Campo Buzicos reuniu 64 jovens na Quinta de São Jorge para uma semana de fé, amizade e partilha

D.R.

Sessenta e quatro jovens, com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, participaram entre os dias 20 e 25 de julho em mais uma edição do Campo Buzicos, que decorreu na Quinta de São Jorge. 

A iniciativa contou com o acompanhamento de 27 animadores e proporcionou aos jovens uma semana marcada pela oração, pela convivência, pela formação cristã e pelo contacto direto com a natureza, longe das distrações do quotidiano.

Ao longo dos seis dias de campo, os participantes viveram um programa intenso que incluiu celebração diária da Eucaristia, momentos de partilha, jogos tradicionais e jogos preparados pela equipa de animação. Um dos aspetos distintivos desta experiência é precisamente o facto de os jovens permanecerem toda a semana na quinta, sem acesso a telemóveis, privilegiando as relações pessoais, a escuta, o silêncio e o encontro com Deus.

Um dos momentos mais significativos aconteceu ao final da tarde de sexta-feira, 24 de julho, com a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás.

Na introdução da celebração, o prelado convidou os jovens a reconhecerem a autenticidade da experiência vivida durante o campo, recorrendo a uma expressão do Papa Bento XVI. “Deus é o verdadeiro real”, começou por recordar. “Nós às vezes achamos que Deus é uma espécie de imaginação ou uma hipótese. Mas Deus é o verdadeiro real. E aquilo que vocês experimentaram ao longo desta semana foi um verdadeiro real.”

D. Nuno Brás acrescentou que tudo aquilo que afasta desta experiência acaba por ser “menos bom que o verdadeiro real”, convidando os participantes a dar graças a Deus pelos dias vividos na Quinta de São Jorge.

Durante a celebração, o bispo fez também referência à recente ordenação sacerdotal do padre Santiago Villalobos, presente no campo, sublinhando que a sua vocação constitui um sinal concreto da ação de Deus na vida da Igreja. “Damos graças a Deus por estas maravilhas que Deus faz no meio de nós”, afirmou.

Na homilia, partindo das leituras do dia e da parábola do semeador, D. Nuno Brás explicou aos jovens que a grande diferença entre a palavra de Deus e a palavra humana está no facto de a primeira se cumprir.

“A palavra de Deus não fica no ar. A palavra de Deus cumpre-se”, afirmou, apontando como exemplo o chamamento de novos sacerdotes e a própria experiência vivida pelos participantes ao longo daquela semana.

O bispo destacou que Deus continua a chamar pessoas concretas e a realizar hoje a sua Palavra. Referindo-se à primeira leitura, sublinhou que a promessa de Deus de dar “pastores segundo o seu coração” continua a cumprir-se na Igreja e que também o Campo Buzicos é um lugar onde muitos jovens podem descobrir esse chamamento.

A partir do Evangelho, D. Nuno Brás lançou depois uma interpelação pessoal a cada participante, perguntando que tipo de terreno desejam ser para acolher a Palavra de Deus.

Recordando a parábola do semeador, explicou que há quem escute a Palavra sem a compreender, quem a acolha apenas por um momento, quem a deixe sufocar pelas preocupações ou distrações e quem, pelo contrário, a receba em boa terra e produza fruto.

“Que terreno é que tu queres ser? Ou melhor, que terreno é que tu estás disponível para ser?”, questionou, convidando os jovens a olharem para a própria vida e a perceberem de que forma Deus continua a semear generosamente no coração de cada um.

Segundo o prelado, Deus nunca desiste de ninguém. “O semeador não é tolo. Tem esperança que tu sejas a boa terra”, afirmou, explicando que Cristo continua a passar pela vida de cada pessoa e a pedir lugar no seu coração.

Inspirando-se também na figura de Zaqueu, recordou as palavras de Jesus: “Eu preciso de ficar em tua casa”, explicando que cada jovem é chamado a responder livremente a esse convite.

“Cada um de nós tem uma história diferente. Jesus passa por ti concretamente com a tua história e sabe muito bem quem tu és”, disse, acrescentando que Deus conhece as limitações, fragilidades e capacidades de cada pessoa, mas, ainda assim, continua a confiar nela e a chamá-la.

A terminar a homilia, D. Nuno Brás convidou todos a um momento de silêncio e oração, pedindo aos participantes que perguntassem ao Senhor o que deseja de cada um e de que forma podem acolhê-Lo na própria vida.

O Campo Buzicos terminou no dia 25 de julho, deixando aos participantes uma experiência marcada pela amizade, pela descoberta da fé e pelo crescimento humano e espiritual, numa semana em que, afastados dos telemóveis e das rotinas habituais, puderam experimentar uma forma diferente de viver, centrada no encontro com Deus e com os outros.