D. Nuno Brás na Venezuela: “Os madeirenses têm-vos sempre no coração”

D.R.

A proximidade aos emigrantes madeirenses e a solidariedade para com as populações atingidas pelos recentes sismos estão a marcar a visita pastoral de D. Nuno Brás à Venezuela.

“Quero dizer-vos que os madeirenses vos têm sempre no coração, nunca se esquecem dos seus conterrâneos que aqui estão na Venezuela”, disse D. Nuno Brás na visita ao Lar “Padre Joaquim Ferreira”, em Los Anaucos, onde o bispo do Funchal procurou transmitir aos emigrantes, e de modo particular aos mais idosos, a proximidade de toda a Madeira.

D. Nuno Brás explicou que partiu para a Venezuela levando consigo o carinho de muitas famílias madeirenses. “Quando as pessoas da Madeira souberam que o bispo vinha visitar os madeirenses que estão na Venezuela, muitos foram aqueles que me disseram: ‘Vá! Tenho lá primos, irmãos, família. Gostava de lá estar; como não posso, vá o Senhor’”.

Recorrendo a Fernando Pessoa, o bispo do Funchal citou a expressão “Aqui ao leme sou mais do que eu, sou um povo” para explicar o significado que atribui à sua presença junto das comunidades emigrantes. “Eu aqui, de facto, sou mais do que eu, sou o povo madeirense que não vos esquece”, afirmou.

O prelado recordou também aqueles que, ao longo de décadas, contribuíram para o desenvolvimento da Venezuela e mantiveram uma forte ligação à terra de origem. A Madeira “não esquece também aqueles que são os avós, que contribuíram tanto para aquilo que é a Venezuela e para aquilo que é a Madeira”, sublinhou.

A passagem pelo Lar “Padre Joaquim Ferreira” assumiu particular significado precisamente pela presença de muitos emigrantes de gerações mais antigas. D. Nuno Brás procurou assegurar-lhes que a distância e o passar dos anos não diminuíram a ligação à Madeira.

Ao mesmo tempo, deixou uma reflexão cristã sobre o envelhecimento. “Quero ser a presença de Jesus Cristo, que nos diz para olharmos sempre mais longe, que nos diz para olharmos mais além do nosso espelho”, afirmou.

O bispo acrescentou que a vida não se mede apenas pela força física: “Aquele que acredita, esse, ainda que o corpo mortal se vá tornando velho, o seu espírito continua vivo, cada vez mais jovem, porque se aproxima daquele que é a eterna juventude que é Jesus Cristo”.

“O nosso corpo vai perdendo faculdades, mas o nosso espírito vai-se aproximando de Jesus”, acrescentou.

A proximidade da solenidade de 15 de agosto e da Festa de Nossa Senhora do Monte permitiu também a D. Nuno Brás reforçar os laços entre a comunidade emigrante e a Diocese do Funchal. “Através de mim é também a Senhora do Monte que vos visita e vos abençoa”.

A dimensão mariana tem estado presente no programa pastoral. Um dos primeiros momentos religiosos decorreu na Capela de Nossa Senhora de Fátima, em El Junquito, onde D. Nuno Brás rezou o terço com a comunidade portuguesa, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

No sábado, 15 de agosto, o Bispo do Funchal presidirá, às 18 horas, a uma Missa dedicada a Nossa Senhora do Monte, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Carrizal, permitindo à comunidade madeirense viver na Venezuela uma celebração profundamente ligada à identidade religiosa do arquipélago.

A deslocação à Venezuela está também marcada pela solidariedade com as populações afetadas pelos recentes abalos sísmicos. “Esta visita surgiu quase espontaneamente depois dos terremotos de 24 de julho”, explicou D. Nuno Brás.

O Bispo chegou ao Aeroporto Internacional de Valência na madrugada de quarta-feira, 12 de agosto, tendo sido recebido, entre outros, por D. Jesús González de Zárate, Arcebispo de Valência, e pelos conselheiros das Comunidades Madeirenses Nelson Nunes e Danny Figueira.

A visita realiza-se a convite do Arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord, e tem incluído encontros com as comunidades madeirense e portuguesa, celebrações e contactos com instituições locais.

Ao longo destes dias, os vários encontros são marcados pela certeza de que a distância não apaga os laços entre a Madeira e os seus emigrantes. Como afirmou D. Nuno Brás, “os madeirenses vos têm sempre no coração”.