O Papa Leão XIV presidiu esta sexta-feira, 25 de setembro, à celebração de Vésperas na Catedral de Notre-Dame de Paris, onde convidou a Igreja em França a renovar o seu impulso missionário e a permanecer aberta à sociedade, sete anos depois do incêndio que devastou uma parte do histórico templo parisiense.
Na homilia, o Papa recordou a comoção provocada pelo incêndio e o esforço coletivo de reconstrução. Para Leão XIV, Notre-Dame revelou então ser “mais do que um monumento”, tornando visível uma realidade que ultrapassa as fronteiras da própria comunidade católica.
O Pontífice considerou que a reconstrução permitiu alargar os espaços de acolhimento e participação e pediu aos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e seminaristas franceses que se deixem inspirar por essa experiência. Leão XIV pediu que seja dada prioridade à “conversão missionária” proposta pelo Papa Francisco na “Evangelii gaudium”.
A partir da imagem da catedral aberta, o Papa rejeitou uma visão da comunidade cristã como espaço de isolamento perante as transformações sociais. A Igreja é chamada a estar sempre “em saída”, acolhendo quem se encontra nas periferias e aproximando quem parece distante.
O Papa pediu, neste sentido, uma presença cristã simples e próxima em todas as regiões francesas, das grandes cidades aos meios rurais e territórios ultramarinos. “Sede uma Igreja viva, multifacetada e próxima”, afirmou.
Leão XIV reservou também uma parte significativa da intervenção para a liturgia, lembrando que uma catedral não pode ser reduzida ao seu valor patrimonial ou arquitetónico. A oração, a celebração da Eucaristia e a escuta das Escrituras, explicou, ajudam a comunidade cristã a interpretar a história, reconhecer situações de injustiça e assumir responsabilidades concretas.
Num mundo que descreveu como hiperconectado e ruidoso, o Papa apresentou a liturgia como lugar onde muitas pessoas podem reencontrar esperança e paz. Aos responsáveis das comunidades cristãs pediu cuidado na dignidade das celebrações e, dirigindo-se aos ministros ordenados e consagrados, apelou a que a comunhão eclesial seja colocada acima das sensibilidades pessoais.
No final, Leão XIV voltou à imagem da reconstrução de Notre-Dame para a aplicar à própria Igreja: a catedral renascida deve tornar-se estímulo para uma renovação na santidade e na missão quotidiana.




















