai.

“Qual deles fez a vontade do pai? Esta é a questão”, sublinhou o bispo do Funchal. “Fazer a vontade do Pai, é a questão”, reforçou, explicando que a parábola “é para vocês e para todos nós”.

De modo particular aos jovens que recebiam o Crisma, D. Nuno Brás lembrou que a celebração não pode ficar reduzida ao momento festivo. “Dizem que sim, tudo muito bem. Para uma bonita festa. (…) E depois?”, questionou.

“O que é que vocês vão fazer para fazer a vontade do Pai?”, perguntou, acrescentando: “O que é que Deus vos pede ao longo de toda a vossa vida?”

O bispo do Funchal lembrou que o Crisma constitui um compromisso que acompanha a pessoa ao longo da sua existência. “É um compromisso para toda a vossa vida. Qualquer coisa que ninguém vos pode tirar. Nem vocês mesmos”, afirmou.

“Porquê? Porque acolhem Deus”, explicou, acrescentando que “Deus não brinca em serviço”. A partir daí, deixou novamente o desafio: “Vai trabalhar na minha vinha. O que é que é isto de trabalhar na vinha do Senhor?”

“Não obrigou ninguém”

Para ajudar os jovens a compreenderem o que significa “trabalhar na vinha do Senhor”, D. Nuno Brás recorreu a um episódio que lhe foi contado pelo antigo treinador da Seleção Nacional, Fernando Santos.

O bispo contou que, quando Fernando Santos treinava o Futebol Clube do Porto, a equipa fazia habitualmente uma paragem durante as deslocações a Lisboa. O treinador decidiu que essa paragem seria em Fátima. Enquanto os jogadores iam ao café, Fernando Santos dirigia-se à Capelinha das Aparições.

“O Fernando Santos foi à Capelinha. Sozinho”, contou D. Nuno Brás.

Na segunda vez, alguns jogadores acompanharam-no. “Quando olhou para trás, tinha quatro jogadores também com ele.” Na terceira, “tinha a equipa toda”.

Para o bispo do Funchal, a importância do episódio estava precisamente na simplicidade do testemunho. “Ele não disse nada. Não fez nada de especial. Não obrigou ninguém”, destacou.

“Simplesmente foi. Fez. Propôs”, afirmou, sublinhando que Fernando Santos “com toda a simplicidade, mostrou a fé”.

O antigo treinador terá explicado a D. Nuno Brás que não considerava ter feito nada de extraordinário. “Eu não fiz nada de mais. Não fiz mais que a minha obrigação”, contou o bispo.

“Precisamente”, respondeu D. Nuno Brás, encontrando neste episódio uma imagem concreta do que significa ser cristão no quotidiano. “Isto é trabalhar na vinha do Senhor. Isto é aquilo que Deus vos pede.”

“O que é que tu vais fazer?”

Foi a partir deste testemunho que D. Nuno Brás voltou a interpelar diretamente os jovens que recebiam o Sacramento da Confirmação.

“O que é que tu vais fazer? O que é que Deus te chama a fazer?”, perguntou.

E concretizou o desafio: “O que é que tu vais fazer com os teus colegas, com os teus amigos? O que é que tu vais fazer com a tua família? Como é que tu vais ser?”

Para o bispo do Funchal, “trabalhar na vinha do Senhor” não significa necessariamente realizar grandes feitos, mas viver a fé de forma coerente e natural, deixando que essa fé se manifeste nas relações e nas opções de cada dia.

“Ele não obrigou ninguém. Ninguém”, voltou a frisar, a propósito do exemplo de Fernando Santos. “Com toda a simplicidade, mostrou a fé.”

D. Nuno Brás lembrou ainda aos jovens que, durante a celebração do Crisma, são chamados a professar a fé em Deus Pai, em Jesus Cristo, no Espírito Santo e na Igreja. Mas esse “sim” deverá traduzir-se depois numa vida concreta.

“Não é só a figura. É aquilo que vocês fazem. É aquilo que vocês vivem”, afirmou.

“Hoje”, acrescentou, reforçando que o compromisso cristão não deve ser adiado para um momento futuro. “Não é quando eu for grande. Vocês grandes já são.”

Por isso, pediu aos jovens que não se limitassem a dizer “sim” a Deus durante a celebração, para depois não concretizarem esse compromisso.

“Vocês podem fazer a figura do segundo filho”, alertou, referindo-se àquele que disse ao pai que iria trabalhar, mas depois não foi.

No final da reflexão, D. Nuno Brás convidou os jovens e toda a assembleia a fazer um momento de silêncio e a pedir a Deus a força necessária para viver o compromisso assumido.

“Vamos dizer ao Senhor que estamos disponíveis para trabalhar na sua vinha”, afirmou. “Como Ele quiser. Aquilo que Ele nos pedir. Aquilo que Ele pedir a cada um de nós.”

E deixou uma última indicação que resumiu o desafio lançado aos 67 jovens crismados ao longo do fim de semana: “Pedimos ao Senhor que nos ajude a dizer sim. E a fazer. A viver. A trabalhar. Na sua vinha.”

Crismas em Gaula

Crismas na Tabua

Crismas na Ponta do Sol