Banda Recreio Camponês assinala 800 anos da morte de São Francisco com concerto intimista

Foto: G. A.

O Convento de São Bernardino, em Câmara de Lobos, recebeu na noite desta quarta-feira, 2 de setembro, um concerto de música de câmara promovido pela Banda Recreio Camponês, numa iniciativa que assinala os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.

Logo na apresentação do espetáculo, a coletividade chamou a atenção para o carácter particular desta proposta. Habituado a ouvir a Banda com uma formação numerosa e uma sonoridade mais ampla, o público é convidado, desta vez, a descobrir os músicos em pequenos agrupamentos e a apreciar de forma mais próxima os diferentes timbres instrumentais.

“Este será um concerto mais íntimo”, foi salientado na introdução, sublinhando-se que a redução do número de músicos e de instrumentos permite que “cada nota” adquira um significado próprio e que o público acompanhe cada formação de maneira diferente.

O programa reuniu quatro agrupamentos constituídos por elementos da Banda Recreio Camponês: um quinteto de flautas, um quarteto de clarinetes, um quarteto de saxofones e um quinteto de metais. A passagem pelos diferentes conjuntos permite evidenciar algumas das famílias instrumentais que, habitualmente, se encontram reunidas numa banda filarmónica.

A ocasião permitiu igualmente recordar o percurso da Banda Recreio Camponês, uma das coletividades musicais históricas de Câmara de Lobos. Fundada a 1 de dezembro de 1910, foi durante muito tempo conhecida como “Banda Nova” e realizou a sua primeira atuação pública no início de 1911, no Estreito de Câmara de Lobos.

Com mais de 115 anos de atividade, a instituição tem mantido uma presença regular nas festas religiosas, acontecimentos culturais e celebrações do concelho e da Região. Ao longo da sua história, participou também em iniciativas fora da Madeira e representou a Região em diferentes ocasiões.

Uma das vertentes a que a Banda tem dedicado particular atenção é a formação. Através da sua escola de música, procura despertar o interesse dos mais novos, ensinar novos instrumentistas e assegurar a transmissão de conhecimentos entre gerações. Foi precisamente esta dimensão que voltou a ser destacada na apresentação do concerto, valorizando-se aqueles que, ao longo das décadas, têm dedicado tempo e trabalho à coletividade.

A Banda Recreio Camponês possui ainda o estatuto de coletividade de utilidade pública, reconhecimento atribuído em 1979, e conta no seu historial com distinções obtidas em encontros e concursos regionais de bandas filarmónicas.

Música, património e memória franciscana encontram-se, desta forma, num concerto que associa a efeméride à história de uma coletividade profundamente ligada à vida cultural de Câmara de Lobos.