A terminar o mês de maio as Equipas de Nossa Senhora da Madeira realizaram, no sábado, dia 30, a sua habitual peregrinação ao Santuário de Fátima, no Cabo Girão.
Este ano, a iniciativa teve como principal intenção a oração pela paz no mundo, numa altura em que vários conflitos armados continuam a marcar a atualidade internacional e a provocar sofrimento a milhares de pessoas.
A peregrinação reuniu casais e famílias ligados a este movimento de espiritualidade conjugal, que se deslocaram ao santuário mariano para um momento de oração, reflexão e renovação da fé.
A jornada começou com a recitação do Rosário, associando-se ao apelo da Igreja universal para que o mês de maio termine sob o signo da oração pela paz, e prosseguiu com a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo do Funchal.
Logo no início da celebração, D. Nuno Brás enquadrou o encontro no contexto da solenidade da Santíssima Trindade, destacando a centralidade do amor de Deus na vida cristã e na missão das famílias.
“Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, começou por saudar a assembleia, sublinhando depois a ideia de um Deus que conduz continuamente o ser humano para mais longe. “O amor que nos sacia, Deus Pai, Filho e Espírito Santo, amor que nos sacia com a fome da verdade”, afirmou.
Numa reflexão que retomou uma ideia desenvolvida em várias celebrações deste fim de semana, o bispo explicou que Deus não elimina a busca humana pela verdade, mas alimenta-a e fortalece-a. “Deus sacia-nos com a fome da verdade”, disse. “Quero dizer, Deus que é amor e que nos alimenta com esta fome. Quero dizer que nos alimenta sempre com esta vontade de ir mais longe, de chegar até Ele.”
Segundo o prelado, a experiência da fé não conduz à acomodação nem à autossuficiência, mas desperta no coração dos cristãos um desejo permanente de aprofundar a relação com Deus. “Santíssima Trindade, Deus que é amor”, repetiu, apresentando o mistério trinitário como a fonte de toda a vida cristã e da própria vocação das famílias.
A celebração ficou igualmente marcada pela preocupação com a situação internacional e pelos diversos cenários de guerra que continuam a ameaçar populações inteiras. Nesse contexto, o bispo recordou a intenção que reuniu os peregrinos naquele santuário mariano.
“Estamos unidos ao Santo Padre nesta oração do Rosário pela paz”, afirmou. “Pela paz tão ameaçada neste nosso mundo.”
As palavras do prelado refletiram uma preocupação que tem sido repetidamente manifestada pelo Papa e por diversas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo. A oração pela paz esteve no centro da peregrinação e marcou quer a recitação do Rosário quer a celebração eucarística.
Dirigindo-se aos membros das Equipas de Nossa Senhora, D. Nuno Brás agradeceu o testemunho de fé e de compromisso vivido por este movimento que, desde há décadas, acompanha a espiritualidade de muitos casais e famílias.
“Pedimos ao Senhor também pelas Equipas de Nossa Senhora”, disse. “Pelas várias equipas de Nossa Senhora na nossa diocese, na nossa região, mas também no país e no mundo.”
Ao alargar o horizonte da oração para além da realidade local, o prelado recordou particularmente os membros do movimento que vivem em zonas afetadas pela instabilidade e pela guerra. De forma especial, evocou a realidade do Líbano, país onde as Equipas de Nossa Senhora possuem uma forte implantação e uma longa tradição de presença e dinamismo.
“Recordo as equipas do Líbano, onde as Equipas de Nossa Senhora estão tão implantadas”, afirmou. “As equipas do Líbano que certamente vivem estes momentos de aflição da guerra.”
As palavras foram acolhidas pelos peregrinos como um convite à solidariedade espiritual com aqueles que enfrentam diariamente as consequências dos conflitos armados, das tensões políticas e da insegurança social.
Ao longo da celebração, esteve presente a convicção de que a oração continua a ser um caminho concreto para pedir a Deus o dom da paz e para fortalecer a esperança num mundo mais reconciliado. A escolha do Santuário de Fátima do Cabo Girão para esta intenção assumiu também um significado particular, numa altura em que a mensagem de Fátima continua a ser associada ao apelo à conversão, à oração e à construção da paz.
A peregrinação anual das Equipas de Nossa Senhora constitui um dos momentos mais significativos da vida do movimento na Diocese do Funchal. Para além da dimensão espiritual, representa uma oportunidade de encontro entre os vários setores e equipas, reforçando os laços de comunhão entre casais que procuram viver a vocação matrimonial à luz do Evangelho.
Fundadas em França pelo padre Henri Caffarel, as Equipas de Nossa Senhora estão presentes em dezenas de países e propõem aos casais um caminho de espiritualidade centrado na oração, no diálogo conjugal, na partilha de vida e no aprofundamento da fé. Na Madeira, o movimento tem uma presença consolidada e continua a reunir numerosos casais empenhados em viver o matrimónio cristão de forma ativa e comprometida.
A peregrinação deste ano ficou marcada por esse duplo olhar: por um lado, a contemplação do mistério da Santíssima Trindade, apresentado pelo bispo como expressão perfeita do amor de Deus; por outro, a preocupação com um mundo marcado por divisões, guerras e sofrimento, que exige dos cristãos uma renovada capacidade de oração e de compromisso com a paz.
Ao terminar o mês de maio diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, os participantes confiaram à proteção de Maria as suas famílias, as Equipas de Nossa Senhora espalhadas pelo mundo e todos os povos atingidos pela violência.
A celebração concluiu-se num ambiente de recolhimento e esperança, marcado pela certeza expressa pelo bispo do Funchal de que Deus continua a alimentar os seus filhos “com a fome da verdade” e com o desejo permanente de caminhar ao seu encontro. Uma mensagem que encontrou eco junto dos peregrinos reunidos no Cabo Girão, unidos em oração pela paz e pela construção de um mundo mais fraterno.































