O patriarca de Lisboa apelou hoje à convergência de interesses entre parceiros sociais e à melhoria da condição salarial em Portugal, durante a apresentação da Peregrinação Internacional de Maio, no Santuário de Fátima.
“Como sou oriundo de uma família de trabalhadores, uma das grandes sensibilidades que sempre tive é relativamente à condição salarial dos trabalhadores portugueses”, afirmou D. Rui Valério, que questionou o fosso salarial face a outros países com custos de vida semelhantes.
O presidente das celebrações desafiou os intervenientes sociais a terem a “humildade” de ceder em prol de soluções que retirem o país de uma aparente estagnação, manifestando “esperança e expectativa” quanto às negociações em volta da nova lei laboral.
“Desejo e rezo para que sejam encontradas soluções e que Portugal deixe de estar onde está agora, pelo menos é a sensação que temos: um país estagnado”, sustentou o patriarca, sublinhando que o ideal seria um “consenso mínimo” em “nome de um bem maior”.
A intervenção assinalou o impacto da evolução tecnológica, em particular da inteligência artificial, questionando quem exige das pessoas a “eficiência” das máquinas, visando “o máximo rendimento com o gasto mínimo de meios”.
A dimensão da paz global foi também abordada no encontro com os jornalistas, com D. Rui Valério a recordar que o mundo volta a ser palco de “bombardeamentos” e que a Mensagem de Fátima visa a promoção da “dignidade humana”.
“Vamos unir-nos e fazer um passo, em nome de um acordo global, para que os problemas sejam resolvidos”, apelou.
O patriarca de Lisboa falou da ligação pessoal à Cova da Iria desde a sua infância, dado que é natural da Urqueira, também no município de Ourém, falando numa “espiritualidade do quotidiano”.
“Cada peregrino traz consigo intenções, propósitos, que transcendem a sua vida pessoa”, apresentando em Fátima “as urgências do mundo inteiro”.
A conferência de imprensa contou também com a presença do bispo de Leiria-Fátima, que destacou a importância das Aparições, evocando o contexto de 1917, marcado pela I Guerra Mundial e a pandemia da gripe, para falar de uma espiritualidade “bem encarnada” na realidade.
“Fátima está sempre em relação com o mundo”, sustentou D. José Ornelas.
O responsável católico alertou para um “momento muito especial e preocupante, para todo o mundo”, por causa do “problema da guerra”.
“Quando a economia e os mais frágeis são postos em causa, não se pode falar de paz social”, indicou.
O bispo de Leiria-Fátima elogiou as “posições muito lúcidas” de Leão XIV, em defesa da paz, nos cinco continentes,
“Se há uma coisa que a Mensagem de Fátima sublinha constantemente é a necessidade da paz”, declarou D. José Ornelas.
“Esta é a intenção que mais nos preocupa”, acrescentou.
O responsável diocesano aludiu ainda à passagem da tempestade Kristin, no final de mês de janeiro, atingiu grande parte da população no território.
O Santuário de Fátima acolhe, a partir de hoje milhares de peregrinos para a primeira peregrinação internacional do ano, com 170 grupos oficiais de 30 países.
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