A Paróquia de Nossa Senhora da Paz, nas Eiras, celebra no próximo dia 4 de agosto o jubileu dos 25 anos da dedicação da sua igreja, assinalando a data em que o templo foi consagrado, em 2001. A efeméride será vivida com um vasto programa que inclui o lançamento de um livro sobre a história da comunidade, a inauguração da Casa da Paz com uma biblioteca, a bênção de uma imagem de Nossa Senhora da Paz e uma Eucaristia presidida por D. Nuno Brás. Em entrevista ao Jornal da Madeira, o pároco, Pe. Alberto Fernandes, explica o significado desta celebração, recorda o percurso da comunidade desde as primeiras missas campais, na década de 60, e sublinha que este jubileu é também uma homenagem a todos aqueles que, com sacrifício e dedicação, ajudaram a construir a paróquia.
O que representa para a paróquia a celebração dos 25 anos da dedicação da igreja?
Celebrar este jubileu é, antes de mais, reconhecer a verdadeira identidade da família cristã das Eiras. Na realidade, a nossa história não começou há 25 anos. A comunidade vem dos anos 60. A primeira missa campal foi celebrada em 1967 e, desde então, houve um longo caminho até à construção da igreja que conhecemos hoje. Primeiro existiu uma casa onde se realizava o culto, depois o salão paroquial, inaugurado em 1995, e finalmente a igreja, dedicada a 4 de agosto de 2001. É uma história feita de muito esforço, sacrifício, lágrimas, fé e amor por parte de toda a comunidade.
Como será assinalada esta data?
As comemorações começam às 18 horas com a apresentação de um livro que conta a história da paróquia. Intitula-se “Com fé, testemunhos e memórias” e reúne fotografias, documentos históricos, testemunhos de leigos, dos párocos que passaram pela comunidade e também das vocações que aqui nasceram. É uma forma de preservar a memória da paróquia e de agradecer a todos os que ajudaram a construí-la.
“É uma história feita de muito esforço, sacrifício, lágrimas, fé e amor por parte de toda a comunidade”.
O programa inclui também a inauguração de novos espaços…
Sim. Às 19 horas vamos inaugurar uma pequena biblioteca na casa onde, durante muitos anos, funcionou o culto religioso antes da construção da igreja. Essa casa passará a chamar-se Casa da Paz, em homenagem à nossa padroeira, Nossa Senhora da Paz. É um espaço que continua ao serviço da comunidade, acolhendo catequese, encontros, retiros e, por vezes, grupos vindos de fora da ilha. A biblioteca pretende ser um lugar de formação e de crescimento humano e espiritual. Os livros ajudam-nos a conhecer melhor a verdade, aprofundam os nossos conhecimentos e enriquecem a nossa vida.
Será também benzida uma imagem de Nossa Senhora da Paz.
Exatamente. Recuperámos todo o espaço exterior da igreja e quisemos colocar ali uma imagem de Nossa Senhora da Paz. Como a igreja permanece encerrada durante o dia, por razões de segurança, esta imagem será um sinal visível da presença da Igreja naquele lugar. Queremos que seja um espaço de oração, mas também um ponto de encontro, sobretudo para as crianças e para as famílias. Durante o momento dedicado a esta parte da bênção da imagem haverá cânticos interpretados por um grupo de crianças e será explicada a simbologia daquele espaço, incluindo o lago existente no recinto, que recorda o chamamento de Cristo para sermos pescadores de homens.
“encontrei nas Eiras ‘um povo com um grande coração e uma grande vontade de continuar a realizar e a incentivar caminhos de nova evangelização’.
A Eucaristia será presidida pelo Bispo do Funchal.
Sim. Às 20 horas celebraremos a Eucaristia de ação de graças, presidida por D. Nuno Brás. Será o momento central do jubileu, onde queremos agradecer a Deus por estes 25 anos da dedicação da igreja e por toda a história da comunidade. Depois da celebração haverá um momento público de homenagem às entidades religiosas e civis, bem como a alguns paroquianos que, ao longo dos anos, se distinguiram pelo seu serviço e dedicação à paróquia. Terminaremos com um convívio aberto à comunidade.

Este jubileu é também uma oportunidade para recordar quem tornou possível a construção da igreja.
Sem dúvida. Quando olhamos para a história percebemos o enorme esforço realizado pela comunidade. Foi um caminho longo e exigente. As pessoas deram muito de si para que esta igreja fosse uma realidade. Também é justo recordar o apoio do Governo Regional na conclusão da parte superior do edifício, numa fase em que a comunidade já tinha feito um enorme sacrifício financeiro. Tudo o que hoje existe nasceu da fé e da dedicação de muitas pessoas.
Como encontra hoje a comunidade das Eiras?
É uma comunidade muito participativa. Quando cheguei, em 2022, senti que era necessário dar um novo dinamismo, sobretudo na catequese e na pastoral, com especial atenção aos mais novos. A minha preocupação foi aproximar-me das famílias, das crianças e dos jovens, criando uma relação de proximidade com a comunidade. A evangelização faz-se muito pelo encontro. É preciso conhecer as pessoas, ir ao seu encontro, conversar, visitar os doentes e estar presente na vida concreta de cada um. Procurei, desde o início, cumprir aquilo que considero essencial no ministério sacerdotal: ser um padre próximo, um pastor no meio do seu povo. A nossa missão é mostrar à geração mais nova a alegria do Evangelho. É essa a convicção que tem orientado o trabalho pastoral desenvolvido junto das crianças e jovens da comunidade, ajudando-os a descobrir a beleza da fé e a presença de Cristo nas suas vidas. Vejo frutos desse caminho. A comunidade continua viva, há famílias novas que se aproximam da Igreja e muitas pessoas que encontram nesta paróquia um espaço de acolhimento e de encontro com Deus.
“A nossa missão é mostrar à geração mais nova a alegria do Evangelho”
O que mais o marcou nestes primeiros anos como pároco das Eiras?
As Eiras foram a primeira paróquia que a Igreja me confiou e, por isso, têm um significado muito especial. Costumo dizer que é o meu primeiro amor enquanto pároco. Desde que cheguei, procurei reconhecer os dons desta comunidade, a sua generosidade e a sua vontade de caminhar em conjunto. Como escrevi no testemunho preparado para este jubileu, encontrei nas Eiras “um povo com um grande coração e uma grande vontade de continuar a realizar e a incentivar caminhos de nova evangelização”. Tenho crescido muito como pastor nesta comunidade. Tenho aprendido com as pessoas, com as suas histórias e com a sua fé. Vejo muitas famílias oriundas de vários pontos da Madeira que escolheram as Eiras para construir a sua vida. Há um coração que se vai despertando para a fé quando existe proximidade, quando a Igreja sai dos seus espaços e vai ao encontro das pessoas. Ainda há muito caminho pela frente. A missão não é apenas acompanhar aqueles que já participam na vida da Igreja, mas também procurar aqueles que estão mais afastados, visitar, escutar e criar pontes. É uma experiência muito bonita e agradeço a Deus esta oportunidade de servir esta comunidade. Continuamos a caminhar com a certeza de que é Cristo quem orienta a sua Igreja através do Evangelho.























