O Papa Leão XIV desafiou cerca de 80 mil jovens reunidos no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris, a procurarem uma liberdade que não dependa da aprovação social, do consumo ou do reconhecimento nas redes digitais. A vigília de oração realizou-se na noite desta sexta-feira, 25 de setembro, e incluiu diálogo com os jovens, música, testemunhos e uma meditação do Pontífice.
Segundo o Vatican News, cerca de 80 mil participantes estiveram presentes no encontro, que encerrou o primeiro dia da visita do Papa a França. Na meditação, Leão XIV partiu do “imenso desejo de liberdade” presente no coração dos jovens, recordando que “a fonte da verdadeira liberdade é a relação viva com Jesus”, e estruturou a sua reflexão a partir de três verbos retirados da Primeira Carta a Timóteo: fugir, procurar e combater.
Ao falar da necessidade de fugir do orgulho, da violência, da ganância e de formas de vida centradas apenas na aparência, o Papa advertiu para a solidão que pode esconder-se por detrás da procura permanente de aprovação. “Esse estilo de vida leva-nos a querer ter tudo, mas a não ser ninguém; a receber uma quantidade de likes, mas permanecendo sozinhos connosco mesmos”, afirmou.
Leão XIV convidou depois os jovens a procurarem “a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão”, apresentando esse percurso como um caminho de liberdade e santidade. “Não basta evitar o mal: é preciso escolher o bem”, afirmou, acrescentando um critério para o discernimento: “o bem dá a vida, nunca a tira; cuida dos outros, não é egoísta”.
O Pontífice insistiu que estas opções ultrapassam o simples cumprimento de regras. Leão XIV apresentou-as como “escolhas radicais e corajosas de um coração livre”, capazes de fazer amadurecer uma pessoa autenticamente livre.
O terceiro verbo proposto pelo Papa foi “combater”, mas Leão XIV esclareceu que o combate cristão não se dirige contra outras pessoas. “O nosso combate não é uma luta contra os outros e não recorre às armas da violência, do desprezo ou da opressão. A nossa única arma é o amor que se doa”, afirmou na meditação, associando esta luta ao esforço de viver segundo o Evangelho e de se tornar “artífice da paz”.
Antes da meditação, o Papa respondeu diretamente a perguntas colocadas por dois jovens. Chloé, de 25 anos, estudante de farmacologia e ligada a um grupo de jovens católicos dos bairros populares da Île-de-France, questionou Leão XIV sobre a forma de anunciar a fé numa sociedade marcada pela indiferença religiosa, mantendo simultaneamente o respeito por quem não acredita ou professa outra religião.
Na resposta, o Pontífice defendeu que o anúncio cristão deve conjugar coragem, respeito e proximidade. “É impossível testemunhar Cristo sem amar aqueles a quem queremos anunciá-lo”, afirmou, acrescentando que “a mensagem cristã não constitui um obstáculo à convivência fraterna; pelo contrário, promove-a”. O Papa recordou ainda que a missão católica não entra em contradição com o respeito pelas outras religiões e que o Evangelho “não leva ao conflito, mas convida sempre ao perdão”.
Uma segunda questão, apresentada pelo jovem François, estudante de agronomia e responsável escutista, incidiu sobre o discernimento vocacional e as dificuldades enfrentadas pelas novas gerações. Leão XIV reconheceu que a “precariedade dos projetos de futuro”, a “fragilidade das relações”, o “cansaço digital” e a “ansiedade perante as alterações climáticas” fazem parte das inquietações que pesam sobre muitos jovens.
Perante estas incertezas, o Papa apontou para a amizade com Cristo como espaço de discernimento. “Queridos amigos, é nesta amizade com Jesus que se realiza o nosso discernimento, uma reflexão que se faz invocando o Espírito Santo”, afirmou, explicando que se trata de “um exercício constante para caminharmos de forma ordeira e segura”.
Leão XIV aconselhou ainda os jovens a reservarem momentos para a oração, o serviço e o silêncio, evitando que o ruído constante impeça a escuta interior, e convidou-os a olhar para a vida dos santos. “Estes santos mudaram a história, tendo levado muitos do sofrimento à esperança, porque, acima de tudo, mudaram o seu próprio coração, transformando-o à luz da fé”, afirmou, segundo a Agência Ecclesia.
Aos jovens que sentem uma vocação particular, o Papa pediu confiança em vez de medo para que, diante do chamamento de Deus, sejam capazes de responder com liberdade e alegria: “Eis-me aqui, Senhor!”.

















