Falar de Jesus

D.R.

O antigo Arcebispo de Paris, o cardeal André Vignt-Trois, gostava de dizer que “Não é nunca bastante que os cristãos falem do Evangelho”.

Creio que esse é mesmo o grande problema da evangelização contemporânea. Achamos que aquilo que fazemos por Jesus já é o suficiente: que basta ir à Missa todos os domingos; que é suficiente rezar por uns momentos ao princípio ou ao fim do dia; que já é bom procurar uma atitude ética nas relações com os outros (os célebres “valores”, hoje tão propagados). 

No fundo, achamos que o mínimo é suficiente porque o resto fará a natureza humana por si, automaticamente. Achamos que, à natureza humana, lhe basta receber uns estímulos bons por parte dos cristãos para acordar a bondade para que Deus a todos criou. E que, desse modo, tudo e todos se tronarão cristãos.

Ora, ao contrário, a nossa experiência diz-nos que isso é um engano. Sabemos, por experiência própria, que a nossa natureza é mais inclinada ao disparate que aquilo que gostaríamos. Tal como sabemos (também por experiência própria) que o viver social, sem a presença do facto cristão, facilmente descamba no desnorte, mole e viscoso, em que andamos há muito tempo.

Ficámos pelo que julgamos ser suficiente. E não é. Ao nosso mundo, falta-lhe a presença de Jesus a iluminar, a dar luz, a conduzir, a ser critério para as escolhas de cada um e de toda a sociedade. 

Se queremos um mundo mais cristão, temos, nós os cristãos, que assumir o trabalho constante, árduo mas essencial, de falar sempre de Jesus. Quer dizer: de, em todas as ocasiões, o mostrar vivo, o tornar presente, transformador de todo o viver humano.