D. Nuno Brás desafia fiéis a acolher Nossa Senhora “na casa do coração” nos 40 anos da Igreja do Carmo

Foto: Duarte Gomes

A Paróquia do Carmo, em Câmara de Lobos, celebrou na quarta-feira, 16 de julho, solenidade de Nossa Senhora do Carmo, o 40.º aniversário da dedicação da sua igreja, numa Eucaristia presidida pelo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás. A celebração integrou também as festividades em honra da padroeira da comunidade e reuniu numerosos fiéis, bem como a Confraria de Nossa Senhora do Carmo.

No início da celebração, o pároco, padre Marcos Pinto, agradeceu a presença do bispo do Funchal e de todos os participantes, recordando o significado desta data para a comunidade.

“Obrigado por estar aqui connosco neste dia em que a Paróquia do Carmo celebra os 40 anos da dedicação da sua igreja. É paróquia há mais tempo, mas temos uma igreja, temos um lugar de culto, um lugar para rezar”, afirmou o sacerdote, deixando ainda uma palavra de reconhecimento à Confraria de Nossa Senhora do Carmo pelo trabalho desenvolvido na preparação das festividades.

Na homilia, D. Nuno Brás partiu da primeira leitura, que recorda a pequena nuvem vista pelo profeta Elias antes da chegada da chuva, para explicar que essa imagem foi sempre entendida pela tradição da Igreja como uma figura de Nossa Senhora.

Recordando a grande seca vivida pelo povo de Israel, o prelado explicou que essa aridez era também sinal de um coração afastado de Deus.

“No fundo, a seca da natureza era também sinal da seca dos corações, dos corações ressequidos, incapazes da frescura daquele que vive com Deus”, afirmou.

Foi precisamente neste contexto que apresentou Maria como sinal da esperança que antecede a chegada de Cristo. “Nossa Senhora é verdadeiramente a aurora do novo dia”, disse. “Assim como a aurora começa por aquele pequenino raio de luz que rompe a escuridão, também Maria é aquela que anuncia e traz consigo a novidade de Deus.”

O bispo do Funchal lembrou ainda que a tradição cristã identifica nessa “pequenina nuvem” vista por Elias a imagem da Virgem Maria, que traz consigo “uma chuva abundante de graças” para a humanidade.

Referindo-se à igreja paroquial, D. Nuno Brás sublinhou que aquele templo é, antes de mais, “a casa de Nossa Senhora do Carmo”, onde os fiéis são continuamente acolhidos.

Evocando o Evangelho proclamado na celebração, em que Jesus entrega Maria ao discípulo amado, afirmou que esse gesto continua a ser um convite dirigido a todos os cristãos. “A partir daquele momento, o discípulo recebeu-a em sua casa. Também nós somos chamados a acolher Nossa Senhora.”

A celebração constituiu igualmente um momento de ação de graças pelas quatro décadas de vida daquela igreja e pelo caminho percorrido pela comunidade paroquial.

“Nestes 40 anos, tantas coisas de Deus aqui aconteceram”, afirmou o prelado, recordando todos quantos contribuíram para a construção do templo, desde quem lançou a ideia até aos operários e fiéis que tornaram possível a sua edificação.

“Damos graças a Deus por estes 40 anos de vida de fé, por estes 40 anos em que acolhemos a Virgem Maria em nossa casa.”

O bispo recordou ainda, com emoção, aqueles que já partiram, fazendo uma referência especial ao padre Teodoro, que presidiu à dedicação da igreja há precisamente quatro décadas.

Contudo, sublinhou que o verdadeiro desafio não consiste apenas em conservar um edifício, mas em permitir que Maria habite permanentemente no coração de cada cristão. “Muito mais do que esta casa física que hoje celebramos, importa recebê-la na casa do nosso coração.”

D. Nuno Brás reconheceu que muitas vezes o coração humano se encontra “árido, ressequido como um deserto”, cansado, cheio de dúvidas, hesitações e medos. Ainda assim, convidou os fiéis a deixarem entrar Maria, mesmo que apenas como um pequeno sinal de esperança.

“Mesmo que seja só aquela pequenina nuvem, aquela pequenina promessa, aquele pequenino sinal, aquela pequenina luz. Sabemos que, acolhendo-a, seremos capazes um dia de viver da abundância de graças que ela nos traz.”

Na parte final da homilia, o bispo do Funchal alertou para o risco de uma vivência cristã acomodada, lembrando que a fé exige um caminho permanente de crescimento. “Às vezes pensamos: já chega. Vou à Missa ao domingo, já chega. Faço uma oração de manhã, já chega. Procuro comportar-me bem, já chega. Pois não. Isso é apenas o princípio.”

Segundo explicou, a vida cristã começa precisamente nesses primeiros passos, mas é chamada a transformar-se numa existência plenamente aberta à ação de Deus. “A nós é pedido que acolhamos a Virgem Maria em casa. Sempre.”

Como exemplo dessa entrega total, apontou São João, o discípulo amado, que recebeu Maria em sua casa não apenas por alguns dias, mas para toda a vida. “São João acolheu-a em sua casa para sempre.”

Dirigindo-se à comunidade paroquial, deixou uma palavra de incentivo e esperança. “Nós somos da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo. Por isso, que sorte tem cada um de nós por poder acolher Nossa Senhora sempre, todos os dias, no seu coração e na sua casa.”

Concluindo a celebração, D. Nuno Brás convidou todos os fiéis a confiarem a sua vida à proteção da Virgem do Carmo. “Que bom é termos Nossa Senhora ao nosso lado, que nos acompanhe no trabalho, nos momentos de alegria, nos momentos de oração. Acolhamos Nossa Senhora e, por ela, recebamos todas as graças que Jesus do Céu nos quer conceder.”