D. Nuno Brás encerra visita à Venezuela com Eucaristia no Centro Português de Caracas

D.R.

D. Nuno Brás presidiu, neste domingo, 16 de agosto, à Eucaristia no Centro Português de Caracas, naquele que foi o último momento da visita pastoral de seis dias à Venezuela. A celebração decorreu na capela de Nossa Senhora de Fátima do Centro Português, e contou com a presença do bispo de Puerto Cabello, D. José António da Conceição, e do diretor da Missão Católica Portuguesa, padre Carlos de Abreu.

Na homilia, o Bispo do Funchal centrou a reflexão no amor de Deus, que não conhece fronteiras, e na necessidade de olhar cada pessoa como alguém chamado a participar desse mesmo amor. “Nem todos têm a graça de viver a fé, mas Deus é Deus para todos. Deus cuida de todos”, afirmou.

“Deus ama-te. É isto que nos salva. É isto que nos cura. A nós e a todos”, acrescentou D. Nuno Brás, sublinhando que “para Deus não há estrangeiro” e que o próprio Deus “convida a não olhar o outro como estrangeiro, mas antes a acolhê-lo”.

A mensagem partiu do Evangelho deste XX Domingo do Tempo Comum, a passagem de São Mateus que apresenta o encontro de Jesus com a mulher cananeia, uma estrangeira que insiste junto de Cristo pela cura da filha. A liturgia deste domingo destaca precisamente que, apesar de estrangeira em relação ao povo de Israel, aquela mulher se aproxima de Deus através da fé.

D. Nuno Brás chamou a atenção para a atitude daquela mulher, que não encara a salvação como um direito a exigir, mas como um dom que se recebe de Deus. “Aquela mulher não desistiu. Aquela mulher percebia que não tinha direito. Não era qualquer coisa que ela pudesse reivindicar. Percebeu que a salvação é qualquer coisa que Deus dá, que Deus oferece. É dom de Deus”, afirmou.

Daquela insistência, acrescentou, nasce também um ensinamento para a oração cristã: “Havemos de ser capazes de pedir. Havemos de ser capazes de constantemente o implorar. Aquela mulher não desistiu. E o Senhor deixou-se comover por aquele grito daquela mulher”.

O Bispo do Funchal evocou depois o exemplo de Santa Maria Rivier, recordando a doença que a impediu de andar durante a infância e a perseverança com que pediu a cura. “Durante anos, pediu que a levassem à capela, e todos aqueles dias ela pedia que Nosso Senhor a curasse. Sem desfalecer. Batendo à porta. Batendo ao coração do Senhor. E foi curada”, recordou.

Maria Rivier viria mais tarde a fundar as Irmãs da Apresentação de Maria, congregação dedicada particularmente à educação. Foi canonizada pelo Papa Francisco, na Praça de São Pedro, a 15 de maio de 2022.

“Não deixemos nunca de pedir, não deixemos nunca de bater ao coração do Senhor”, apelou D. Nuno Brás, ressalvando que a oração não pode ser entendida apenas a partir da expectativa de um milagre: “O Senhor escuta. Porque o Senhor quer transformar o nosso coração, de tal forma que os seus dons possam ser verdadeiramente acolhidos como dons para mim e para todos. E não simplesmente com o milagre em vista”.

A terminar, o prelado destacou que a experiência da aflição pode tornar-se também lugar de encontro com Deus e de testemunho: “O Senhor toca-nos no meio da aflição. O Senhor ajuda-nos. Para podermos ser suas testemunhas para todos”.

A Eucaristia encerrou uma visita pastoral iniciada a 11 de agosto, durante a qual D. Nuno Brás esteve com comunidades portuguesas e lusodescendentes, responsáveis eclesiais e instituições de solidariedade, e visitou algumas das zonas mais atingidas pelos sismos de 24 de junho.