Os evangelhos dizem que Jesus falou várias vezes para multidões, sobretudo no início do seu ministério. E dizem, igualmente, que, de entre esse grande número, se destacava o grupo dos discípulos (não sabemos ao certo quantos eram, mas sabemos que, de entre eles, o Senhor escolheu 72 para enviar a preparar o seu caminho): eram homens e mulheres, de todas as classes e grupos sociais, que seguiam atrás de Jesus, acompanhando-o dia e noite.
Mas os relatos destacam também, de entre os discípulos, o grupo dos Doze, com Pedro à cabeça. A sua missão era a de estar mais próximos do Senhor e, depois da ressurreição, de serem enviados pelo mundo. Para além do anúncio do Evangelho e da missão de fundar comunidades de cristãos, tinham também a tarefa de serem aqueles que tornavam sacramentalmente presente a Jesus ressuscitado, e com quem os demais haviam de confrontar a própria fé.
É assim, por vontade de Jesus, que surge a Igreja: uma Igreja católica — quer dizer, portadora do universo das realidades necessárias à salvação (vida testemunhada, recebida e transmitida desde os Apóstolos, de Jesus até aos nossos dias; Sagrada Escritura; sacramentos; doutrina…), e que se encontra espalhada pelo mundo inteiro.
Pedro, o grupo do Apóstolos e os seus sucessores são pois os garantes de que a barca de Jesus continua a navegar, a conduzir a humanidade até Deus, em todos os tempos, apesar dos pecados e insuficiências de todos (tal como sucedeu já no tempo de Jesus).
É este admirável “Corpo de Cristo”, como lhe chamou Paulo, o Apóstolo dos não judeus, que (hoje como no início) partilha as alegrias e sofrimentos do mundo inteiro: das alegrias pelas grandes descobertas científicas e pelos progressos humanos, aos sofrimentos provocados pelas guerras e pelos desastres naturais. É ele que se alegra quando muitos se juntam ao número dos discípulos (dizem as estatísticas que, em 2024, os católicos eram, no mundo, 1,406 milhões e que, em 2025, eram 1,422 milhões) mas que sofre quando alguns dele estranhamente se afastam.


















