D. Nuno Brás presidiu, no sábado, dia 2 de maio, em Londres, à celebração da Festa de Nossa Senhora de Fátima, na igreja dos Padres Scalabrinianos, junto da comunidade portuguesa emigrante.
Na homilia, o bispo do Funchal refletiu sobre a Virgem Maria, como aquela que acolheu a Palavra de Deus e a viveu em plenitude. Maria acolheu “a Palavra de Deus feita carne, Jesus”, dando-lhe também a sua própria carne humana, disse, sublinhando que a Mãe de Jesus não acolheu apenas a Palavra no seu ventre, mas também na vida: “Acolheu-a depois vivendo, pondo-a em prática, quer dizer, vivendo ao longo da sua vida como discípula de Jesus”.
Sobre a mensagem de Fátima, o bispo do Funchal afirmou: “Qual foi a mensagem de Nossa Senhora? É ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática”, insistindo que a aparição de 1917 deve ser lida, antes de tudo, como um apelo evangélico. “Nossa Senhora veio-nos, antes de mais nada, recordar o Evangelho em Fátima”, acrescentou.
D. Nuno Brás explicou depois que o Evangelho não é apenas um conjunto de normas, ideias ou conselhos morais, mas o próprio Cristo. “O Evangelho é Jesus Cristo, mais do que preceitos, mais do que recomendações, mais do que bons propósitos. O Evangelho é uma pessoa: Jesus Cristo”, declarou. Segundo o bispo, Nossa Senhora veio recordar Jesus Cristo “num tempo em que os homens andavam em guerra” e em que muitos se tinham esquecido da sua identidade cristã.
O prelado dirigiu também uma interpelação direta aos fiéis, lembrando que o risco de esquecer o Evangelho não pertence apenas ao passado. “Como nós nos esquecemos tantas vezes do Evangelho, como nós nos esquecemos tantas vezes de Jesus Cristo? Como nós nos esquecemos tantas vezes que somos cristãos e vivemos como os outros”, questionou. Por isso, disse, a festa de Nossa Senhora de Fátima deve ajudar cada cristão a regressar ao essencial: “Esta celebração, em honra de Nossa Senhora de Fátima, vai-nos recordar o Evangelho. Claro que sim. Vai-nos recordar Jesus Cristo”.
A conversão foi outro dos pontos centrais da homilia. D. Nuno Brás lembrou que reconhecer o pecado não é motivo de desânimo, mas condição para acolher a salvação. “É bom reconhecermos que somos pecadores, porque Jesus Cristo veio para salvar os pecadores”, afirmou. E acrescentou: “Reconhecemos que precisamos de Jesus. Reconhecemos que precisamos da sua graça. Como é importante reconhecer que somos pecadores”.
D. Nuno Brás falou ainda da oração como lugar onde o cristão encontra força para perdoar e amar. “Onde é que nós vamos buscar força para sermos melhores?”, perguntou. A resposta, está na oração, entendida como “aquela conversa com Jesus Cristo, aquela conversa com o Senhor”. Para o bispo, é na oração que se encontra a força para viver exigências difíceis do Evangelho, como amar os inimigos.
“Nosso Senhor não nos diz para esquecer. Nosso Senhor não nos diz para gostarmos daquilo que nos fizeram. Aquilo que nosso Senhor nos diz é para amarmos aqueles que se portaram mal connosco”, afirmou. E explicou o sentido cristão desse amor: “Amar é querer bem ao outro. Ou seja, ele fez-me mal, mas eu quero-lhe bem. Ele portou-se mal comigo. Não faz mal, mas eu quero portar-me bem com ele. Isso é amar”.
A oração, prosseguiu D. Nuno Brás, é o caminho que permite viver esta lógica evangélica. “A oração dá-nos força. Dá-nos força para vivermos o Evangelho. Dá-nos luz para nos converter. Dá-nos força para querermos bem aos nossos inimigos”, sublinhou.
Na parte final da homilia, o bispo abordou também a penitência e a reparação, dois temas associados à mensagem de Fátima. “Penitência significa fazermos coisas boas, não apenas por nós, mas pelos outros também”. Num mundo marcado por violência, divisão e sofrimento, o bispo defendeu que os cristãos são chamados a colaborar na construção de uma realidade melhor.
“O mundo está cheio de quem faça coisas más e nós precisamos de equilibrar. O mundo está cheio de quem não reza e nós precisamos de rezar por nós e pelos outros”, afirmou. Sobre a reparação, disse que se trata de “reparar o mundo”, um mundo que “tem levado tantas pancadas”. E acrescentou: “Sabemos que não podemos mudar o mundo. Nenhum de nós sozinho pode mudar o mundo. Quem pode mudar o mundo é Jesus Cristo. Não tenhamos dúvidas disso, mas podemos ajudá-lo a reparar”.
D. Nuno Brás concluiu a homilia com um apelo à coerência entre a devoção mariana e a vida cristã. “Nós gostamos muito de Nossa Senhora. Gostamos de Nossa Senhora como nossa Mãe do Céu”, afirmou. Mas, se os cristãos gostam verdadeiramente de Nossa Senhora de Fátima, devem escutar os seus apelos: “Vivamos do Evangelho. Reconheçamos que precisamos de nos converter. Reconheçamos que precisamos de rezar. Ajudemos o mundo a ser melhor”.
O bispo do Funchal terminou pedindo que a devoção a Maria se traduza numa transformação concreta da vida e do ambiente à volta de cada pessoa. “Ajudemos o mundo a ser melhor. Que à nossa volta tudo fique melhor. Que este mundo, que é o nosso, fique melhor”, afirmou, confiando à intercessão de Nossa Senhora o caminho de cada cristão “cada vez mais no sentido do Evangelho”.
No âmbito desta visita à comunidade portuguesa em Londres, D. Nuno Brás ofereceu também uma imagem de Nossa Senhora do Monte, sinal da ligação dos emigrantes madeirenses à padroeira da Madeira e da proximidade da Diocese do Funchal aos seus fiéis espalhados pelo mundo.

























