Os mastros, as bandeiras, as flores e a iluminação que circundavam a pequenina Capela de Nossa Senhora dos Remédios indicavam os sinais de festa. O sítio do Moreno, nas zonas altas de Santa Cruz, voltava a encher-se de alegria e animação para celebrar a Festa de Nossa Senhora, no dia 8 de setembro.
A história desta capela privada remonta a 1690, quando o cónego Manuel Ferreira Teixeira Caiado, então vigário de Santa Cruz, mandou erguer a ermida dedicada a Nossa Senhora dos Remédios. Com o tempo, foram surgindo ao redor da capela dependências ligadas à propriedade agrícola, à organização da festa e à presença da família, até se formar o pequeno solar que hoje completa a imagem daquele lugar.
Na história recente da capela, destaca-se a celebração dos 300 anos de fundação, a 8 de setembro de 1990, com a presença do bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria. Apesar de a capela estar ligada a uma família, nunca se afastou da comunidade, da paróquia e da diocese.
Também surgiram momentos dolorosos. Em julho de 2018, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios, uma peça de arte sacra do século XIX, foi furtada do interior da capela, juntamente com outros objetos. Mais do que a perda material, desaparecia um objeto de grande valor simbólico e devocional. Em setembro de 2020, uma réplica cuidadosamente executada devolveu ao altar a representação de Nossa Senhora. Não apagou a ausência da imagem original, mas permitiu que a devoção continuasse e mostrou como uma tradição pode ser ferida sem deixar de permanecer viva.
Desde 1690, passaram pela Capela de Nossa Senhora dos Remédios várias gerações de famílias, a paisagem mudou, transformou-se a casa, a imagem de Nossa Senhora alterou-se. Mas, todos os anos, regressam os mastros, as bandeiras, as flores. Acendem-se novamente as luzes e as pessoas continuam a subir ao Moreno.
Preservar esta pequena capela é manter viva uma parte da história de Santa Cruz e reconhecer que a identidade de uma comunidade também se constrói nestes lugares discretos onde, há mais de três séculos, a fé, a família e a memória continuam a encontrar-se.



















