Habitualmente, temos de Nossa Senhora a ideia de alguém que, vivendo no Céu, está ali, parada, à espera dos nossos louvores ou dos nossos pedidos…
Contudo, se lermos os evangelhos, Nossa Senhora está, literalmente, sempre de um lado para o outro: desde Nazaré a Ain Karim (terra de Santa Isabel), depois até Belém e Jerusalém; de seguida para o Egito; depois, de regresso a Nazaré, para logo a encontrarmos, uma vez mais, em Jerusalém e em Caná ou Cafarnaúm… Bem longe da quietude, Maria peregrina pela Galileia e pela Judeia.
Mas todo esse caminho é, igualmente, acompanhado de um caminho interior, de quem vai descobrindo, aos poucos, as diversas dimensões do plano que Deus tem para Ela. Tudo acaba por chegar àquele momento central da cruz, junto de seu Filho, quando Jesus lhe diz, referindo-se ao discípulo: “Eis o teu filho”.
E a tradição cristã mostra, desde esse momento, a continuação do peregrinar de Nossa Senhora, cuidando dos discípulos (dos seus filhos): de Jerusalém até aos mais pequenos recantos do mundo — da primeira aparição em Saragoça (Espanha) ao Apóstolo Santiago, anos depois da Páscoa de Jesus, até à mais recente, na Mongólia, aparecida no meio do lixo… passando pela Senhora do Monte ou da Aparecida (no Brasil), ou em Lourdes ou Fátima…
É uma autêntica “peregrinação mariana”, ao longo da história, e que mostra, pelo menos, que também nós, tal como S. João, precisamos de “acolher em nossa casa” esta nossa Mãe, e que necessitamos de “caminhar interiormente”, de crescer na fé, nesta “peregrinação de esperança”.




















