Pe. Marcos Rebelo tomou posse como pároco de Santa Luzia

Novo pároco assume missão com “alegria” e apela à colaboração dos paroquianos. Cónego Duarte Pita foi lembrado e homenageado pelos cerca de 30 anos de serviço à comunidade.

Foto: Duarte Gomes

O Pe. Marcos Rebelo tomou posse, no passado dia 5 de setembro, como pároco da Paróquia de Santa Luzia, numa celebração marcada pela alegria da comunidade, pela presença de familiares, sacerdotes, movimentos e muitos paroquianos, e também pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Cónego Duarte Pita ao longo de cerca de 30 anos à frente desta comunidade.

A Eucaristia foi presidida pelo Vigário-Geral da Diocese do Funchal, Cónego Marcos Gonçalves, que, no início da celebração, manifestou a sua alegria por acompanhar este novo momento na vida do Pe. Marcos Rebelo, até agora colaborador da equipa sacerdotal da Catedral do Funchal.

“Para mim é uma grande alegria testemunhar este momento na vida do Pe. Marcos, nosso colaborador da nossa equipa de sacerdotes na Catedral”, afirmou o Vigário-Geral, desejando ao novo pároco que o Senhor o abençoe nesta nova missão.

O Cónego Marcos Gonçalves saudou ainda os sacerdotes presentes, entre os quais o Reitor do Seminário, Pe. Carlos Almada, o Pe. Fernando e o Pe. Juan, que celebrou este ano 25 anos de sacerdócio. Dirigiu também uma palavra aos seminaristas presentes, sublinhando a importância da oração pelas vocações sacerdotais, “para que em nenhuma paróquia falte sacerdote para anunciar a Palavra e celebrar os santos sacramentos”.

Na celebração estiveram ainda familiares do Pe. Marcos, nomeadamente os pais e o irmão, o Irmão Luís, membros da Confraria do Santíssimo Sacramento, o coro, paroquianos, visitantes, amigos e representantes dos movimentos presentes na paróquia. Entre os convidados encontrava-se também o antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim.

“O sacerdote deve ser este lápis humilde”

Na homilia, o Cónego Marcos Gonçalves centrou a sua reflexão na missão do sacerdote e na vida da comunidade cristã, tendo como referência a figura de Santa Teresa de Calcutá, cuja memória litúrgica se celebrava naquele dia.

Recordando que a religiosa dizia considerar-se “um lápis, um simples lápis, nas mãos de Deus”, o Vigário-Geral explicou que também o sacerdote deve assumir-se como um instrumento humilde ao serviço de Deus e da comunidade.

“O sacerdote deve ser este lápis humilde, pequenino, que ajuda e contribui, dando o seu e sendo presença de Deus para a sua comunidade local”, afirmou.

A partir da expressão atribuída a Madre Teresa de Calcutá, “faz as pequeninas coisas da tua vida com grande amor”, o Cónego Marcos Gonçalves sublinhou que toda a missão cristã deve ser vivida com entrega e dedicação.

“Tudo o que nós fazemos deve ser feito com amor, com entrega, com dedicação, com todo o nosso coração”, afirmou, dirigindo também esta interpelação aos paroquianos.

O Vigário-Geral destacou igualmente o significado do gesto do sacerdote que, no início da Eucaristia, beija o altar. Para o Cónego Marcos Gonçalves, esse gesto representa o amor e a adoração a Cristo, mas também exprime a presença de toda a comunidade, incluindo aqueles que não podem estar fisicamente na igreja.

“Quando o Pe.vai celebrar a Eucaristia, um dos seus primeiros gestos é beijar o altar. (…) Em nome de toda a sua comunidade, não só daqueles que estão na missa, mas todos os seus paroquianos, mesmo os velhinhos, os doentes, os que ficam em casa, os que não vão à missa, o Pe.leva todo esse povo”, explicou.

Por isso, deixou um apelo à oração pelos sacerdotes, para que possam levar sempre consigo, nas celebrações e na oração, todo o povo de Deus.

“Na Igreja há lugar para todos”

Na segunda parte da homilia, o Cónego Marcos Gonçalves refletiu sobre a Igreja enquanto comunidade onde todos têm lugar, com as suas qualidades, mas também com as suas limitações.

“A Igreja é mãe e é muito bonito que ela seja mãe, porque no coração de uma mãe há um lugar para todos os seus filhos”, afirmou, sublinhando que a comunidade cristã não é reservada a pessoas perfeitas, mas é um espaço onde todos são chamados a fazer caminho.

A partir das leituras do dia, destacou a necessidade de aprender a caminhar juntos, respeitando os diferentes ritmos de cada pessoa.

“Há uns que vão mais à frente, outros vão mais atrás, mas é importante quem vai mais atrás andar mais um pouco e quem vai mais à frente atrase um bocadinho o seu passo para o outro poder alcançá-lo”, afirmou.

O Vigário-Geral abordou ainda a importância da correção fraterna, salientando que esta deve ser sempre feita com caridade. “O maior valor é o amor e a caridade”, afirmou, deixando uma pergunta que deve anteceder qualquer chamada de atenção: “Aquilo que vais dizer é por amor ou queres apenas humilhar o teu irmão?”

Para o Cónego Marcos Gonçalves, a paróquia deve ser precisamente o lugar onde a Palavra de Deus é colocada em prática, uma “escola” onde se aprende a caminhar juntos, a corrigir e a ajudar, sempre com amor.

No final, deixou uma palavra especial ao Pe. Marcos Rebelo, desejando-lhe que seja “um padre sempre alegre, anunciando Jesus Cristo e servindo com humildade”, lembrando-lhe também que o seu ministério não é vivido isoladamente.

“Não somos sozinhos, mas fazemos parte do presbitério, fazemos parte de uma diocese”, afirmou, sublinhando que, em colaboração com o Bispo e com os restantes sacerdotes, todos formam a Igreja.

“Aceito esta missão que Deus me coloca nas mãos”

Já em momento próprio da celebração, o novo pároco dirigiu-se à comunidade de Santa Luzia, manifestando a sua alegria por assumir formalmente esta missão. “É com muita alegria que aceito esta missão que Deus me coloca nas mãos”, afirmou o Pe. Marcos Rebelo.

O sacerdote recordou que, ainda antes de ser ordenado, o bispo do Funchal lhe tinha perguntado se estaria disponível para assumir a responsabilidade de ser administrador paroquial de Santa Luzia, na sequência da situação de saúde do Cónego Duarte Pita.

“Eu mostrei-me logo disponível”, recordou, explicando que essa disponibilidade estava ligada também ao compromisso assumido perante o bispo.

“É importante sabermos viver verdadeiramente, na nossa vida, as palavras que nós dizemos ao nosso Bispo, quando dizemos ‘sim, prometo’”, afirmou.

Por isso, quando lhe foi confiada a missão, aceitou-a “de coração agradecido”, reconhecendo a “bondade de Deus” não apenas para consigo, mas sobretudo para com a comunidade que não queria deixar abandonada.

Depois de um ano como administrador paroquial, o Pe. Marcos Rebelo inicia agora, de forma plena, o seu ministério como pároco de Santa Luzia.

“Já vos vou conhecendo, vocês já me vão conhecendo. Já vos disse que temos muitos planos pela frente, e vamos ao trabalho”, afirmou.

“A minha santificação também passa por vós”

Perante a comunidade, o novo pároco deixou também uma palavra de humildade, reconhecendo que o seu ministério será construído com a colaboração dos paroquianos.

“Eu estou aqui para vocês, certamente para a vossa santificação, mas não vos esqueçais que a minha santificação também passa por vós”, afirmou.

O Pe. Marcos Rebelo reconheceu que, tal como todos os membros da Igreja, também ele tem qualidades e defeitos, pedindo aos paroquianos que o ajudem a permanecer fiel à sua missão.

“Quando virdes que eu não estou a dar de mim, não estou a entregar o nosso Senhor, alertai-me, para que eu possa encontrar novamente o caminho e encaminhar-vos para o Pai”, pediu.

Ao longo da sua intervenção, o novo pároco deixou palavras de agradecimento a todos os que têm colaborado com a comunidade, desde os sacerdotes que asseguram celebrações quando não pode estar presente, à Confraria do Santíssimo Sacramento, ao coro, aos responsáveis paroquiais, à Junta de Freguesia e à Casa do Povo.

Agradeceu também aos familiares, em particular aos pais e à madrinha, pelo acompanhamento ao longo da sua caminhada, bem como a um colega de seminário que se deslocou de Lisboa e que se encontrava de férias na Madeira.

Cónego Duarte Pita lembrado pelos 30 anos de serviço

Um dos momentos particularmente sentidos da celebração foi a referência ao Cónego Duarte Pita, que, apesar de não poder estar presente por motivos de saúde, foi lembrado e homenageado pela comunidade.

Ao longo da celebração foram evocadas as quase três décadas em que esteve à frente da Paróquia de Santa Luzia, sendo reconhecido o trabalho realizado e a marca deixada na comunidade.

O Pe. Marcos Rebelo agradeceu o ministério desenvolvido pelo seu antecessor, sublinhando que os paroquianos são também fruto desse caminho.

“Agradeço-lhe imenso pelo trabalho que ele fez. Vocês são fruto também deste seu ministério”, afirmou, pedindo à comunidade que reze pelo Cónego Duarte Pita, para que Deus lhe conceda saúde e lhe permita, um dia, regressar a Santa Luzia para visitar e celebrar com a comunidade.

“Ele não pôde estar presente, por devidos motivos de saúde, mas certamente nos acompanha na oração, em Igreja Universal”, afirmou.

Preservar o património da igreja

No início desta nova etapa pastoral, o Pe. Marcos Rebelo revelou também algumas das preocupações que terá pela frente, nomeadamente a necessidade de realizar obras de conservação na igreja.

Entre as prioridades apontadas estão os azulejos do templo, alguns dos quais se encontram deteriorados, havendo já peças que caíram ou apresentam risco de queda.

O sacerdote explicou que foram colocadas cordas junto aos bancos como medida preventiva, uma vez que a degradação do soalho está a contribuir para a cedência dos azulejos.

“Seria uma nossa prioridade, visto que é um grande património nosso”, afirmou, apelando à colaboração dos paroquianos para preservar o património da comunidade.

“Conto com a vossa ajuda e colaboração, para me ajudar a preservar este património”, disse.

“Vamos ao trabalho”

A celebração terminou num ambiente de festa e convívio, com a participação de muitos paroquianos, familiares, amigos e representantes da comunidade.

A música da Banda Os Infantes marcou também o momento de confraternização que se seguiu à celebração, proporcionando um ambiente festivo à tomada de posse do novo pároco.

Depois de um ano como administrador paroquial, o Pe.  Marcos Rebelo assume assim oficialmente a condução pastoral da Paróquia de Santa Luzia, dando continuidade a um caminho iniciado há décadas e que teve no Cónego Duarte Pita uma presença marcante.

“Como vos disse no início, vamos ao trabalho”, repetiu o novo pároco, apontando para uma nova etapa que pretende construir em conjunto com a comunidade, com os olhos postos na missão da Igreja, na celebração dos sacramentos, no anúncio do Evangelho e no serviço aos paroquianos.