D. Nuno Brás desafia comunidade dos Prazeres a ser “portadora de Jesus” na festa de Nossa Senhora das Neves

D.R.

A Paróquia dos Prazeres viveu na terça-feira, 5 de agosto, um dos momentos mais marcantes do seu calendário litúrgico e comunitário, ao celebrar a festa de Nossa Senhora das Neves, sua padroeira, com uma solene Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás. 

A celebração reuniu fiéis da freguesia e de várias localidades, que acorreram para prestar homenagem à Virgem Maria e renovar a sua confiança naquela que a Igreja venera como Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

Num ambiente de profunda oração e alegria, a comunidade voltou a afirmar a forte devoção mariana que caracteriza esta paróquia do concelho da Calheta, onde a festa de Nossa Senhora das Neves continua a ser um momento privilegiado de encontro entre gerações, de afirmação da identidade cristã e de renovação da fé.

Na homilia, D. Nuno Brás conduziu os fiéis por uma reflexão sobre o significado da festa, partindo das leituras proclamadas na liturgia. O bispo explicou que Maria é a verdadeira Arca da Aliança, aquela em quem Deus quis habitar de forma plena para vir ao encontro da humanidade.

Para tornar mais clara esta imagem, recordou a antiga Arca da Aliança descrita no Antigo Testamento, construída por Moisés segundo as indicações de Deus e destinada a guardar as tábuas da Lei. Referindo-se à tradição que fala do desaparecimento da Arca, observou que aquilo que ela representava encontrou em Maria o seu pleno cumprimento.

“Nossa Senhora é a verdadeira Arca da Aliança”, afirmou, explicando que a antiga arca continha as tábuas da Lei, enquanto Maria trouxe no seu seio o próprio Filho de Deus. “Se antes eram as pedras gravadas pela mão de Deus, agora é o próprio Deus que habita no seio da Virgem Maria”, sublinhou.

O prelado acrescentou que Maria é uma arca “ainda maior e mais excelente” do que a do Antigo Testamento, porque nela não está apenas um sinal da presença divina, mas o próprio Salvador. Da mesma forma que a antiga Arca era revestida de ouro como símbolo da sua dignidade, também a Virgem Maria aparece revestida da santidade de Deus, tornando-se modelo de fidelidade e pureza para toda a Igreja.

Ao longo da reflexão, D. Nuno Brás mostrou como esta realidade não pertence apenas ao passado, mas continua viva na vida dos cristãos. Recordando o episódio evangélico da Visitação, destacou que Maria, depois de acolher o anúncio do Anjo, não permaneceu fechada sobre si mesma. Pelo contrário, levantou-se imediatamente e partiu ao encontro da sua prima Isabel.

Segundo explicou, este gesto revela uma característica essencial da fé cristã. Quem encontra Cristo não pode guardar essa alegria apenas para si. “Quando temos uma boa notícia sentimos necessidade de a comunicar”, afirmou, acrescentando que Maria nos ensina precisamente essa disponibilidade para levar Jesus aos outros.

O bispo recordou que a Virgem foi ao encontro de Isabel levando consigo o próprio Salvador. É esta atitude que faz dela a verdadeira Arca da Nova Aliança: uma presença que não permanece imóvel, mas que caminha ao encontro daqueles que necessitam de esperança.

A partir desta imagem, D. Nuno Brás dirigiu um apelo concreto à comunidade paroquial. “Nossa Senhora convida-nos a sermos portadores de Jesus Cristo”, afirmou, acrescentando que esta missão pertence a todos os batizados.

Segundo explicou, cada cristão é chamado a tornar Cristo presente onde vive e trabalha, não apenas através das palavras, mas sobretudo pelo testemunho da própria vida. Esse anúncio concretiza-se na prática da caridade, na atenção aos mais frágeis, na disponibilidade para ajudar quem sofre e na capacidade de viver o Evangelho nas circunstâncias mais simples do quotidiano.

“Somos chamados a levar Jesus na nossa maneira de ser”, afirmou, convidando os fiéis a testemunharem a fé na família, no trabalho, na escola e nos diferentes ambientes onde desenvolvem a sua vida.

O prelado insistiu igualmente na importância de não esconder a fé. “É sermos capazes de falar de Jesus no nosso trabalho, na nossa família e nos nossos momentos de convívio”, disse, lembrando que a evangelização começa muitas vezes nos gestos simples, na palavra oportuna e no exemplo de uma vida coerente.

Ao mesmo tempo, advertiu que a verdadeira devoção mariana nunca termina em Maria, mas conduz sempre ao encontro com Cristo. Celebrar Nossa Senhora significa aprender com Ela a acolher Jesus e a anunciá-Lo ao mundo.

“É bom fazermos a festa de Nossa Senhora das Neves”, afirmou, “mas melhor ainda é sermos portadores de Jesus sempre e em toda a parte.”

Esta foi uma das ideias centrais da homilia, na qual o bispo procurou mostrar que as festas religiosas só encontram o seu verdadeiro sentido quando levam a uma renovação da vida cristã. A devoção popular, explicou, torna-se autêntica quando conduz a uma fé mais comprometida e a uma maior disponibilidade para servir os outros.

Na parte final da celebração, D. Nuno Brás convidou toda a assembleia a confiar-se à proteção da Virgem Maria, pedindo que cada família encontre nela um exemplo de disponibilidade para Deus e de serviço ao próximo.

“Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude, como Ela, a sermos portadores de Jesus”, concluiu, convidando os presentes a fazer da própria vida uma presença de Cristo junto daqueles que encontram diariamente.

A celebração decorreu num ambiente de grande participação e recolhimento, refletindo a importância que a festa de Nossa Senhora das Neves continua a ter para a comunidade dos Prazeres. Ao longo do dia, muitos fiéis participaram nas celebrações religiosas e nos diversos momentos festivos.

Mais do que uma manifestação de religiosidade popular, a festa voltou a afirmar-se como um momento de renovação espiritual para a comunidade paroquial. A mensagem deixada por D. Nuno Brás constituiu um forte apelo para que cada cristão, inspirado pelo exemplo da Virgem Maria, faça da própria vida um testemunho vivo do Evangelho, levando Cristo aos outros através das palavras, mas sobretudo pela caridade, pela esperança e pelo amor vivido no dia a dia.