O Papa Leão XIV recebeu esta segunda-feira, 1 de junho, na Aula Paulo VI, a Associação Italiana de Guias e Escuteiros da Europa Católicos, por ocasião dos 50 anos da instituição, apresentando o escutismo como uma escola concreta de crescimento humano e cristão.
Na sua intervenção, Leão XIV partiu do lema escolhido para o aniversário, “Se Deus quiser, para sempre!”, e ligou a celebração ao Pentecostes, pedindo que o dom do Espírito Santo renove a missão dos escuteiros. O Papa recordou que a fé não se transmite apenas por palavras, mas também por gestos, escolhas e testemunho quotidiano, valorizando o papel dos chefes escutistas na formação de crianças e jovens.
O Papa destacou que, ao longo de cinco décadas, a associação consolidou um estilo educativo próprio, inspirado nos instrumentos elaborados segundo a intuição de Baden-Powell, fundador do movimento escutista. Através desse método, afirmou, os escuteiros acompanham rapazes e raparigas ao encontro com Jesus, apresentado como “Mestre de vida boa, Amigo fiel, Guia justa e forte para o nosso caminho”.
Leão XIV destacou ainda a importância da vida ao ar livre e do contacto com a criação, afirmando que a natureza fala da bondade de Deus. No entanto, o “livro da natureza” deve caminhar unido à Palavra de Deus, que ilumina o percurso humano e ajuda a enfrentar as dificuldades da vida.
Sublinhou também que o Evangelho é “muito mais do que um livro”, porque é a própria pessoa de Cristo, capaz de responder à sede de justiça, verdade e sentido. Aos chefes escutistas, pediu coerência, maturidade e capacidade de acompanhar os jovens no discernimento da sua vocação, na oração, nos sacramentos e na vida comunitária.
Leão XIV referiu ainda o papel dos sacerdotes assistentes, considerando-os garantia da ligação entre a Igreja e a associação. Segundo o Papa, estes padres vivem o ministério sacerdotal ao serviço dos jovens e da ação educativa dos chefes, partilhando com eles a responsabilidade pelo crescimento humano e espiritual das novas gerações.
Outro ponto central da intervenção foi o serviço. Leão XIV afirmou que servir significa colocar as próprias capacidades e o próprio tempo ao serviço dos outros, “em plena gratuitidade, sem esperar nada em troca”. O Papa sublinhou que, vivido na fé, o serviço liberta da indiferença e do fechamento em si mesmo, abrindo à experiência da comunidade e ao sentido da responsabilidade.
O Papa valorizou também a dimensão europeia do movimento, defendendo a construção de uma “Europa dos povos, não apenas dos negócios”, unida pelos valores do humanismo cristão. Esta referência surge num momento em que a Europa continua a ser chamada a reforçar caminhos de paz, solidariedade e atenção aos mais frágeis.
No final, Leão XIV encorajou os escuteiros e guias a prosseguirem a sua missão com alegria e empenho, pedindo que saibam difundir “a linguagem da caridade, do acolhimento e da paz”.




















