Apelo da Comissão Nacional Justiça e Paz pela paz em Moçambique

D.R.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) apelou às autoridades portuguesas para que usem os meios diplomáticos disponíveis em defesa da paz e da segurança no norte de Moçambique, depois do ataque terrorista à Paróquia de São Luís de Monfort e à missão católica de Meza, na diocese de Pemba, em Cabo Delgado.

Numa mensagem publicada a 11 de maio, a CNJP afirma estar “profundamente chocada” com o ataque e manifesta “receio do recrudescimento da violência contra a comunidade cristã”, sublinhando que “as imagens são devastadoras”. Segundo a Comissão, foram raptados 20 jovens, a igreja, construída em 1946, foi profanada e destruída, bem como as estruturas da missão católica, deixando a população sem acesso a cuidados de saúde e instrução. 

A nota refere ainda que cristãos católicos e cristãos de outras denominações viram as suas casas destruídas, num ataque que a CNJP classifica como de “ostensiva intimidação e perseguição”. O paradeiro dos jovens levados pelos terroristas continua desconhecido, situação que a Comissão diz ser “motivo de grande aflição para todos, em particular para as suas famílias”.

A CNJP recorda também que a Comunidade Islâmica de Moçambique condenou o ataque e manifestou “a sua profunda preocupação” pelo que está a acontecer na província de Cabo Delgado. A Fundação AIS – Ajuda à Igreja que Sofre informou igualmente que continuavam desaparecidos cerca de vinte jovens raptados no ataque à missão católica de Meza, onde a igreja de São Luís de Monfort foi “reduzida a escombros”. 

No comunicado, a Comissão Nacional Justiça e Paz alerta para o impacto da violência armada na região e refere que o apoio da União Europeia às Forças de Defesa do Ruanda, no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, “parece terminar este mês”, considerando que esse cenário “não deixa auspiciar nada de bom”. A CNJP recorda ainda que as ações armadas já terão provocado perto de sete mil mortos nos últimos dez anos.

Perante esta situação, a Comissão lança “um apelo às autoridades portuguesas”, em particular ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, para que Portugal recorra a “todos os meios ao alcance” com vista a “fazer respeitar a paz e a segurança destas comunidades com quem partilhamos a nossa História e a Língua Portuguesa”.

A CNJP lamenta que, num momento em que “todas as atenções se concentram no Golfo Pérsico e no massacrado Líbano”, os atos de violência no norte de Moçambique fiquem “sem voz nos noticiários”, associando-se por isso ao apelo da Fundação AIS em favor das populações atingidas.