Solidão

D.R.

A solidão é um dos pontos fracos do nosso modo de viver contemporâneo. Vivemos cercados de gente: nos transportes, nas vias rápidas, nas ruas das cidades. Vivemos dum modo tal que, nas redes, todos nos conhecem: sabem os nossos gostos, temos uma multidão de “amigos” e muitos “likes”! Contudo, mesmo no seio destas multidões, tantos são aqueles que, de facto, vivem o drama da solidão, sem ninguém com quem partilhar um sorriso, um pensamento, uma alegria.

Claro que a solidão faz parte do nosso ser humano. Ninguém (se não Deus) é capaz de entrar na nossa consciência, conhecer aquilo que pensamos e vivemos, a não ser que lhe demos acesso através da palavra. Somos assim, os humanos: foi desse modo que Deus nos criou. Somos nós os únicos a poder abrir o nosso íntimo, a partilhar o modo como vivemos o sentido daquilo que nos acontece, o modo como entendemos o que nos rodeia. Essa é uma solidão que nos marca positivamente, que nos constrói, e sem a qual deixaríamos de sermos nós. É o núcleo radical do que somos como seres humanos.

Mas existe a outra solidão: aquela dos idosos que passam o dia a olhar com indiferença para um programa de televisão, sem ninguém a quem narrar como era no seu tempo e como as pessoas eram felizes; aquela dos adolescentes que vivem o drama de pensar que ninguém os ama, e a quem ninguém é capaz de dizer que, ao menos, o amor de Deus é sempre garantido; aquela solidão de adultos a quem ninguém estende a mão, ignorados pelo mundo.

É esta solidão que urge combater, criando comunhão, acolhimento, espaço para que todos possam ser escutados.