Estamos a viver um período da nossa História Mundial dominado por notícias de guerras: na Ucrânia, em Gaza, no Líbano, no Estreito de Ormuz, no Irão e outros países do Médio Oriente, com a Rússia, com Israel, com a América, ocada vez com maior extensão geográfica abrangida. O grau de agressão, de destruição de horror, a matança,a presença de genocídios, vão crescendo. E, pelo menos na Europa, pensávamos que não mais tal se repetiria, após as duas Grandes Guerras do século xx: não mais genocídios, nem conquistas de territórios, por ambições imperialistas ou na busca de mais riquezas, matando-se seres inocentes e indefesos, arrasando-se prédios, habitações, destruindo-se património nacional e mundial, instalações vitais e básicas, como os hospitais e pontes, privando-se às populações o acesso à água e a tantos outros bens.
Nunca esperei ver judeus que, tanto sofreram com o holocausto, fossem fazer algo de similar a vizinhos palestinianos, numa reação básica, do “olho por olho, dente por dente”.
A Rússia “roubou” mais de um milhar de crianças e jovens ucranianos, um a um, com fins imprevisíveis, situação similar à que já se verificara na Revolução Comunista.
As notícias de Gaza, da Ucrânia, do Irão e de seus Proxies, do Médio Oriente, não nos dão tempo e espaço mental para darmos atenção ao que se passa noutras zonas, sobretudo em África e na Ásia. Mas, pela comunicação social sabe-se. Sabe-se que a guerra na República Democrática do Congo (que recebe ajudas para a guerra, nomeadamente do Ruanda), tem sido considerada a guerra mais mortal, inclusivamente em relação à II Grande Guerra, sendo esta mundial. Tudo para se obterem riquezas em minerais: ouro, cobalto e colban…
No Sudão vive-se em guerra civil, pois as Forças Armadas Sudanesas e um grupo de paramilitares denominado ”Forças de Apoio Rápido”, batem-se ferozmente. Neste País um Colégio Católico foi assaltado, pela 2ª vez, por terroristas. que roubaram 200 alunas e 12 professores. Aliás são bastantes os países onde existe guerrilha contra a Igreja Católica.
Em África, na região do Saehl (Mali, Burkina Faso e Nigéria), no norte de Moçambique (em Cabo Delgado), grupos extremistas islâmicos, têm criado grande instabilidade e mortes, procurando impor o islamismo, num novo estado a criar – o Daesh.
Não é minha intenção transformar este texto em listas exaustivas de países, onde há guerrilhas e guerras, donde partem emigrantes e onde chegam imigrantes ou refugiados.
O que acontece a quem fica vivo?
Passam fome, intempéries, adoecem, perdem o seu habitat, o trabalho, a família, os amigos e os vizinhos, sentem-se diariamente inseguros, em perigo, dessituados, confusos, perturbados. Vivem no mundo do medo e da fome.
Fogem.
Dezenas, centenas de milhares, milhões de pessoas buscam a sobrevivência na emigração, em péssimas condições: de fragilidade, em risco de vida, nomeadamente nos transportes, são explorados de formas inimagináveis por grupos de espoliadores destas situações, verdadeiros criminosos. E, em regra, quem emigra são as pessoas mais válidas, inteligentes, com mais iniciativa.
Contudo, quero vos dizer ainda, que estas pessoas, que desde logo sabem que podem correr muitos riscos, aaté à morte, a começar no caminho, sendo sujeitos a situações inimagináveis de roubo e degradação, mesmo assim, quando emigram, trazem esperança. E determinação.
No tempo actual, em Portugal imigrantes: brasileiros, venezuelanos e de todos os países com língua portuguesa. já cá estavam com uma razoável integração.
Surgiram recentemente mais imigrantes, mesmo muitos, estes com línguas asiáticas: do Nepal, do Paquistão, do Bangladesh, da India, do Camboja, das Filipinas, da China…
Entre estes imigrantes estão a ser identificados casos de gente maltratada, subjugada, quer do ponto de vista económico, como do físico e social, no tipo e volume trabalho que lhes é exigido, nos horários de trabalho, sem seguros para acidentes de trabalho, sendo vergonhosamente alojados, acomodados. Algumas destas pessoas. estão sob o jugo de perfeitos carrascos mafiosos.-
Assim, hoje em dia, em Portugal, os imigrantes, novos e velhos, com e sem habilitações, muitas vezes sem saber outra língua senão a sua, trabalham: nas obras, na restauração, nos trabalhos sociais, nos serviços camarários de saneamento básico, nos trabalhos agrícolas. E, mesmo assim, com tanta gente a mais (cerca de 1 milhão e meio) estamos com o chamado pleno emprego, isto é, os imigrantes não “roubaram” trabalho aos residentes, pois estão a fazer os trabalhos que não são procurados, ou melhor dizendo, que os nacionais não gostam, se recusam a fazer.
Mas, como essas actividades precisam mesmo de ser feitas, os imigrantes, em Portugal, contribuem para um importante equilíbrio económico/social.
O número e a variedade das origens dos imigrantes que chegam a todos os países da União Europeia, a rapidez e intensidade com que este fenómeno tem evoluído, as múltiplas alterações na vida quotidiana dos naturais residentes, têm provocado uma difícil vivência comum. Mas, é bom que nos lembremos que as migrações são um fenómeno social, de todas as épocas e em todo o mundo.
Será que as Américas, Norte e Sul, não resultaram de grandes fenómenos de migrações?
Já nos esquecemos dos povos que invadiram a Península Ibérica: fenícios, gregos, cartagíneses, romanos, suevos, alanos, vândalos. visigodos, celtas, muçulmanos e tantos outros? E, o que aconteceu? Da vivência em comum fomos criando e recriando a nossa língua, selecionando e adotando valores, usos e costumes, novos comportamentos, aprendendo coisas novas e ensinando aos “intrusos” a nossa forma de vida- familiar, profissional, comunitária – impondo as nossas leis e regras.
Quem não sabe que a nossa língua pertence ao grupo de línguas de origem latina? Mas nela encontramos palavras árabes e não só. E a importância do direito romano até aos dias de hoje! Na agricultura ceitas e árabes ensinaram formas de trabalhar os campos que perduram. Todos estes povos ajudaram a moldar a nossa cultura, fazem parte da nossa história-
Não é necessariamente bom ou mau recebermos imigrantes. Será bom se os ajudarmos na sua integração, na existência de um clima de respeito mutuo pelos direitos e deveres de quem chega e de quem está, se os acolhermos e estivermos dispostos a aceitá-los com as suas vulnerabilidades. Reconhecer que lhes estamos a dar muito, sobretudo oportunidades, que cada pessoa poderá ou não querer, ou não saber utilizar. E, que eles também nos oferecem coisas de vida novas, se as quisermos receber e trabalhar.
Ao finalizar este artigo lembrei-me do extraordinário Professor de Ciência Política, Professor Dr. Adriano Moreira, com quem aprendi, no fim dos anos 70, que três dos maiores problemas sociopolíticos que se teriam de enfrentar, sobretudo neste século, seriam:
– grandes migrações;
-o enfraquecimento dos Estados, sobretudo pela força de interesses e poderes económicos e sociais transnacionais, pela rapidez e globalização das mudanças;
– o desenvolvimento de novas tecnologias, o que será uma verdadeira revolução, com efeitos profundos e maiores, no tecido social, do que a revolução industrial.
No jornal Nascer do Sol li uma entrevista de um grande político, Dr. Bagão Félix, que afirmava “estar-se a legislar para uma realidade (para um País), que não se conhece”.
Paralelamente tive sempre presente uma conversa que gosto muito de ter com Deus, desde criança, uma passagem da celebração da Missa : “Sursum Corda / Corações ao Alto, a que se responde – Habemus ad Dominum / O meu coração está em Deus”.





















