A Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura apresentou esta terça-feira, dia 7 de julho, no Convento de Santa Clara, as reedições atualizadas dos guias do Convento de Santa Clara, da Sé do Funchal e da Capela do Corpo Santo, publicações que pretendem dar a conhecer e valorizar três dos mais importantes monumentos religiosos da Região.
Na sessão, o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, sublinhou que a preservação do património tem sido uma prioridade do Governo Regional, lembrando o investimento realizado ao longo da última década na recuperação de vários edifícios religiosos.
“Importa recuperar, conservar e preservar, mas também instruir os diferentes públicos sobre a importância de cada um destes edifícios”, afirmou o governante, defendendo que a valorização do património não se faz apenas através das obras de conservação, mas também pela disponibilização de “informação digna, completa e sustentada pela investigação”.
Segundo Eduardo Jesus, as intervenções realizadas na Sé do Funchal e no Convento de Santa Clara permitiram aprofundar o conhecimento histórico e artístico destes monumentos, possibilitando a atualização dos conteúdos agora reunidos nas novas edições dos guias.
O secretário regional considerou ainda que esta coleção poderá constituir um importante ponto de partida para a criação de roteiros dedicados ao património religioso da Madeira, permitindo que residentes e visitantes conheçam melhor a história da ilha através dos seus templos e monumentos. “É uma forma de dar a conhecer o nosso património, enriquecer o nosso conhecimento e instruir os públicos”, afirmou.
Eduardo Jesus deixou igualmente uma palavra de reconhecimento à Direção Regional da Cultura pelo trabalho de investigação, revisão e edição desenvolvido internamente, destacando o rigor científico que esteve na preparação destas publicações.
Compreender a história
Também presente na apresentação, o bispo do Funchal, D. Nuno Brás, destacou ao Jornal da Madeira a importância destes guias para a Diocese e para todos aqueles que visitam o património religioso da Madeira.
“O facto de haver um guia que ajude à leitura desse património é essencial”, afirmou, explicando que grande parte da riqueza patrimonial madeirense está ligada à Igreja. “A história da Madeira desenvolve-se com a Igreja. Grande parte do património que nós temos é património religioso”, sublinhou.
O prelado observou que muitos visitantes apreciam a beleza dos monumentos, mas desconhecem o seu verdadeiro significado. “Se não houver estas chaves de leitura, as pessoas visitam, gostam ou não gostam, mas ficam apenas por esse nível. Ser capaz de indicar para que serve cada espaço, o que representa e qual a sua função é essencial”, referiu.
Para D. Nuno Brás, compreender este património é também compreender a própria história da Madeira. “A Madeira, nos seus quatro cantos, desenvolveu-se à volta das igrejas. A história da Madeira conta-se um bocadinho em cada sítio onde existe uma capela ou uma igreja”, afirmou, acrescentando que a diversidade e riqueza destes espaços revelam igualmente a evolução das diferentes comunidades da ilha.
O bispo chamou ainda a atenção para o facto de a Madeira possuir um património religioso muito significativo, apesar da reduzida dimensão e dos limitados recursos da Região ao longo da sua história. “É interessante como uma ilha tão pequena e tão pobre tem tanto património”, observou.
Nestas declarações ao jornal, D. Nuno Brás recordou ainda que muitas das obras de arte existentes nas igrejas resultaram da generosidade de particulares que colocavam os seus bens ao serviço da comunidade. “As pessoas mais ricas investiam no património para o serviço de todos. Todos podiam olhar para a sua igreja e dizer: ‘Que bonita é a minha igreja’, mesmo que fossem os mais pobres dos pobres”, afirmou.
Segundo o bispo, esta visão comunitária do património contrasta com a realidade atual, em que muitas obras de arte pertencem a coleções privadas e deixam de estar acessíveis ao público. Por isso, considera que iniciativas como a publicação destes guias ajudam não apenas a preservar a memória, mas também a transmitir às novas gerações o significado histórico, artístico e espiritual dos monumentos que marcaram a construção da identidade madeirense.
As novas edições dos guias do Convento de Santa Clara, da Sé do Funchal e da Capela do Corpo Santo passam agora a estar disponíveis como instrumentos de apoio à visita e ao conhecimento destes espaços, reforçando o trabalho de valorização do património religioso desenvolvido na Região.






















