O bispo do Funchal administrou no último fim de semana o Sacramento da Confirmação a 117 jovens em duas comunidades paroquiais da diocese. No sábado esteve na paróquia de São Martinho, onde crismou 36 jovens, e no domingo presidiu à celebração na paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Salesianos), onde receberam o sacramento 81 jovens.
Nas homilias, marcadas pela solenidade da Santíssima Trindade, o prelado centrou a sua reflexão na identidade de Deus como amor e no desafio lançado aos cristãos para viverem e testemunharem esse amor no quotidiano.
Em São Martinho, começou por refletir sobre os contrastes que marcam a experiência humana, como a luz e a escuridão ou o bem e o mal, para sublinhar que o mal não possui existência própria, sendo antes a ausência do bem. “O que existe é o bem, o mal é a ausência do bem”, afirmou, acrescentando que a festa da Santíssima Trindade recorda precisamente que “Deus não apenas tem amor, mas Deus é amor”.
D. Nuno Brás convidou os jovens a reconhecerem a presença desse amor em toda a criação. Referindo-se à beleza de uma flor, ao canto dos pássaros ou às paisagens da natureza, explicou que tudo isso “fala do amor de Deus”. Da mesma forma, disse aos crismandos que os afetos humanos encontram a sua origem nesse mesmo amor divino.
Alertando para o risco de confundir amor com egoísmo, recordou que “muitas vezes acontece que aquilo a que nós chamamos amor, amor não é, é egoísmo, ausência de amor”. Por isso, insistiu que a vocação cristã consiste em acolher e transmitir o amor de Deus no meio do mundo.
O prelado sublinhou ainda que Deus ama todas as pessoas, mesmo aquelas que erram ou se afastam do bem. “Deus não sabe fazer outra coisa senão amar”, afirmou, explicando que o amor divino é sempre um convite à conversão e à mudança de vida. “Deus ama-te sempre, mesmo quando fazes os maiores disparates deste mundo, mas convida-te sempre a deixares o mal e a viveres no seu amor.”
Referindo-se ao Espírito Santo que os jovens recebiam na Confirmação, explicou que este os introduz na própria vida de Deus e os torna participantes do seu amor. Daí nasce, disse, uma missão exigente: “Ser esta presença do amor de Deus sempre, onde quer que estejas, sem ceder ao ódio, sem ceder à vingança.”
Na celebração dos Salesianos, o bispo do Funchal retomou a mesma temática, partindo da pergunta sobre a identidade de Jesus Cristo e do mistério da Santíssima Trindade. Sublinhou que Jesus revela um Deus que não ama apenas em determinados momentos, mas cuja própria essência é amor.
“Deus não sabe fazer mais nada a não ser amar, porque Ele é amor”, afirmou. A partir desta certeza, explicou que toda a criação manifesta a presença de Deus e que o amor está na origem e no destino de todas as coisas. “No princípio não há o bem e o mal. No princípio há o bem, no princípio há o amor. O mal é a falta do amor.”
D. Nuno Brás destacou também que a capacidade humana de amar é um reflexo da presença de Deus em cada pessoa. O amor pelos pais, pelos filhos ou entre namorados é sinal dessa semelhança com o Criador. Contudo, advertiu que é necessário aprender continuamente a amar. “Precisamos de aprender a amar e quem nos ensina a amar é Deus”, disse, alertando para as situações em que aquilo que parece amor acaba por revelar apenas egoísmo.
Outra das ideias desenvolvidas foi a relação entre a luz e a escuridão como imagem da luta entre o amor e o pecado. Segundo explicou, a presença do amor revela aquilo que há de errado na vida humana e convida à mudança. “O amor quando aparece mostra o ódio, mostra o pecado”, afirmou.
Dirigindo-se diretamente aos jovens que iam receber a Confirmação, recordou que o Espírito Santo os envolve num “banho de amor” e os chama a testemunhar uma forma diferente de viver. “Têm a missão de mostrar que Deus é amor e que é possível viver no amor, que é possível transformar o mundo e que é possível viver de uma forma diferente.”
Concluindo ambas as celebrações, o bispo do Funchal pediu aos jovens que se deixem transformar pela ação do Espírito Santo e que façam da sua vida um sinal concreto da presença de Deus. “Que nos ajude a viver como cristãos, que o mesmo é dizer, ser presença concreta e clara do amor de Deus”, afirmou.
Crismas na paróquia de São Martinho












Crismas na Paróquia de Fátima





































