O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, presidiu no domingo, 12 de julho, à Eucaristia da Festa de Nossa Senhora da Piedade, no Mosteiro da Caldeira, em Câmara de Lobos, celebração que reuniu numerosos fiéis e integrou a tradicional procissão em honra da padroeira. A animação musical esteve a cargo da Banda Recreio Camponês, que acompanhou os principais momentos da festa.
No início da celebração, D. Nuno Brás convidou os fiéis a contemplarem Nossa Senhora da Piedade como Mãe que partilha os sofrimentos da humanidade e participa já da glória da Ressurreição.
“Mãe dolorosa, que depois de tanto sofrimento viveis na glória do Céu com o vosso Filho, como Rainha do Universo. É isto que nós celebramos”, afirmou.
O prelado explicou que a imagem da Senhora da Piedade revela simultaneamente duas dimensões essenciais da fé cristã: Maria acolhe Jesus nos braços depois da descida da cruz e é, ao mesmo tempo, a Mãe que permanece junto de todos os que sofrem.
“Como Nossa Mãe, Ela acompanha-nos e está connosco no meio dos nossos sofrimentos e das nossas dificuldades”, disse.
Na homilia, D. Nuno Brás partiu da segunda leitura da liturgia, retirada da Carta de São Paulo aos Romanos, para refletir sobre o sofrimento humano e sobre a esperança cristã.
Recordando as recentes tragédias que têm marcado o mundo, entre elas a situação vivida na Venezuela, os incêndios em Espanha e outras catástrofes naturais, o bispo reconheceu que perante o sofrimento dos inocentes surge inevitavelmente uma pergunta: “Que sentido é que isto tem?”
A resposta, explicou, encontra-se na esperança da vida eterna anunciada por São Paulo.
“Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós”, recordou, acrescentando que quem vive unido a Cristo participa também da sua vitória.
O Bispo do Funchal desenvolveu depois uma reflexão sobre a relação entre o ser humano e toda a criação, sublinhando que São Paulo apresenta a natureza como alguém que “espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus”.
“A criação inteira espera que nós, seres humanos, vivamos verdadeiramente como filhos de Deus”, afirmou.
Segundo D. Nuno Brás, Deus criou todas as realidades para que o homem pudesse viver plenamente e encontrar a felicidade em Deus. “O ponto alto da criação somos nós. Deus criou tudo isto para podermos ser verdadeiramente felizes. E só somos verdadeiramente felizes quando reconhecemos Deus, lhe damos glória e vivemos como seus filhos.”
O prelado explicou ainda que a criação só encontra o seu verdadeiro sentido quando o ser humano corresponde ao projeto de Deus. “Somos nós que damos este sentido de existir ao mundo. O mundo inteiro aguarda que todos nós vivamos verdadeiramente como filhos de Deus.”
Evocando São Francisco de Assis, lembrou que o santo via toda a criação como um caminho para o louvor de Deus e não apenas como uma realidade a preservar. “A questão de São Francisco não era a ecologia. Era o louvor a Deus. Toda a criação conduz ao Criador quando o homem vive como verdadeiro filho de Deus.”
Na segunda parte da homilia, D. Nuno Brás apresentou Nossa Senhora como o modelo perfeito da humanidade reconciliada com Deus. “A Virgem Maria é precisamente aquela em quem se realiza plenamente aquilo que significa ser filha de Deus.”
Por isso, acrescentou, todos os cristãos são chamados a olhar para Maria como exemplo. “Cada um de nós aspira a ser como Ela. Olhamos para Nossa Senhora e queremos viver como Ela viveu.”
Referindo-se à imagem da Senhora da Piedade, destacou a ternura com que Maria acolhe Cristo descido da cruz, explicando que continua hoje a exercer essa mesma maternidade sobre todos os fiéis.
“Como Ela acolheu Jesus Cristo nos seus braços, também nos acolhe a nós quando sofremos, quando alguma coisa corre mal, quando precisamos de coragem para continuar.”
O bispo afirmou que Maria permanece ao lado dos cristãos, consolando-os e encorajando-os a recomeçar. “Ela diz-nos: levanta-te, caminha, converte-te, muda a tua maneira de viver.”
Na parte final da homilia, D. Nuno Brás recordou a fé das gerações anteriores de madeirenses, afirmando que foi precisamente essa confiança em Cristo e na proteção de Nossa Senhora que lhes permitiu enfrentar tantas dificuldades ao longo da história.
“Se não fosse Jesus Cristo, se não fosse a fé e esta devoção a Nossa Senhora, como teriam os nossos antepassados sido capazes de viver com tantos sofrimentos?”
Convidando todos os presentes a colocarem nas mãos da Virgem Maria as suas preocupações, deixou um apelo à confiança. “Deixa que Nossa Senhora te tome no regaço, cure as tuas feridas, enxugue as tuas lágrimas e cuide de ti.”
Antes de concluir, o Bispo do Funchal dirigiu uma oração especial pelas populações que atravessam momentos difíceis, recordando particularmente os madeirenses residentes na Venezuela. “Vamos encomendar nas mãos da Senhora da Piedade todos aqueles que sofrem, de modo muito particular os nossos irmãos da Venezuela e os madeirenses que ali vivem. Que Ela os ajude a atravessar estes momentos difíceis e nos ensine a todos a viver como verdadeiros filhos de Deus.”



































