O provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, Jorge Spínola, aproveitou esta segunda-feira a inauguração do novo Complexo Social de Santa Clara para dirigir um apelo público ao bispo do Funchal, D. Nuno Brás, pedindo a nomeação de um capelão para a instituição, de forma a assegurar uma presença pastoral permanente junto dos idosos e a celebração regular da Eucaristia.
O pedido foi um dos momentos marcantes da cerimónia de inauguração da nova infraestrutura social, que integra uma capela e passará a acolher dezenas de idosos, muitos deles com mobilidade reduzida e impossibilitados de participar regularmente nas celebrações das respetivas paróquias.
Ao dirigir-se ao prelado da Diocese do Funchal, que procedeu à bênção das novas instalações, o provedor manifestou o desejo de que o novo complexo possa contar com um sacerdote residente ou com presença regular, garantindo acompanhamento espiritual, celebrações litúrgicas e apoio religioso aos residentes, familiares e colaboradores.
Além deste repto dirigido ao bispo do Funchal, Jorge Spínola aproveitou igualmente a presença do presidente do Governo Regional para alertar para outra preocupação da instituição: a devolução do IVA suportado pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) nas obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Miguel Albuquerque respondeu de imediato, assegurando que o Executivo regional irá encontrar uma solução para ultrapassar essa situação.
13,3 milhões de euros
O chefe do Executivo regional voltou ainda a enaltecer o investimento realizado pela Santa Casa da Misericórdia do Funchal, classificando-o como “uma magnífica obra” e sublinhando que representa um importante reforço da resposta social destinada à população idosa. Recordou igualmente que o aumento da capacidade em lares e nos cuidados continuados constitui uma das prioridades do Governo Regional, defendendo que estes investimentos exigem “critérios rigorosíssimos na aplicação dos dinheiros públicos”.
O Complexo Social de Santa Clara representa um investimento de cerca de 13,3 milhões de euros, financiado pelo PRR, e disponibiliza um conjunto alargado de respostas sociais e de saúde destinadas à população idosa. O equipamento integra uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), um Centro de Dia, residências assistidas, uma clínica de reabilitação física e um Centro Integrado para a Longevidade Ativa.
No total, o complexo oferece 115 vagas de apoio a idosos, das quais 65 são novas, 20 resultam da remodelação de lugares já existentes e 30 pertencem ao Centro de Dia. A ERPI dispõe de 85 camas distribuídas por 51 quartos, dos quais 33 são duplos e 18 individuais.
Uma das principais novidades é a criação de cinco residências assistidas, uma resposta inédita na Madeira, composta por apartamentos T1 destinados a casais ou pessoas com mais de 60 anos que pretendam manter uma vida autónoma, beneficiando simultaneamente dos serviços prestados pela Santa Casa.
“Esta é uma ERPI, mas também tem uma componente de residências assistidas”, explicou Jorge Spínola, referindo que estes apartamentos permitem aos residentes viverem de forma independente, dispondo de videoporteiro e outras condições de autonomia, mas com acesso permanente a refeições, cuidados de saúde, acompanhamento clínico e restantes serviços da instituição.
Centro de Longevidade Ativa
Outra das apostas passa pelo Centro Integrado para a Longevidade Ativa, que promoverá programas de estimulação cognitiva e motora e integra piscina terapêutica, tanque de hidro-reabilitação, gabinetes de fisioterapia e uma sala Snoezelen, tecnologia sensorial utilizada, segundo o provedor, pela primeira vez na geriatria da Região.
O complexo dispõe ainda de enfermagem permanente durante 24 horas, gabinetes médicos e de apoio social, ginásio, salas de tratamento, salas de convívio, sala polivalente, sala de costura, estufa de flores, estacionamento coberto e uma capela, espaço que reforça precisamente o pedido agora dirigido ao bispo do Funchal para que seja assegurado um acompanhamento espiritual regular aos residentes.
Das 85 camas da estrutura residencial, 20 destinam-se a vagas sociais e outras 15 ficarão reservadas para doentes com alta clínica hospitalar que aguardam colocação definitiva numa resposta social, contribuindo para aliviar a pressão sobre o Serviço Regional de Saúde.
Perante algumas críticas surgidas nas redes sociais relativamente aos preços praticados, Jorge Spínola recordou que a Santa Casa sempre acolheu idosos com baixos rendimentos, lembrando que o Lar de Santa Isabel recebeu durante muitos anos pessoas com pensões de sobrevivência na ordem dos 300 euros. Salientou, contudo, que uma infraestrutura desta dimensão não consegue garantir a sua sustentabilidade apenas com essas comparticipações, motivo pelo qual foram criadas vagas sociais apoiadas pelo Estado e ajustadas à situação económica de cada utente.
As mensalidades para quartos privados iniciam-se nos 1.250 euros mensais, enquanto as residências assistidas terão um custo superior a 5.000 euros por apartamento, valores que incluem alojamento, alimentação, tratamento de roupa, cuidados permanentes e acesso a todas as infraestruturas terapêuticas.
Embora a construção tenha sido integralmente financiada pelo PRR, Jorge Spínola recordou que a Santa Casa suportou um investimento próprio significativo na aquisição de mobiliário, equipamentos, utensílios, fardamento e restante material necessário ao funcionamento da nova estrutura, despesas que não foram abrangidas pelo financiamento comunitário.
A entrada em funcionamento do complexo permitirá criar entre 40 e 50 novos postos de trabalho, à medida que forem sendo admitidos residentes. Os primeiros utentes já começaram a ocupar o edifício, entre eles cerca de 26 idosos transferidos temporariamente do Lar de Santa Isabel, enquanto decorrem as obras de remodelação das antigas instalações.
As candidaturas continuam abertas através da plataforma da Santa Casa da Misericórdia do Funchal. Segundo o provedor, já existem numerosas pré-inscrições e alguns casos urgentes justificaram a admissão de residentes ainda antes da inauguração oficial do novo complexo.
40 a 50 postos de trabalho
Embora a construção do edifício tenha sido integralmente financiada pelo PRR, Jorge Spínola recordou que a Santa Casa suportou um esforço financeiro significativo na aquisição de equipamentos, mobiliário, utensílios, fardamento e restante material indispensável ao funcionamento da instituição, despesas que não foram abrangidas pelo financiamento comunitário.
A entrada em funcionamento do novo complexo permitirá ainda criar entre 40 e 50 postos de trabalho, à medida que forem sendo admitidos novos residentes. Os primeiros utentes já começaram a ocupar o edifício, entre os quais cerca de 26 idosos provenientes temporariamente do Lar de Santa Isabel, enquanto decorrem as obras de remodelação das antigas instalações.
As candidaturas continuam abertas e podem ser efetuadas através da plataforma da Santa Casa da Misericórdia do Funchal. Segundo o provedor, já existem numerosas pré-inscrições e alguns casos urgentes motivaram a admissão de utentes ainda antes da inauguração oficial da nova estrutura.































