A celebração dos 25 anos da dedicação da Igreja Paroquial das Eiras transformou-se, esta terça-feira, dia 4 de agosto, num dia de memória, gratidão e compromisso com o futuro da comunidade. Mais do que assinalar uma efeméride, a paróquia aproveitou o Jubileu para deixar novos sinais da sua identidade e da sua missão, com o lançamento do livro “Paróquia das Eiras: Fé, testemunhos e memórias”, a inauguração da renovada Casa da Paz, a bênção da imagem de Nossa Senhora da Paz e a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás.
Depois de, nos dias que antecederam a festa, a comunidade ter recordado a história da construção do templo e o caminho percorrido desde a criação da paróquia, as comemorações culminaram com um programa que procurou unir passado, presente e futuro. A ideia esteve patente em cada um dos momentos vividos ao longo do dia: preservar a memória, agradecer o caminho percorrido e preparar a comunidade para continuar a ser presença viva da Igreja naquele lugar.
A jornada começou com o lançamento do livro “Paróquia das Eiras: Fé, testemunhos e memórias”, uma publicação que reúne documentos, fotografias e testemunhos que ajudam a contar a história da Paróquia das Eiras desde os seus primeiros anos. A obra nasce como um contributo para preservar a memória coletiva da comunidade e para transmitir às gerações mais novas o percurso de fé que levou ao nascimento da paróquia e, mais tarde, à construção da atual igreja.
Casa da Paz recupera as raízes da comunidade
Um dos momentos mais significativos das comemorações aconteceu junto ao edifício que durante décadas acolheu a vida litúrgica da paróquia. Antes da celebração da Eucaristia, foi inaugurada e benzida a renovada Casa da Paz, espaço que integra uma biblioteca, salas de encontro e formação e a nova imagem de Nossa Senhora da Paz colocada no exterior.
Na intervenção que antecedeu a bênção, o pároco, Pe. Alberto Fernandes, convidou a comunidade a revisitar a história daquele edifício, recordando que a casa pertenceu originalmente à família Calisto e que, com a criação da Paróquia das Eiras, em 1960, passou progressivamente a fazer parte da vida da comunidade.
Entre 1967 e 1995 funcionou ali a Capela da Paz, local onde foram celebradas as primeiras Eucaristias, administrados os sacramentos e construída a identidade religiosa de sucessivas gerações de paroquianos.
“Foi aqui que, através dos sacramentos da fé da Igreja, a comunidade foi, pouco a pouco, construindo a sua identidade religiosa e cristã”, recordou.
Depois da construção do salão paroquial e, posteriormente, da atual igreja, aquele espaço continuou ao serviço da evangelização, acolhendo encontros de jovens, catequese, retiros e diversas iniciativas pastorais.
Agora, por ocasião do primeiro Jubileu Paroquial, passa oficialmente a designar-se Casa da Paz, numa homenagem à padroeira da comunidade.
O sacerdote explicou que este edifício continuará a desempenhar um papel importante na vida paroquial, estando preparado para acolher encontros, retiros, grupos juvenis, visitantes e todos aqueles que procurem um espaço de silêncio, convivência e formação.
“Será sobretudo um espaço dedicado aos mais jovens, embora aberto a todos, para que quantos por aqui passarem possam experimentar o dom da paz pelas mãos de Maria Santíssima”, afirmou.
Outro momento carregado de simbolismo foi o regresso do primeiro sino da antiga Capela da Paz ao local onde durante tantos anos marcou o ritmo da vida da comunidade. Guardado durante décadas por Sidónio Quintal, o sino voltou ao espaço onde tantas vezes chamou os fiéis para a oração.
A nova imagem de Nossa Senhora da Paz, benzida durante esta cerimónia, foi apresentada como um sinal permanente da proteção de Maria sobre a comunidade e sobre todos os que visitarem aquele lugar.
“Esta comunidade não é um gueto”
A celebração prosseguiu com a Eucaristia presidida por D. Nuno Brás, que começou por agradecer a presença das numerosas autoridades civis e religiosas.
O bispo do Funchal sublinhou que essa participação tem um significado que ultrapassa a dimensão protocolar. “Esta presença manifesta como esta comunidade não é um gueto, não é uma realidade isolada, mas encontra-se ao serviço e no meio da comunidade humana.”
Dirigindo-se às entidades presentes, acrescentou que a comunidade cristã continuará disponível para colaborar em tudo aquilo que represente serviço ao povo madeirense.
“Podem sempre contar também com esta comunidade em tudo aquilo que for serviço da população.”
Casa de Deus e de humanidade
Na homilia, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão no significado da dedicação de uma igreja, lembrando que um templo cristão possui sempre uma dupla dimensão. “A primeira é muito simples: esta é a casa de Deus.”
Explicou que não se trata apenas de um edifício destinado ao encontro de pessoas, mas do lugar onde Deus habita no meio do seu povo.
Referindo-se à arquitetura do templo, observou que toda ela está orientada para o altar e para a cruz, expressão da centralidade de Cristo na vida da comunidade.
É ali, afirmou, que os fiéis se reúnem para louvar Deus, escutar a Palavra, celebrar os sacramentos e abrir o coração à ação divina.
“Quem passa de fora percebe logo: ali está a Igreja, é a casa de Deus. Deus não é um estrangeiro. Deus vive aqui, nesta terra.”
O bispo lembrou que essa presença divina ilumina também as fragilidades humanas, mas nunca deixa de manifestar a misericórdia de Deus.
Apesar das limitações e do pecado, acrescentou, Deus continua a querer permanecer no meio do seu povo.
Mas a igreja, prosseguiu, é igualmente “casa de humanidade”.
Mais do que um espaço religioso, é um lugar onde a comunidade cresce como família humana, aprendendo a viver relações mais fraternas.
“Sabemos que a humanidade sem Deus vai-se degradando. Com Deus, pelo contrário, procura sempre ir mais longe e tornar-se mais humana.”
Por isso, definiu a Igreja das Eiras como uma casa aberta a todos. “Todos aqui podem entrar. Todos aqui são ouvidos. Todos aqui podem escutar uma palavra que os chama.”
Ao concluir a homilia, convidou os fiéis a agradecer todos aqueles que contribuíram para construir o templo, mas sobretudo a reconhecer que a verdadeira Igreja é feita pelas pessoas.
“Devemos procurar ser verdadeiramente as pedras vivas do templo do Senhor.”

Um jubileu que celebra pessoas
No final da celebração, o Pe. Alberto Fernandes voltou a dirigir-se à assembleia para agradecer a presença do bispo, das autoridades civis, dos sacerdotes e de toda a comunidade.
Recordou que foi precisamente a 4 de agosto de 2001 que D. Teodoro de Faria dedicou aquela igreja ao culto divino, evocando também o papel desempenhado pelo padre Rogério Vieira na concretização daquele projeto.
O pároco fez memória dos muitos homens e mulheres que, desde a criação da paróquia na década de 1960, alimentaram o sonho de construir uma igreja para servir esta população.
“Muitos daqueles que sonharam esta obra já partiram para junto de Deus, mas permanecem vivos na memória agradecida desta comunidade.”
Prestou igualmente homenagem aos sacerdotes, benfeitores, voluntários e famílias que, ao longo dos anos, contribuíram para construir e conservar o templo.
Dirigiu ainda uma palavra de gratidão ao Governo Regional pelo apoio prestado durante a construção da igreja, recordando, de forma particular, o contributo do então presidente Alberto João Jardim para a concretização da obra.
Agradeceu também às atuais autoridades civis pela presença nas comemorações, considerando que esse gesto testemunha a importância das comunidades cristãs na construção de uma sociedade mais humana, solidária e fraterna.
Uma palavra especial foi igualmente dirigida ao arquiteto João da Cunha Paredes, autor do projeto da igreja, por ter sabido traduzir “em pedra, luz e espaço um lugar que convida ao encontro com Deus”.
Na parte final da intervenção, o pároco deixou uma ideia que acabou por resumir todo o sentido do jubileu.
“Há vinte e cinco anos foi dedicado este templo; hoje celebramos sobretudo as vidas que aqui foram transformadas pela presença de Deus.”
Lembrou as crianças ali batizadas, os casais que celebraram o matrimónio, as famílias acompanhadas nos momentos de alegria e de sofrimento e todos aqueles que, ao longo deste quarto de século, encontraram naquela igreja um lugar para crescer na fé.
Sob a proteção de Nossa Senhora da Paz, a comunidade das Eiras encerrou assim um Jubileu que quis olhar para o passado com gratidão, viver o presente com esperança e preparar o futuro.
A publicação de um livro que preserva a memória da paróquia, a recuperação da antiga Casa da Paz e o apelo de D. Nuno Brás para que a Igreja continue a ser simultaneamente “casa de Deus” e “casa de humanidade” deixaram claro que esta celebração não foi apenas uma evocação histórica, mas a renovação de um compromisso com a missão da comunidade cristã no coração das Eiras.





















































