Travar a desumanização

D.R.

Ao receber a Fundação “Centesimus Annus”, no passado dia 30 de Maio, o Papa Leão XIV pronunciou palavras essenciais para compreender e viver neste nosso mundo contemporâneo. Ele é, antes de mais, e no dizer do Santo Padre, “uma época marcada por guerras e crescente polarização, bem como por divisões culturais e sociais”.

Ao colocar as questões fundamentais (“Para onde vamos? Para que meta desejamos orientar-nos? Que direção escolher enquanto comunidade humana e enquanto povos?”), diz ainda o Papa, damo-nos conta de que, a nós seres humanos, não nos basta o efémero; damo-nos conta de que procuramos a verdade, temos sede de Deus e de um sentido para a nossa vida.

E o Papa acrescentava: “O que aqui descobrimos são as duas “cidades” descritas por Santo Agostinho, que continuam a caracterizar não só o coração humano, como também as civilizações que criámos: a Cidade do Homem, construída sobre o orgulho e o amor-próprio, e que se caracteriza pelo individualismo egoísta; e a Cidade de Deus, construída sobre o amor a Deus até ao altruísmo e ao cultivo das relações, e que verdadeiramente torna possível edificar uma civilização do amor”. 

E terminava Leão XIV: “Longe de nos entregarmos ao desespero, somos chamados a fazer a nossa parte, lembrando que a civilização do amor não nasce dum gesto único e espetacular, mas duma soma de pequenas e tenazes fidelidades, que travam a desumanização”.