Estabelecimento Prisional do Funchal: D. Nuno celebrou Eucaristia lembrando que “o bem dá frutos e multiplica-se”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, presidiu esta terça-feira, 9 de junho, a uma Eucaristia no Estabelecimento Prisional do Funchal, numa celebração marcada por uma mensagem de esperança, responsabilidade e confiança na força transformadora do bem.

No início da celebração, D. Nuno Brás saudou os presentes, dirigindo uma palavra especial ao capelão, Pe. Alberto Fernandes, à direção do estabelecimento, aos guardas prisionais e a todos os reclusos que participaram na Eucaristia. Convidando a assembleia a colocar-se diante de Deus, recordou que a celebração da Eucaristia é, antes de mais, um encontro com “Deus que nos acolhe” e com “Deus que nos perdoa”, apelando ao reconhecimento humilde das próprias fragilidades e à confiança na misericórdia divina.

Na homilia, partindo do Evangelho do dia, o prelado sublinhou que Jesus confia a cada pessoa uma missão concreta, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. “Vós sois a luz do mundo” e “vós sois o sal da terra”, recordou, explicando que estas palavras não foram dirigidas a pessoas extraordinárias ou afastadas da realidade, mas àqueles que estavam diante de Jesus.

“Jesus não dá esta missão a pessoas fora deste mundo. Jesus dá esta missão às pessoas que tem diante dEle”, afirmou. Por isso, acrescentou, “este Evangelho é para ti e aqui estás. Tu és a luz do mundo. Tu és o sal da terra”, numa interpelação direta aos reclusos presentes na celebração.

Perante a pergunta sobre como alguém pode ser luz vivendo num estabelecimento prisional, D. Nuno respondeu que essa missão começa precisamente no lugar onde cada um se encontra. “Como é que eu posso ser a luz do mundo vivendo num estabelecimento prisional? Bem, em primeiro lugar, dentro do estabelecimento prisional, claro”, afirmou, acrescentando logo depois: “Não te preocupes que o Senhor te faz ser luz”.

Ao longo da reflexão, o bispo insistiu que o bem nunca é inútil nem estéril. “Aquilo que o Senhor hoje nos diz na Palavra de Deus é isto: ser bom dá bom resultado”, afirmou. E prosseguiu: “Ser bom é qualquer coisa que se multiplica. Ser bom é qualquer coisa que faz viver. Preocupar-se com o outro é qualquer coisa que faz o mundo melhor.”

Segundo explicou, esta realidade verifica-se em qualquer contexto humano, mesmo nos ambientes mais marcados pelo sofrimento, pela limitação ou pela incerteza. “Mesmo dentro do estabelecimento prisional”, frisou, observando que muitas vezes os pequenos gestos de bondade parecem insignificantes, mas possuem uma força transformadora muito maior do que aquilo que se imagina.

Recorrendo a uma imagem simples, D. Nuno Brás comparou as boas ações e a oração aos pequenos apoios que sustentam um banco. “Pode parecer nada, mas o facto é que é ela que aguenta o mundo”, disse, referindo-se à capacidade que o bem tem de sustentar as relações humanas, gerar esperança e abrir caminhos de renovação.

O prelado evocou depois o episódio bíblico da viúva de Sarepta para mostrar que o bem gera sempre frutos. Recordando a mulher que, apesar da extrema pobreza, decidiu partilhar o pouco que possuía com o profeta Elias, salientou que a sua confiança foi recompensada. “Foi uma mulher que fez o bem”, afirmou. E acrescentou: “Nunca faltou farinha, nem azeite, nem nada para fazer pão.”

Para o bispo do Funchal, esta passagem continua a ser atual porque revela uma verdade essencial da vida cristã. “O bem dá frutos. O bem faz bem”, sintetizou. E explicou que ser “sal da terra” e “luz do mundo” significa precisamente viver esta lógica de generosidade, confiança e entrega ao próximo.

D. Nuno Brás destacou ainda que a sociedade atual tende frequentemente a valorizar a esperteza, o interesse próprio e a vantagem imediata. No entanto, observou, o Evangelho aponta numa direção diferente. “É preciso ter coragem”, afirmou. “Neste mundo onde parece que o mal é que ganha, o Senhor propõe-nos uma outra lógica.”

Essa lógica, explicou, passa por colocar os outros no centro das preocupações e por cultivar uma atitude de verdadeira fraternidade. “Vamos pedir ao Senhor que Ele nos ajude a olhar para o bem dos outros, a procurar o bem do próximo antes de procurarmos os nossos interesses”, exortou.

Num dos momentos mais significativos da homilia, o bispo convidou os presentes a refletirem sobre a necessidade de crescimento humano e espiritual. “Vamos pedir ao Senhor que Ele nos torne adultos, pessoas melhores”, afirmou. E concretizou: “Adultos significa também educados, pessoas melhores, capazes de ser menos egoístas e de olhar primeiro para os outros.”

Segundo referiu, a maturidade cristã manifesta-se precisamente na capacidade de assumir responsabilidades e de contribuir positivamente para a vida dos outros, independentemente das circunstâncias pessoais. “Que Ele nos ajude a desempenhar esta responsabilidade que coloca diante de nós”, pediu.

Concluindo a sua reflexão, D. Nuno Brás voltou à mensagem central do Evangelho proclamado. “Vós sois a luz do mundo. Vós sois o sal da terra”, repetiu, lembrando que esta é uma vocação dirigida a todos os discípulos de Cristo.

O bispo encerrou a homilia com um apelo à confiança na fecundidade do bem e na ação de Deus na vida de cada pessoa. “Que Ele nos ajude a ser assim, a viver assim, sabendo que verdadeiramente o bem dá frutos e multiplica-se”, afirmou, deixando uma mensagem de esperança aos reclusos e a todos os que participaram nesta celebração no Estabelecimento Prisional do Funchal.