Futebol

D.R.

Como era de esperar, a Comunicação Social tem-nos bombardeado nestas semanas com o Mundial de Futebol. Até parece que, no mundo inteiro, não sucede nada de mais importante que mereça ser notícia… Mas hoje não quero falar dos critérios da Comunicação Social que marcam a nossa agenda. Hoje quero falar do futebol.

Sabemos que a prática do movimento, a prática do desporto, pode ser muito importante para a saúde. Mas também sabemos que, ao contrário, o desporto profissional leva o corpo humano a níveis de competição para os quais não se encontra preparado: exige que toda a energia, física e psicológica, mental, se foque apenas na realidade competitiva, na ultrapassagem constante de metas, esquecendo praticamente o resto da vida.

Claro que existe uma vontade inata de nos ultrapassarmos constantemente, de conseguirmos o célebre “mais alto, mais rápido, mais forte”: nós, seres humanos, seremos sempre descontentes com as metas que atingimos. Mas o futebol é outra coisa, muito mais que um desporto: é uma indústria de espectáculo, com jogadores comprados e vendidos, os rituais, os estádios, as multidões, as emoções e as desilusões dos jogos e dos golos, as táticas, “a fome de vencer”, juntamente com todo o dinheiro envolvido…

Há aqui, certamente, qualquer coisa de humano que se expressa — qualquer coisa de Babel — mas (também) qualquer coisa que se aproxima da possibilidade de “tocar o céu”, talvez enganadora quando se resume à vitória duma partida ou de um campeonato, mas que nos indica porque vivemos para quem somos!