D. Nuno Brás apresenta “Maria Peregrina da Esperança” como convite a caminhar na fé e na esperança 

Foto: Duarte Gomes

“Maria Peregrina da Esperança” é o título do novo livro de D. Nuno Brás, apresentado esta quarta-feira, 14 de maio, na Igreja do Colégio, no Funchal. Publicada com a chancela da Lucerna, a obra propõe uma reflexão sobre a figura de Maria enquanto modelo de fé, esperança e caminho espiritual. 

À margem da apresentação, D. Nuno Brás explicou aos jornalistas que o título do livro nasceu da constatação de que Maria, nos Evangelhos, surge sempre em movimento. “Nossa Senhora nunca está parada. Está sempre de um lado para o outro”, afirmou, recordando episódios como a visita a Isabel, a ida a Belém, a fuga para o Egito ou a presença em Caná da Galileia. “Este de um lado para o outro não é simplesmente um passear”, acrescentou, sublinhando que Maria foi descobrindo progressivamente “aquilo que é o plano que Deus tem para Ela”. 

Para o bispo do Funchal, esta dimensão peregrina de Maria representa também o caminho de cada cristão. “Ela aceitou todas as consequências” do chamamento de Deus, afirmou, explicando que Maria foi compreendendo a sua missão “à maneira que ia vivendo, à maneira destas peregrinações”. 

Questionado sobre o significado da esperança presente no título da obra, D. Nuno Brás referiu que o livro procura transmitir precisamente esse percurso de crescimento espiritual. “É um convite que Nossa Senhora nos faz, ao longo da nossa vida, irmos também nós crescendo. Crescendo no conhecimento de Deus, no conhecimento de cada um de nós e da nossa vocação”, afirmou. 

O prelado reconheceu ainda que o mundo atual levanta muitas interrogações e sofrimentos difíceis de compreender. “Nós olhamos para este nosso mundo, convenhamos, às vezes é difícil de entender. Não apenas por causa das notícias, mas também na nossa vida”, disse, apontando questões como o sofrimento humano e as dúvidas existenciais. “Porquê que sofremos? Porquê que os bons sofrem? Porquê que não sabemos tudo?”, questionou. 

Apesar dessas inquietações, o bispo defendeu que a esperança cristã consiste em continuar o caminho confiando em Deus. “Sem nunca perder esse propósito que possa ser essa esperança”, afirmou, acrescentando que esta esperança “é a esperança de um dia nos entendermos a nós e de um dia entendermos este nosso mundo”. 

Na conclusão da conversa com os jornalistas, D. Nuno Brás resumiu o sentido profundo da obra: “Esta esperança é a esperança de caminharmos de tal forma que um dia sejamos capazes de viver plenamente e de entender plenamente aquilo que é o mistério da nossa vida. E que é o mistério de Deus.” 

Um GPS da vida cristã 

Perante uma plateia composta por representantes de inúmeras entidades civis, militares e religiosas e também por muitos fiéis, coube ao Pe. Carlos Almada apresentar este “Maria Peregrina de Esperança”, numa sessão marcada por diversas referências à espiritualidade mariana e ao papel de Maria na história da salvação. 

Depois de agradecer ao bispo o convite para apresentar a obra, reconhecendo, com humor, a responsabilidade da tarefa, Carlos Almada descreveu-a como “um GPS da vida cristã”, construído a partir da figura de Maria. Explicou que o livro nasceu das homilias proferidas por D. Nuno Brás durante a visita pastoral à diocese do Luxemburgo e que dessas reflexões “nasce um itinerário de vida cristã”, inspirado em Maria enquanto “peregrina de esperança”. 

Ao longo da apresentação, destacou que o livro não pretende ser um tratado académico de mariologia, mas antes uma proposta espiritual acessível, sustentada pela Sagrada Escritura, pela tradição da Igreja e pelo testemunho pessoal do autor. “Quem comparar e ler este livro reconhecerá que o autor não pretende debruçar-se sobre grandes teses de teologia mariana”, afirmou, acrescentando, porém, que a obra reafirma “os dogmas e os títulos e invocações marianas”. 

O sacerdote sublinhou ainda a presença constante de Maria em toda a vida de Cristo. “Se olhamos para o princípio da vida de Deus Filho, Maria está lá. Se olhamos para o fim, em Deus Filho morto na cruz, Maria está e permanece”, referiu. 

Na leitura dos vários capítulos da obra, 13 ao todo, o apresentador destacou episódios bíblicos como a Anunciação, as Bodas de Caná, a fuga para o Egito, o Calvário e o Pentecostes, mostrando como o livro acompanha o percurso espiritual de Maria.  

Citando o autor, afirmou que “Maria é a figura da Igreja que está presente, que intercede, que conduz à graça, que anuncia o Evangelho”. 

O Pe. Carlos Almada recordou também que o livro apresenta Maria como modelo de fé e esperança, mesmo diante da dor e da incompreensão. “Maria não foi poupada à experiência da dor, nem à dúvida ou à exigência da fé”, salientou. 

Na conclusão, convidou os presentes a acolherem a mensagem da obra e a seguirem o exemplo de Maria: “Este é o livro que temos entre mãos e que nos convida a sermos peregrinos de esperança, seguindo os passos de Maria.” Terminou desejando “boa leitura para todos” e evocando as palavras do Evangelho: “Bem-aventurados os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática.”