Capela do Fôro recupera pintura do altar

Após anos de degradação provocada pela humidade, a pintura do altar foi alvo de uma intervenção no valor de 21.370 euros.

D.R.

A pintura do altar da Capela do Fôro, no Jardim da Serra, está novamente recuperada. O restauro, recentemente concluído e integralmente pago, representou um investimento de 21.370 euros e procurou dar uma resposta mais duradoura aos problemas de humidade e infiltrações que, ao longo dos anos, foram degradando a pintura.

Ao Jornal da Madeira, o pároco de São Tiago, padre Rui Silva, explicou que o autor da pintura é desconhecido e que a obra que hoje se encontra na capela é datável dos inícios da década de 1980. Nas décadas seguintes, acrescentou, “sofreria algumas intervenções e readaptações”.

A pintura atualmente existente “não é a pintura original, mas sim já uma interpretação adaptada da década de 80”, esclarece o sacerdote. A perda da composição mais antiga está relacionada com as obras de ampliação do templo realizadas depois da criação da Paróquia de São Tiago, quando a Capela do Fôro passou a funcionar como sede paroquial.

Com o aumento do número de fiéis, tornou-se necessário ampliar o espaço, “foi aí que se perdeu a pintura original para sempre”, recorda o padre Rui Silva. Mais tarde, “foi repintado aquilo que ainda havia na memória das pessoas”, dando origem à composição que chegou aos nossos dias.

A própria ampliação do edifício ajuda a explicar os problemas que posteriormente afetaram a pintura. Para aproveitar o máximo de espaço, algumas paredes ficaram encostadas às terras circundantes, entre elas precisamente a parede do altar. “Com infiltrações e humidades a pintura se deteriorou, foi arranjada, readaptada, repintada mas o problema persistia e era necessário encontrar uma solução mais definitiva”, explica o pároco.

A decisão de avançar para uma nova intervenção partiu também da comunidade. Foi a “vontade e desejo dos paroquianos, que gostariam de ver a pintura restaurada”. O processo, porém, não começou agora. “Este restauro já vem a ser trabalhado por mim há uns 3 anos para cá, estudando, procurando e analisando soluções diferentes, sem nunca esquecer o aspeto financeiro pois os fundos paroquiais são sempre muitos limitados”, afirma.

Os trabalhos propriamente ditos decorreram sobretudo entre junho e agosto deste ano. A intervenção procurou atuar não apenas sobre a pintura, mas também sobre a origem da sua degradação. “Foi isolada toda a parede onde está a pintura e restaurada a pintura recorrendo a telas de modo a simplificar o trabalho e sair mais em conta financeiramente e dar maior durabilidade à pintura”, explica o sacerdote, lembrando que “o Jardim da Serra por si é um ambiente com muita humidade”.

O restauro permitiu igualmente integrar na composição a cruz existente no presbitério, que tinha sido oferecida à capela. O resultado recupera o enquadramento pictórico do altar, com a representação de cortinas, elementos arquitetónicos, nuvens e raios de luz em torno do Crucificado e da imagem de Nossa Senhora da Consolação.

A resposta da população ao apelo para ajudar a financiar a obra surpreendeu o pároco. “Fiquei surpreso com as ofertas para o restauro. Acho que aqueles valores publicados falam por si, uma vez que falam não só da generosidade de um povo, mas também da importância e referência que aquela pintura tem no contexto e na história da paróquia e da freguesia”, sublinha.

Dos 21.370 euros investidos, 1.820 euros resultaram de ofertas particulares, 2.000 euros foram atribuídos pela Junta de Freguesia do Jardim da Serra e 2.836,77 euros resultaram dos ofertórios das Missas celebradas na Capela do Fôro nos dias 15 e 16 de agosto. O fundo paroquial assegurou os restantes 14.713,23 euros. “Com a Graça de Deus as várias ofertas recebidas pagaram 1/3 da obra e a paróquia e os fundos paroquiais 2/3”, resume o padre Rui Silva.

O restauro da pintura integra um conjunto mais amplo de trabalhos realizados na Capela do Fôro durante os 12 anos em que o padre Rui Silva está à frente da paróquia. Entre as intervenções realizadas, o sacerdote destaca o arranjo do telhado, numa altura em que “chovia dentro”, a reestruturação da instalação elétrica e do sistema de som e a aquisição de novos paramentos.

Foram igualmente restauradas as imagens de Nossa Senhora da Luz e de Nossa Senhora da Consolação. A cruz agora incorporada na pintura do altar foi oferecida à capela e foi ainda construído um Trono/Tabernáculo para a Semana Santa, concebido como “uma miniatura da capela”.

O trabalho de conservação do templo, porém, ainda não terminou. Entre as intervenções que o pároco considera prioritárias encontram-se o restauro do Sacrário e de algumas imagens, a remodelação do chão do presbitério e, numa fase posterior, a pintura interior e exterior da capela.

O padre Rui Silva aponta ainda a necessidade de tratamento dos elementos de madeira, incluindo o pavimento e os bancos, completando assim um processo de recuperação que, ao longo dos últimos anos, tem procurado preservar um dos espaços religiosos mais ligados à história e à identidade da comunidade do Fôro e do Jardim da Serra.