Santa Rita

Foto: Duarte Gomes

Santa Rita de Cássia é uma das santas mais populares da tradição católica, a quem o povo cristão recorre nas causas difíceis e impossíveis. Nasceu perto de Cássia, em 1381, e morreu no mosteiro agostiniano de Santa Maria Madalena, a 22 de maio de 1457. A sua vida atravessa quase todas as dimensões da experiência humana: filha, esposa, mãe, viúva e religiosa agostiniana. Marcada pelo sofrimento familiar, pela reconciliação e por uma profunda união à Paixão de Cristo, Santa Rita tornou-se, não apenas a “santa dos impossíveis”, mas também uma mulher que encontrou em Cristo crucificado a força para transformar o sofrimento em esperança e os conflitos em paz.

A devoção a Santa Rita chegou a Portugal pela mão dos Agostinhos. Já no início do século XVIII circulavam em Lisboa obras como “A Advogada dos impossíveis” (1710), “Victorias dos impossíveis” (1718) e “Epitome da vida e prodígios de Santa Rita de Cassia” (1728). Através destas publicações e da ação pastoral da Ordem de Santo Agostinho, Santa Rita foi sendo apresentada como modelo de vida cristã, de perdão familiar, de fidelidade e de perseverança diante das dificuldades.

O Santuário de Santa Rita, em Ermesinde, na Diocese do Porto, fundado pelos Agostinhos em 1745, tornou-se um dos principais centros portugueses de peregrinação ligados à santa. A partir dali, a devoção difundiu-se “por todo o mundo português de então, de modo especial no Brasil”, contribuindo para tornar Santa Rita uma figura profundamente enraizada na religiosidade popular portuguesa.

Na Madeira, a devoção a Santa Rita encontra uma expressão particularmente forte na Paróquia da Vitória/Santa Rita, no Funchal. Todos os anos, a festa continua a mobilizar muitos fiéis que participam nas novenas, na bênção das rosas e na procissão, confiando à santa os seus problemas, sofrimentos e angústias.

Também o Papa Leão XIV manifesta uma ligação profunda a Santa Rita. Durante os anos em que foi prior-geral da Ordem de Santo Agostinho, entre 2001 e 2013, Robert Francis Prevost, religioso agostiniano, visitou várias vezes Cássia. Um recente documentário divulgado pelo “Vatican News” recorda testemunhos de Prevost “ajoelhado diante do santuário de Santa Rita em Cássia”. Já em 2024, como cardeal, presidiu à festa litúrgica da santa naquele santuário, apresentando-a como “mediadora da reconciliação e da paz”, especialmente num tempo marcado por guerras, rivalidades e ódios. “Nada é impossível para Deus, basta rezar com fé inabalável. Peçamos a paz para o mundo com a mesma fé de Santa Rita e Deus ouvirá a nossa voz”, disse. 

Santa Rita, a santa dos impossíveis, continua assim a fortalecer os corações daqueles que procuram paz, reconciliação e esperança.