Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny entrega diplomas a 34 novos enfermeiros

Foto: Duarte Gomes

A Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny celebrou, esta sexta-feira, a entrega de diplomas a 34 novos enfermeiros, numa cerimónia marcada pela emoção, pela gratidão e pela esperança no futuro de uma nova geração de profissionais de saúde.

As celebrações começaram com uma Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, que reuniu finalistas, famílias, docentes, colaboradores e diversas entidades. No início da celebração, o prelado deu graças pelos anos de formação agora concluídos e pediu a Deus que acompanhasse os novos enfermeiros no caminho que agora iniciam.

“Vamos dar graças a Deus por estes anos de estudo, por estes anos de trabalho, pelo caminho percorrido ao longo destes anos. Mas vamos pedir também ao Senhor que Ele nos ajude a viver sempre com Ele e a ser sempre na Sua presença”, afirmou.

Na homilia, D. Nuno Brás recorreu a uma imagem próxima da realidade dos jovens diplomados para explicar o lugar que a fé deve ocupar na vida de um cristão. Comparando-a ao funcionamento de um computador, afirmou que a fé não pode ser encarada como um ficheiro a que se recorre apenas quando surge uma dificuldade.

“Muitas vezes achamos que a fé é qualquer coisa que está escondida num documento do computador e que vamos buscar quando faz falta. Mas não é assim. A fé está bem longe de ser um simples documento. Nem sequer é um programa. A fé é o sistema operativo.”

O bispo explicou que, tal como um sistema operativo suporta todo o funcionamento de um computador, também a relação com Deus deve sustentar todas as dimensões da existência humana.

“Tudo aquilo que somos, tudo aquilo que dizemos, tudo aquilo que fazemos é realizado a partir deste sistema vital, que é a nossa relação com Deus. Não há nada daquilo que sejamos, sintamos ou façamos que possa ficar fora desta relação.”

Dirigindo-se diretamente aos novos enfermeiros, sublinhou que essa dimensão espiritual influencia profundamente a forma de cuidar dos outros.

“É muito diferente acompanhar um doente com fé ou sem fé. Completamente diferente”, afirmou, recordando que a missão de cuidar ultrapassa os conhecimentos científicos e técnicos.

Inspirando-se na primeira leitura, retirada do profeta Oseias, D. Nuno Brás falou da necessidade de uma permanente conversão, estabelecendo novamente uma analogia com o universo tecnológico.

“Tal como os sistemas operativos precisam de atualizações para corrigir erros, também nós precisamos de corrigir os erros aos quais tantas vezes nos habituamos. E não há nada pior do que habituarmo-nos ao erro, porque acabamos por o repetir sem nos darmos conta.”

Essa atualização constante da vida, explicou, chama-se conversão. “Converter significa abandonar aquilo que está errado para nos voltarmos para Deus. E essa conversão nunca está completamente feita. É sempre um caminhar novo, uma atitude para toda a vida.”

A segunda atitude proposta pelo bispo foi a confiança em Deus. Comentando o Evangelho proclamado na celebração, afirmou que o cristão não vive com a pretensão de controlar tudo, mas com a certeza de que Deus acompanha cada passo.

“Não é a atitude de quem acha que é dono do mundo ou vencedor de tudo. É a atitude de quem toma decisões, faz escolhas e caminha sabendo que o Senhor vai consigo.”

Foi precisamente essa confiança que D. Nuno Brás apresentou como essencial para o exercício da enfermagem, recordando que o enfermeiro é chamado a tornar presente o cuidado de Deus junto daqueles que sofrem. “Vocês vão ser, ao lado dos doentes, presença de Deus. E isto não é uma arrogância vossa. É a missão que o próprio Deus vos confia.”

Segundo o bispo, essa missão deve caminhar lado a lado com a excelência técnica que caracteriza a formação recebida na Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny.

“Essa missão acompanha todos os conhecimentos técnicos, todo o saber fazer e todo o saber ser um bom enfermeiro.”

D. Nuno Brás elogiou ainda a qualidade da instituição de ensino, sublinhando o reconhecimento alcançado ao longo dos anos. “São José de Cluny orgulha-se, e bem, de ser uma das melhores escolas de enfermagem da Europa.”

No entanto, acrescentou, a competência profissional só fica completa quando é acompanhada por uma sólida formação humana e espiritual. “É por isso que, juntamente com essa formação técnica, é tão importante a formação humana e a formação na fé. Como é que vocês vão ser presença de Deus se não tiverem consciência disso?”

No final da homilia, convidou toda a assembleia a rezar para que os novos enfermeiros mantenham, ao longo da vida, uma atitude permanente de conversão e confiança.

“Que o Senhor nos ajude a esta atitude constante de mudança e também a esta atitude de confiança n’Ele, sabendo que é Ele quem fala através das nossas palavras, atua através das nossas mãos e permanece sempre connosco.”

Esta celebração marcou o fim de um ciclo académico e o início de uma nova etapa profissional, marcada pelo compromisso de cuidar da vida, aliviar o sofrimento e colocar os conhecimentos adquiridos ao serviço da pessoa humana.