Nove senhoras participaram em mais um Curso de Cristandade promovido pelo Movimento dos Cursilhos de Cristandade da diocese, que decorreu entre os dias 6 e 8 de agosto. O encerramento foi marcado pela celebração da Eucaristia, presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, e por momentos de testemunho de elementos mais antigos do Movimento.
Na celebração, D. Nuno Brás deixou às novas cursistas uma mensagem centrada na presença de Deus na vida concreta de cada pessoa e na importância de cada cristão ser testemunha dessa presença no mundo. Partindo do Evangelho proclamado, o bispo recorreu à imagem da barca dos discípulos, agitada pelas ondas e pelo vento contrário, para refletir sobre as dificuldades, dúvidas e inquietações que tantas vezes atravessam a existência humana.
“Na nossa vida, nós navegamos tantas vezes no meio das ondas e tantas vezes com ventos contrários”, afirmou, explicando que as ondas podem representar “aquelas situações mais difíceis”, os momentos em que a pessoa “não sabe o que fazer” e em que parece sentir-se impotente perante aquilo que acontece.
Também os ventos contrários, observou, podem ser entendidos como as muitas vozes e opiniões que surgem no caminho e que procuram instalar a dúvida. “Estás a ver, Deus abandonou-te. Estás a ver, Deus não existe. Não vale a pena”, exemplificou, identificando nessas vozes os obstáculos que podem enfraquecer a confiança e a fé.
Mas, perante as dificuldades, D. Nuno Brás sublinhou que os cristãos não estão sozinhos. A barca, símbolo tradicional da Igreja, recorda precisamente que a caminhada da fé é feita em comunidade. “Nós, cristãos, não enfrentamos isso sozinhos”, afirmou, lembrando que tanto as contrariedades e sofrimentos como as alegrias e conquistas são vividos com a companhia dos irmãos na fé.
“Jesus dá-nos uma companhia. E a companhia são os irmãos da fé”, salientou.
Para o bispo do Funchal, esta dimensão comunitária é particularmente importante na experiência cristã, porque permite perceber que ninguém vive, sofre ou enfrenta as dificuldades isoladamente. Ao mesmo tempo, cada cristão é chamado a tornar-se, para os outros, sinal da presença de Deus.
A reflexão de D. Nuno Brás centrou-se depois nas palavras de Jesus aos discípulos, quando estes se encontram no meio do mar e reconhecem a sua presença: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
O «Sou Eu», explicou, não é apenas uma forma de Jesus se identificar perante os discípulos. É também uma expressão que remete para a própria revelação de Deus no Antigo Testamento, quando Deus se apresenta a Moisés como “Eu sou aquele que sou”.
Assim, a palavra de Cristo contém uma certeza fundamental: Deus está presente. “Sou Eu significa: sou Deus. E sou Deus que está convosco”, afirmou D. Nuno Brás, convidando as cursistas a guardar esta confiança como uma das marcas essenciais da caminhada iniciada ou aprofundada durante o Cursilho.
O episódio de Pedro, que pede a Jesus para também caminhar sobre as águas, serviu igualmente ao Bispo para estabelecer uma ligação com a experiência dos cursistas. Ao dizer “Então vem”, Jesus dirige a Pedro um chamamento que implica confiança e disponibilidade.
“O chamamento ao Curso de Cristandade é: então vem”, afirmou D. Nuno Brás, explicando que esse convite não termina com os dias do curso. Pelo contrário, aponta para uma missão que se prolonga na vida quotidiana.
“Nós somos a extensão de Jesus”, afirmou, sublinhando que aquilo que Cristo confia aos seus discípulos é precisamente a tarefa de continuar a fazer aquilo que Ele fazia e a dizer aquilo que Ele dizia. “No fundo, somos hoje a sua presença”, acrescentou.
Nesse sentido, o Cursilho não deve ser entendido apenas como uma experiência marcante ou como um conjunto de dias vividos intensamente, mas como um momento de renovação que encontra a sua verdadeira expressão no regresso à vida de todos os dias.
O prelado alertou, por isso, para o risco de a experiência vivida durante o curso ficar reduzida a uma recordação positiva. Mais importante do que recordar “aquilo que foi maravilhoso” é reconhecer que a verdadeira realidade da fé se encontra na simplicidade da vida quotidiana, onde cada pessoa é chamada a testemunhar aquilo que recebeu.
A passagem do Evangelho volta depois a apresentar Pedro diante da dificuldade. Ao sentir que começa a afundar-se, Pedro não tenta resolver sozinho a situação. Clama por Jesus: “Salva-me!”.
Para D. Nuno Brás, esta atitude contém uma importante lição para a vida cristã. Quando a pessoa começa a desanimar, quando a fé enfraquece ou quando sente que já não consegue avançar, a resposta não passa apenas pelo esforço individual.
“Mais do que tentar nadar, importa confiar nas mãos do Senhor”, afirmou.
O bispo convidou assim as novas cursistas a não terem medo de reconhecer a própria fragilidade e a aprenderem a pedir ajuda a Deus. “Salva-nos. Ajuda-nos”, são palavras que, segundo D. Nuno Brás, podem e devem fazer parte da oração do cristão quando surgem os momentos de dificuldade.
A passagem evangélica termina, contudo, com uma atitude de reconhecimento e de fé. Depois de o vento se acalmar, os discípulos prostram-se diante de Jesus e proclamam: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”.
Foi também neste gesto que D. Nuno Brás colocou o convite final às participantes no Curso de Cristandade: não esquecer a ação de Deus e agradecer.
“Nunca se esqueçam de agradecer”, afirmou, apelando a que a experiência do Cursilho não termine simplesmente com o regresso a casa, mas conduza a uma atitude permanente de reconhecimento diante de Cristo.
“Tu és verdadeiramente o Filho de Deus. Tu és verdadeiramente o Deus Santo. Em Ti eu posso confiar. Contigo eu posso contar”, resumiu o Bispo, apontando estas palavras como uma expressão da fé que deve acompanhar a caminhada de cada cursista.


Uma experiência de encontro e testemunho
O encerramento do curso contou também com a participação de elementos mais antigos do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, que partilharam testemunhos sobre a sua experiência e sobre a forma como o Cursilho marcou a sua caminhada de fé.
Foi neste contexto de encontro entre diferentes gerações de cursistas que as nove participantes puderam perceber que a experiência iniciada durante aqueles três dias se integra numa caminhada mais ampla, feita de acompanhamento, amizade, oração e testemunho.
Na intervenção dirigida às participantes, D. Nuno Brás destacou precisamente o valor desses testemunhos e da presença concreta dos cristãos na história. A fé, afirmou, não é uma realidade abstrata, mas torna-se visível através das palavras, das atitudes e das opções de cada pessoa.
“Temos história concreta, presente, física”, afirmou, lembrando que Deus continua a fazer-se presente na história através daqueles que procuram responder ao seu chamamento.
O bispo recorreu ainda a uma expressão que sintetiza esta dinâmica: “Eu nunca vi Deus a chamar, mas vejo alguém a responder”. É nesta resposta que, segundo D. Nuno Brás, a presença de Deus se torna visível no tempo e na história. “Deus chamou-nos a viver neste momento da nossa vida. Faz-me o favor de responder, de corresponder”, afirmou.
Aos novos elementos do Movimento deixou, por isso, um apelo a que não tenham medo de responder ao chamamento de Deus, confiando também na ação do Espírito Santo. “Quando for preciso, o Espírito Santo nos dá aquilo que é preciso dizer”, afirmou.
O encerramento do Curso de Cristandade ficou assim marcado por uma dupla dimensão: a ação de graças pela caminhada realizada ao longo dos três dias e o envio das nove novas cursistas para a vida quotidiana, onde são chamadas a tornar visível, através da sua própria vida, a presença de Cristo.
“É Deus presente a agir. Somos nós a responder a Deus”, sintetizou D. Nuno Brás, agradecendo a todos os que tornam possível esta experiência de encontro e de renovação da fé.
Para as nove participantes, o final do curso representa, deste modo, não um ponto de chegada, mas o início de uma nova etapa. A partir da experiência vivida, são chamadas a permanecer ligadas à comunidade cristã, a caminhar com os irmãos na fé e a levar para as suas famílias, ambientes e relações a certeza de que, mesmo no meio das “ondas” e dos “ventos contrários”, Cristo continua presente e diz: “Sou Eu. Não temais”.





























