O bispo do Funchal presidiu este domingo, dia 14 de junho, à celebração da Solenidade do Santíssimo Sacramento na Paróquia de Santo António, onde destacou a Eucaristia como o alimento que transforma a vida dos cristãos e os une a Cristo e aos irmãos.
No início da celebração, D. Nuno Brás convidou a comunidade a viver aquele momento como uma verdadeira ação de louvor a Deus, recordando o sentido profundo da presença de Jesus na Eucaristia.
“Queremos verdadeiramente louvar o Senhor. Louvá-lo porque Ele se fez o nosso alimento”, afirmou o prelado, dirigindo uma saudação à comunidade de Santo António, ao pároco Pe. André, à Junta de Freguesia e à Confraria do Santíssimo Sacramento.
“Que esta seja verdadeiramente uma celebração de louvor do Senhor. Agradeçamos-Lhe porque Ele se faz nosso alimento, porque Ele se faz nosso, porque Ele se quer fazer nosso”, acrescentou.
Na homilia, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão no Evangelho, a partir das palavras de Jesus: “Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram e morreram. Quem comer deste pão viverá eternamente.”
O bispo do Funchal explicou que Jesus apresenta aos seus discípulos um alimento diferente de todos os outros, porque não se trata apenas de algo que sustenta o corpo, mas de uma presença que conduz à vida eterna.
“Aos seus discípulos, Jesus promete um alimento, um pão. Um pão que é Ele mesmo e um pão que os conduz à vida eterna”, afirmou.
D. Nuno Brás recordou o caminho do povo de Israel pelo deserto, quando Deus ofereceu o maná como alimento. “Quando o povo de Israel saiu do Egito, começou a comer um pão vindo do céu, o maná. Um alimento vindo do céu para que o povo pudesse alimentar-se e caminhar no deserto até à terra prometida.”
Contudo, explicou, esse alimento tinha um limite: “Chegados à terra prometida, o maná deixou de cair. Já se podiam alimentar dos outros produtos da terra. Comeram e morreram.”
Em contraste, destacou o valor da Eucaristia: “Mas aquele que se alimenta de Jesus Cristo, esse viverá para sempre. Esta é a promessa que o Senhor faz aos seus.”
Segundo o bispo, a Eucaristia ultrapassa todos os outros alimentos, porque é a presença do próprio Cristo. “O pão que é a Eucaristia, o corpo do Senhor, o sangue do Senhor, são muito maiores, infinitamente maiores, que o maná.”
“O maná foi capaz de conduzir o povo de Israel à terra prometida, mas a Eucaristia conduz-nos ao céu, conduz-nos a Deus”, afirmou.
O prelado explicou depois que receber a Eucaristia não é apenas um ato exterior, mas uma experiência que deve transformar profundamente quem a recebe. Para isso, recorreu a um exemplo do quotidiano.
“É fácil perceber quando somos gulosos e comemos muitos doces. Facilmente depois nos tornamos diabéticos. Ou quando comemos muitos alimentos com colesterol, facilmente depois vamos precisar de cuidados”, disse.
Mas, questionou, “aquele que se alimenta da Eucaristia, aquele que se alimenta da carne e do sangue de Jesus, desta presença real do Senhor Jesus, em que é que se transforma?” A resposta, afirmou, está no próprio encontro com Cristo: “Aquele que se alimenta da Eucaristia, que é Jesus, transforma-se em Jesus.”
Para o bispo do Funchal, essa transformação acontece quando o cristão se deixa tocar interiormente por Cristo. “Se verdadeiramente comunga o corpo e o sangue do Senhor, quer dizer, se se deixa transformar interiormente por esta presença de Jesus.”
“Não é uma presença simplesmente ao lado, como a nossa presença uns aos outros. É uma presença interior que transforma o nosso coração, que transforma o nosso pensamento, que transforma a nossa maneira de agir”, explicou.
D. Nuno Brás afirmou que a Eucaristia oferece ao cristão uma nova forma de olhar para a realidade e para os outros. “Esta presença de Jesus Cristo em nós transforma-nos em Cristo. Vai-nos dando a maneira de pensar de Jesus, vai-nos dando a maneira de olhar de Jesus.”
E destacou a diferença entre o olhar humano e o olhar de Cristo: “Nós estamos habituados a olhar o outro de cima para baixo, a olhar o outro como alguém que está ali para julgar. O modo de olhar de Jesus é tão diferente.”
“O modo de olhar de Jesus é de acolhimento. É de alguém que se humilha, que se abaixa, que dá força e levanta aquele que está a cair”, afirmou.
A partir desta ideia, o bispo do Funchal sublinhou que a Eucaristia deve gerar uma nova atitude na vida dos cristãos. “Quando julgamos o Senhor, ganhamos um outro modo de olhar, um outro modo de pensar. Ganhamos uma nova atitude diante do mundo, diante dos outros e diante de nós mesmos.”
D. Nuno Brás lembrou ainda que a vida cristã é um caminho, uma peregrinação em direção ao encontro definitivo com Deus. “Verdadeiramente, a Eucaristia transforma-nos. Transforma-nos em Cristo. E por isso a peregrinação que é a nossa vida é verdadeiramente uma peregrinação”, afirmou.
“Vamos caminhando até ao encontro definitivo com o Senhor. E para não nos desviarmos neste caminho, para termos força para caminhar até ao Senhor, precisamos deste alimento que é a Eucaristia”, acrescentou.
Neste contexto, o bispo deixou também uma palavra sobre a importância de continuar a participar na vida sacramental depois da Primeira Comunhão. “Como se enganam aqueles que acham que, tirando a primeira comunhão, já está tudo feito e depois logo se vê”, afirmou.
“Que pena. Perderam o alimento, abandonaram o alimento de vida eterna. São boas pessoas, gente honesta, gente que quer o bem dos outros, mas abandonou o alimento de vida eterna”, disse.
Para D. Nuno Brás, a Eucaristia é uma necessidade permanente para a caminhada cristã. “Verdadeiramente a Eucaristia une-nos a Jesus cada vez mais. Precisamos deste alimento de vida eterna.”
Na segunda parte da homilia, o bispo diocesano refletiu sobre a dimensão comunitária da Eucaristia, recordando as palavras de São Paulo: “Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão.”
A partir desta imagem, afirmou: “São Paulo diz-nos: assim somos nós. Formamos um só corpo em Cristo. Somos como os grãos de farinha de um pão que, unidos pelo Espírito Santo, formam um só corpo.”
Segundo o prelado, esta união tem consequências concretas na relação entre as pessoas. “Estamos unidos uns aos outros, unidos a Jesus, unidos uns aos outros, de tal forma que a alegria do irmão é a minha alegria e o sofrimento do irmão é o meu sofrimento.”
“Aquilo que tenho está ao serviço do outro. As minhas capacidades são também capacidades colocadas ao serviço dos irmãos”, afirmou.
A concluir, D. Nuno Brás destacou que a Eucaristia aponta para uma nova forma de construir o mundo. “Na Eucaristia, unidos a Jesus, caminhamos em direção à vida eterna. Na Eucaristia, unidos a Jesus, estamos unidos aos irmãos. Na Eucaristia, unidos a Jesus, somos fermento de um mundo novo.”
O bispo do Funchal terminou dando graças pela presença de Cristo na Eucaristia, “esta maravilhosa presença que Ele inventou para continuar no meio de nós e nos dar a vida.”
No final da eucaristia seguiu-se a procissão que percorreu algumas das ruas da paróquia.








































