Entre madeirenses, fé e solidariedade

D. Nuno Brás está na Venezuela numa visita pastoral marcada pelo encontro com as comunidades portuguesas e pela proximidade às populações atingidas pelos sismos

D.R.

O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, encontra-se na Venezuela, onde realiza, até domingo, uma visita pastoral que assume um particular significado para a Diocese do Funchal. Ao longo destes dias, o prelado madeirense tem percorrido diferentes comunidades e instituições, encontrando-se com portugueses e madeirenses radicados naquele país e levando consigo uma mensagem de proximidade, solidariedade e esperança.

A deslocação, realizada a convite do Arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord, acontece poucas semanas depois dos sismos que atingiram a Venezuela e que provocaram mortes e elevados danos materiais, sobretudo em várias zonas costeiras. Por isso, a presença de D. Nuno Brás não se limita ao contacto com a comunidade portuguesa: inclui também a visita a alguns dos locais mais afetados pela catástrofe e o encontro com famílias que vivem as consequências dos terramotos.

«Esta deslocação pretende ser, antes de tudo, uma missão de proximidade, levando o Evangelho da Esperança, a solidariedade da Diocese do Funchal e o carinho de todos os madeirenses às comunidades portuguesas e às populações atingidas pelos recentes sismos», explicou a Diocese do Funchal na apresentação da visita.

A primeira jornada da visita levou D. Nuno Brás a Valencia, onde foi recebido no Centro Social Madeirense, num primeiro encontro com representantes e membros da comunidade. A partir daí, a visita prosseguiu em Caracas e noutras localidades, num programa que conjuga encontros institucionais, momentos de oração e celebrações comunitárias.

Na quarta-feira, 12 de agosto, D. Nuno Brás esteve na sede da Conferência Episcopal Venezuelana, onde se encontrou com a direção e responsáveis da Cáritas Venezuela. O programa incluiu ainda uma visita ao Lar Padre Joaquim Ferreira, em Los Anaucos, instituição ligada à comunidade portuguesa, antes da celebração da Eucaristia na comunidade de El Junquito.

Este contacto com a Cáritas assume particular importância no contexto da visita, uma vez que a Igreja tem desempenhado um papel fundamental no acompanhamento das populações atingidas pelos sismos. A Diocese do Funchal esteve também envolvida numa campanha de solidariedade lançada na Madeira, através da qual foram recolhidos donativos destinados a apoiar as vítimas da tragédia.

A Madeira que atravessou o Atlântico

Ao longo destes dias, D. Nuno Brás tem encontrado uma comunidade que, apesar da distância geográfica, mantém uma ligação muito forte à Madeira. São várias as gerações de madeirenses e descendentes que vivem na Venezuela e que continuam a preservar tradições, devoções, memórias familiares e uma ligação afetiva às suas paróquias de origem.

A presença do Bispo do Funchal ganha, assim, também uma dimensão de reencontro. Em cada comunidade visitada, D. Nuno Brás leva consigo a Diocese e, de forma particular, o carinho das comunidades madeirenses que permanecem na ilha.

O programa inclui encontros com instituições da comunidade portuguesa, responsáveis da Igreja e representantes diplomáticos, mas são sobretudo os momentos de contacto direto com as pessoas que dão à visita o seu carácter pastoral.

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, o Bispo do Funchal visita a Missão Católica Portuguesa da Arquidiocese de Caracas, seguindo-se um encontro com o Embaixador de Portugal na Venezuela. O programa inclui ainda um almoço promovido pelas Damas de Beneficência do Centro Português e, durante a tarde, a deslocação a Catia La Mar, no estado de La Guaira, uma das zonas atingidas pelos sismos, onde preside à Eucaristia no Centro Luso-Venezolano.

É precisamente nestes locais que a dimensão solidária da visita se torna mais evidente. D. Nuno Brás encontra uma população que ainda vive entre os efeitos da destruição e a necessidade de reconstruir casas, instituições e vidas. O bispo já afirmou que, para além da remoção dos escombros, uma das grandes preocupações passa agora por apoiar os sobreviventes e ajudar as famílias a recuperar alguma normalidade.

Um 15 de agosto com um significado especial

A visita assume uma particular dimensão no sábado, 15 de agosto, dia em que a Igreja celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora e em que, na Madeira, se celebra a festa da sua Padroeira, Nossa Senhora do Monte.

Nesse dia, D. Nuno Brás participará, durante a manhã, na ordenação episcopal de D. José Dionísio Gomes de Gouveia, luso-descendente com raízes madeirenses, que será ordenado Bispo Auxiliar de Caracas, juntamente com D. José Manuel León. A celebração decorrerá na Igreja de São João Bosco, em Altamira.

Ao final da tarde, o Bispo do Funchal presidirá à Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Carrizal, nos Altos Mirandinos. A celebração será também um momento de memória e oração pelas vítimas dos sismos.

O facto de esta celebração acontecer precisamente no dia de Nossa Senhora do Monte estabelece uma ligação particularmente simbólica entre a Madeira e a comunidade madeirense na Venezuela. A devoção à Padroeira acompanha muitos dos que partiram e permanece como uma das expressões mais fortes da identidade religiosa madeirense.

Uma Igreja próxima de quem sofre

A visita pastoral de D. Nuno Brás acontece num momento em que a Venezuela procura recuperar dos efeitos dos sismos, mas é também uma oportunidade para reafirmar a presença da Igreja junto das comunidades portuguesas.

O programa termina no domingo, 16 de agosto, com a celebração da Eucaristia no Centro Português de Caracas, antes do regresso da comitiva à Europa.

Mais do que uma deslocação institucional, os dias de D. Nuno Brás na Venezuela estão a ser vividos como uma visita de proximidade. Entre celebrações, encontros, visitas e momentos de oração, o Bispo do Funchal procura fazer chegar às comunidades portuguesas uma mensagem simples: apesar da distância, a Madeira não esquece os seus filhos espalhados pelo mundo.

E, perante a dor provocada pelos sismos, a Igreja procura estar onde é mais necessária: junto de quem perdeu, de quem sofre e de quem precisa de esperança para começar de novo.

As fotografias desta visita testemunham precisamente essa dimensão humana e pastoral: os encontros com a comunidade, os momentos de oração, o contacto com instituições e, sobretudo, os rostos de uma comunidade que continua a manter viva, do outro lado do Atlântico, a ligação à Madeira e à Diocese do Funchal.