D. Nuno Brás desafia crismados a fazer do Espírito Santo uma força para transformar a vida

Foto: Duarte Gomes

O Bispo do Funchal administrou, no passado fim de semana, o sacramento da Confirmação a 82 jovens e adultos de três comunidades da Diocese. No sábado, 11 de julho, foram crismados 39 fiéis nas paróquias da Camacha e do Rochão e outros 28 na paróquia de Santa Cruz. Já no domingo, 12 de julho, receberam o Crisma mais 15 jovens e adultos na paróquia de São Roque.

Nas três celebrações, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão na parábola do semeador, proclamada no Evangelho, insistindo na necessidade de os cristãos escutarem verdadeiramente a Palavra de Deus e permitirem que ela transforme a sua vida.

Na Camacha, o prelado partiu da frase de Jesus, “Quem tem ouvidos, ouça”, para distinguir o simples ato de ouvir da verdadeira escuta. “Podemos ter o aparelho auditivo a funcionar muito bem e, no entanto, não escutar”, afirmou, explicando que a Palavra de Deus não pode “entrar por um ouvido e sair pelo outro”.

Ao comentar as quatro situações apresentadas por Jesus na parábola do semeador, D. Nuno Brás convidou cada pessoa a fazer um exame de consciência. “Cada um de nós não pode deixar de se interrogar: em qual das situações é que eu estou? Como é que eu tomo Deus a sério na minha vida? O que é que eu faço com esta Palavra que é proclamada para mim?”

O Bispo alertou para o risco de uma fé superficial, que se entusiasma apenas por momentos, ou de uma vida em que as preocupações materiais acabam por sufocar a ação de Deus.

Dirigindo-se de forma especial aos crismandos, questionou-os sobre o significado do sacramento que estavam prestes a receber. “O que é que vocês vão fazer com o Crisma? Uma festa muito bonita, vestidos bonitos, bom almoço ou bom jantar, tudo muito bem. Para quê? O que é que tu vais fazer com o dom do Espírito Santo?”

D. Nuno Brás alargou ainda o desafio à realidade madeirense, interrogando os fiéis sobre o lugar que Deus ocupa na sociedade. “Nós até somos religiosos. Mas será que verdadeiramente Deus importa na nossa vida? Será que os critérios de Jesus têm lugar na vida da nossa sociedade madeirense?”

No final da homilia, pediu que cada cristão seja “boa terra” para que a Palavra possa dar fruto e que também a Madeira se torne “gente que escute a Palavra de Deus, gente para quem Deus é importante”.

Em Santa Cruz, o Bispo retomou o mesmo Evangelho, começando pelas palavras de Jesus: “O coração deste povo tornou-se duro; veem sem ver, ouvem sem ouvir nem entender.”

Explicou que ouvir não significa necessariamente acolher a mensagem de Cristo. “Ouvimos, mas não guardamos. Ouvimos, mas não entendemos. Ouvimos, mas é como se a Palavra entrasse por um ouvido e saísse pelo outro.”

Ao desenvolver novamente a parábola do semeador, sublinhou que Jesus apresenta quatro formas de acolher a Palavra para que cada pessoa confronte a própria vida. “E tu? O que é que tu fazes com a Palavra de Deus?”, perguntou repetidamente.

Referindo-se aos crismandos, recordou que o sacramento não pode ficar reduzido à recordação de um dia festivo. “Daqui por trinta anos olham para o álbum das fotografias e dizem: foi uma festa tão bonita. Mas o que é que tu vais fazer com o teu Crisma? Como é que Deus vai entrar na tua vida?”

O Bispo insistiu que a verdadeira fé implica deixar que Deus transforme os critérios, a maneira de pensar, de sentir e de viver. “Esta é a grande questão: deixar que Deus faça parte da nossa vida.”

Também nesta celebração lançou um desafio missionário aos novos crismados. “E a Madeira? Que terra é a Madeira? Somos todos muito religiosos, sim, mas o que é que Deus conta para os madeirenses? O que é que Deus muda na vida dos madeirenses?”

No domingo, em São Roque, D. Nuno Brás voltou a refletir sobre a mesma parábola, explicando que a Palavra só produz fruto quando permanece no coração. “A Palavra entra pelos ouvidos, mas depois permanece no coração e, permanecendo no coração, transforma a nossa vida.”

Recordando a expressão de Jesus, “Quem tem ouvidos, ouça”, afirmou que este é um apelo decisivo para a vida cristã. “Isto que Jesus disse é importante para a vossa salvação. Quem tem ouvidos, ouça, mas ouça de verdade.”

O Bispo aproveitou ainda para relacionar esta mensagem com o sacramento da Confirmação, explicando que o Espírito Santo concede a força necessária para viver como discípulo de Cristo.

“O Espírito Santo que vocês vão receber dá-nos a força, dá-nos a coragem, dá-nos aquilo que é preciso para sermos cristãos.”

Questionou igualmente os fiéis sobre o impacto concreto da fé nas suas vidas. “Qual foi a Palavra de Jesus que fez a diferença na tua vida?”, perguntando não apenas aos mais novos, mas a toda a assembleia.

Finalmente, voltou a alargar o olhar para a missão da Igreja na sociedade madeirense, afirmando que o Espírito Santo fortalece os cristãos para fazer da ilha “terra boa”, onde a Palavra de Deus seja acolhida e vivida.

As três celebrações ficaram marcadas pelo convite insistente de D. Nuno Brás a que o Crisma não seja apenas um momento festivo, mas o início de uma vida cristã mais comprometida, alimentada pela escuta da Palavra e pela ação transformadora do Espírito Santo.

Crismas na Paróquia da Camacha

Crismas na Paróquia de Santa Cruz

Crismas na Paróquia de São Roque