Um Deus mudo, se possível até indiferente, de costas voltadas para o mundo e para o ser humano, para a história: um Deus que ignorasse tudo quanto cada um de nós fizesse, um Deus para quem o bem e o mal se equivaleriam, um Deus que se contentasse em viver serenamente no Céu — eis o Deus que faria as delícias de tantos nossos contemporâneos, muitos deles ávidos de representar o papel divino, de tentar convencer os demais que eles sim, tudo sabem, tudo podem, tudo dominam… Não é necessário tomar muito tempo, até encontrar exemplos destes personagens.
Mas, ao contrário, o ponto de partida do cristianismo é que Deus falou e fala. O cristianismo afirma que Deus disse tudo quanto tinha para nos dizer em Jesus de Nazaré — esse acontecimento central da história, com uma tal energia que continua a falar, a falar-nos, vinte séculos depois, a cada um e a todos, não só no que Jesus disse, como no que fez e em toda a sua Pessoa — Palavra feita carne, ressuscitada, na qual Deus se continua a dizer e a dizer-nos.
E se Deus fala, então fazemos bem em escutá-lo. Fazemos bem em distinguir o que é Palavra de Deus daquilo que são as opiniões humanas. Fazemos bem em escutar e em guardar no coração aquilo que nos foi dito. Não é sequer facultativo ignorá-lo. Nem nos convém. Porque se Ele fala, isso interessa-nos: essa Palavra há-de dizer-nos como viver; há-de oferecer luz sobre que opções tomar, qual o caminho a percorrer, o modo e com quem caminhar.
Não temos que ter medo da Palavra de Deus. É certo que ela denuncia o nosso pecado, mas também é certíssimo que nos oferece forças para nos erguermos uma e outra vez, sempre. E mostra-nos Deus ao nosso lado, do nosso lado!

















