Mais de 130 fotografias antigas vão ajudar a contar a história do Porto Santo numa exposição que abre ao público no próximo dia 17 de setembro, na Câmara Municipal. Intitulada “Imagens e Memória do Concelho do Porto Santo / Pictures and Memory of the Municipality of Porto Santo”, a mostra poderá ser visitada até 31 de dezembro.
Promovida pela Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL), através do Centro de Estudos de História do Atlântico – Alberto Vieira (CEHA-AV), a iniciativa recupera imagens produzidas entre finais do século XIX e a década de 1970, permitindo acompanhar algumas das principais transformações da paisagem, da vila e da vida quotidiana porto-santense.
A exposição está organizada em sete núcleos: “Paisagens Costeiras”, “Chegadas e Partidas”, “Vila”, “Dentro da Ilha”, “Ilha Estival e Balnear”, “Água” e “Edifícios Religiosos e Civis”, cruzando aspetos que marcaram profundamente a evolução do Porto Santo, desde o isolamento e as dificuldades de abastecimento até ao desenvolvimento da atividade balnear e turística.
A água ocupa um lugar particular neste percurso. A escassez deste recurso marcou durante séculos a vida da população e condicionou a agricultura, predominantemente de sequeiro, num território que dependia frequentemente da Madeira para o abastecimento de vários produtos. A própria configuração geográfica da ilha, com relevo menos acidentado, extensas praias e zonas dunares, deixou também o Porto Santo historicamente mais exposto a ataques de piratas e corsários.
A mostra recorda igualmente que o município do Porto Santo é um dos mais antigos do arquipélago. A sua criação deverá remontar a meados do século XV, pouco depois do início do povoamento, surgindo juntamente com os primeiros municípios instalados nas sedes das capitanias. O concelho conserva ainda uma característica singular no contexto regional: uma ilha corresponde a um único concelho e a uma única freguesia.
Esta realidade histórica surge já retratada nas descrições dos primeiros cronistas. Jerónimo Dias Leite, no século XVI, descrevia o Porto Santo como terra de “bons ares” e saudável, mas assinalava simultaneamente a falta de água, o pouco arvoredo e os efeitos da introdução dos coelhos, cuja rápida multiplicação constituiu uma grave ameaça às culturas. São algumas dessas permanências e, sobretudo, das transformações ocorridas nos séculos seguintes que podem agora ser observadas através da fotografia.
As imagens pertencem a diferentes fundos documentais conservados no Arquivo e Biblioteca da Madeira e incluem trabalhos associados a nomes e casas fotográficas como Augusto João Soares, Foto Figueiras, Gino Romoli, Joaquim Augusto de Sousa, José Luís de Brito Gomes, Perestrellos Photographos, Photographia Vicentes e Varela Pècurto, além de fotografias integradas na Coleção Fotográfica do ABM. Parte dos fundos pertence ao acervo do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s.
“Imagens e Memória do Concelho do Porto Santo” é a décima exposição integrada no projeto “Imagens e Memória dos Concelhos da Madeira”, lançado em março de 2019 no contexto das comemorações dos 600 anos do Descobrimento das Ilhas da Madeira e do Porto Santo. Nos últimos anos, o projeto percorreu diferentes municípios da Região, tendo Santana recebido a oitava exposição, em 2024, e Porto Moniz a nona, em setembro de 2025. A iniciativa tem procurado preservar e divulgar registos visuais da história social, económica, cultural e paisagística dos vários concelhos, sendo algumas das exposições posteriormente convertidas também em catálogos.
A coordenação da exposição do Porto Santo está a cargo de Filipe dos Santos, diretor de Serviços do CEHA-AV, que assegurou também a seleção das imagens, a introdução, a edição das legendas e a tradução, em colaboração com Dinis Gouveia Pacheco. Participaram ainda na elaboração das legendas Jorge Valdemar Guerra, Alda Pereira, Ana Men, Lícia Guerra, Manuela Marques, Tânia de Jesus e Zélia Fernandes Dantas. O grafismo é de Leonardo Vasconcelos e a montagem de Dalila Góis e Rute Rodrigues.
No próprio dia 17 de setembro está anunciada uma visita orientada à exposição, no átrio da Câmara Municipal do Porto Santo. A abertura coincide ainda com o primeiro dia do Festival Colombo 2026, que decorrerá em Vila Baleira entre 17 e 20 de setembro.
A exposição ficará patente até 31 de dezembro.



















