Cáritas do Funchal lamenta morte de Eugénio Fonseca

Foto: Arquivo

A Cáritas Diocesana do Funchal manifestou profundo pesar pelo falecimento do Professor Eugénio José da Cruz Fonseca, ocorrido no dia 12 de agosto, aos 69 anos.

Figura de referência na área da intervenção social em Portugal, Eugénio Fonseca dedicou mais de quatro décadas ao serviço da comunidade, com particular atenção às pessoas em situação de maior fragilidade e à defesa da dignidade humana. Foi presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, entre 1987 e 2016, e presidente da Cáritas Portuguesa entre 1999 e dezembro de 2020. Desde 2009, presidia também à Confederação Portuguesa de Voluntariado, depois de ter assumido, em 2006, a presidência da comissão instaladora desta estrutura.

Licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Eugénio Fonseca esteve ligado a diversas estruturas da área social e da participação cívica. Foi membro do Conselho Económico e Social e integrou a Comissão Nacional do Rendimento Mínimo Garantido, posteriormente designada Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção.

Ao longo dos anos em que esteve à frente da Cáritas Portuguesa, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na defesa das pessoas em situação de pobreza e exclusão social, procurando chamar a atenção da sociedade e dos responsáveis políticos para as situações de maior vulnerabilidade. A Cáritas Portuguesa recordou-o como alguém que deixou uma «marca indelével» na instituição e que contribuiu decisivamente para o fortalecimento da rede Cáritas em Portugal.

A atual presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, destacou o seu «legado de dedicação ao serviço da Igreja através dos mais vulneráveis», sublinhando que o seu contributo seria recordado por beneficiários, voluntários e colaboradores que com ele aprenderam a colocar-se ao serviço dos mais pobres.

Também o Bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, manifestou profunda consternação pela morte de Eugénio Fonseca, recordando a sua «dedicação incansável aos mais pobres, frágeis e esquecidos» e o percurso marcado pelo serviço à Igreja e pela promoção de uma cultura de solidariedade, proximidade e dignidade humana.

A mesma dimensão de proximidade foi sublinhada pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que classificou Eugénio Fonseca como uma «figura incontornável da ação social da Igreja Católica em Portugal». O responsável recordou que não se limitava a falar dos pobres, procurando antes conhecê-los, escutá-los e fazer com que a sua voz fosse ouvida.

O Presidente da República, António José Seguro, também manifestou pesar pela morte de Eugénio Fonseca, destacando um percurso marcado pela atenção às pessoas em situação de maior fragilidade, pelo combate à pobreza e pela defesa da dignidade humana. O Chefe de Estado considerou que, durante mais de quatro décadas, o antigo presidente da Cáritas Portuguesa contribuiu para transformar a solidariedade em ações concretas.

Eugénio Fonseca presidiu ainda, nos últimos anos, à Fundação D. Manuel Martins, mantendo o seu compromisso com a Igreja e com a intervenção social. Entre junho de 2014 e março de 2026 integrou igualmente o Conselho das Ordens do Mérito Civil da Presidência da República, participando no reconhecimento público de personalidades e instituições nas áreas social, educativa e comunitária.

O seu trabalho foi também reconhecido através de várias distinções. Em 1993 recebeu a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal, em 2007 foi agraciado pelo Presidente da República com a Ordem do Mérito, no grau de Grande Oficial, e, em 2016, recebeu a Medalha de Honra da Segurança Social.

Para a Cáritas do Funchal, a morte de Eugénio Fonseca representou também a perda de uma personalidade que marcou profundamente o movimento Cáritas em Portugal e a área da solidariedade social.

«O Professor Eugénio foi uma figura emblemática em Portugal, na área da Intervenção Social, lutando pela dignidade humana e pela solidariedade», referiu a Cáritas Diocesana do Funchal na nota de pesar, manifestando o seu pesar aos familiares e amigos e desejando que «encontrem conforto e paz para enfrentar esta perda».

A vida de Eugénio Fonseca ficou ligada a uma ideia de solidariedade entendida não apenas como resposta à necessidade, mas como compromisso permanente com a dignidade de cada pessoa. Um legado que atravessa a rede Cáritas, o voluntariado e tantas instituições sociais com as quais colaborou ao longo de décadas.