Dois adultos recebem sacramentos de iniciação cristã na Sé do Funchal

Foto: Duarte GomesFoto: Duarte Gomes

Dois adultos receberam, na tarde deste sábado, dia 13 de junho, os sacramentos da iniciação cristã, durante uma Eucaristia celebrada na Sé do Funchal e presidida pelo bispo diocesano, D. Nuno Brás.

Na celebração, os dois catecúmenos receberam o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, entrando assim plenamente na vida da Igreja. A comunidade diocesana acompanhou este momento marcado pela passagem a uma nova etapa de fé, num caminho de acolhimento da vida de Deus.

Na homilia, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão no mistério da vida e no amor de Deus revelado em Jesus Cristo, partindo da segunda leitura proclamada. O bispo do Funchal começou por interrogar os presentes sobre a capacidade humana de oferecer a própria vida: “Até que ponto é que nós verdadeiramente podemos dar a vida? Até que ponto é que nós podemos dar a vida aos outros?”

Recordando que os pais transmitem a vida, explicou que isso acontece sempre a partir de uma vida já recebida. “Os pais dão a vida, mas dão a vida a partir da vida que eles próprios já receberam”, afirmou, destacando o mistério que permanece no próprio ato de existir.

D. Nuno Brás referiu ainda que, apesar dos avanços da ciência, a criação da vida continua a ser um limite para o ser humano. “Conhecemos o que é necessário, quais são as coisas necessárias para a vida. Os cientistas experimentaram, gastaram milhões a tentar fabricar vida e não conseguiram”, disse.

“Pura e simplesmente não conseguiram. Muito menos vida humana, mas nem sequer vida vegetal”, acrescentou, explicando que “de vida somos capazes de fazer vida, mas do zero não somos capazes de fazer vida”.

A reflexão levou depois à dimensão espiritual da existência humana. O prelado sublinhou que a vida humana não se reduz ao que é visível ou biológico, porque o coração do homem procura algo maior. “A nós, seres humanos, não nos basta esta vida. Nós queremos sempre mais. Nós só nos saciamos com a vida eterna”, afirmou.

D. Nuno Brás recordou, neste contexto, o exemplo de São Maximiliano Maria Kolbe, frade franciscano polaco que, em Auschwitz, entregou a sua vida para salvar outro prisioneiro, Francisco Gajowniczek.

“Porque tinha havido uma fuga de prisioneiros e os alemães escolheram uma série de prisioneiros para serem mortos. E este Francisco era pai de família e, portanto, aquele frade franciscano disse: tu tens família, eu não tenho, deixa-me ir em teu lugar”, contou.

Para o bispo do Funchal, este gesto mostra a força de uma vida oferecida pelos outros, mas também aponta para a entrega maior de Cristo. “São Maximiliano Maria Kolbe deu a sua vida por ele”, afirmou, lembrando que essa entrega revela uma dimensão profunda do amor.

A partir desta imagem, D. Nuno Brás conduziu a reflexão para o centro da fé cristã, citando São Paulo: “Deus prova assim o seu amor para connosco. Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores”.

“Quer dizer, Deus ama-nos tanto, ama-te tanto, que não hesitou em experimentar a tua morte para te dar a sua vida”, afirmou, acrescentando que esta é “a maravilha da fé cristã”.

“Tocamos aqui o centro, não é apenas o centro da fé cristã, é o centro da existência humana”, disse o bispo, reforçando que a relação entre Deus e o homem nasce precisamente deste amor oferecido gratuitamente.

“Deus, que nos dá a sua vida. Deus, que sofre a nossa morte, para nos dar a sua vida. Maravilha”, afirmou D. Nuno Brás.

Na parte final da homilia, o bispo destacou que a vida cristã ultrapassa uma simples atitude moral ou a procura de ser uma pessoa correta. “Não vivemos uma vida vegetal, porque não vivemos sequer uma simples vida de pessoas boas, honestas. Que bom que é sermos pessoas boas, honestas. Claro que sim, mas vivemos a vida de Deus”, afirmou.

Segundo D. Nuno Brás, essa é a grande novidade trazida pelo Batismo e pela vida cristã: “Em nós não corre simplesmente o sangue. Em nós está presente o Espírito Santo. O Espírito de Deus, a dar-nos vida e vida eterna”.

Referindo-se aos dois adultos que receberam os sacramentos, o prelado afirmou que aquela celebração tornava visível uma realidade essencial da fé: “É esta realidade que nós vamos presenciar hoje aqui de uma forma tão clara, com estes nossos irmãos que vão ser batizados, crismados e receberem o Cristo”.

D. Nuno Brás convidou toda a comunidade a acompanhar este caminho de fé, pedindo ao Senhor que todos saibam acolher o dom recebido. “Acompanhá-los neste passo decisivo de viverem e acolherem a vida que Deus nos quer dar”, afirmou.

No final da celebração, D. Nuno Brás deixou um apelo a que toda a comunidade saiba corresponder ao dom recebido de Deus e viva de acordo com a vida nova que nasce da fé. “Pedimos ao Senhor para todos nós que esta vida que nós vivemos, vivamos dignos dela”, afirmou. O bispo do Funchal convidou ainda os fiéis a transformarem em gestos concretos o amor que receberam: “Este amor que o Senhor nos dá, sejamos capazes de o confirmar verdadeiramente com amor”.