A paróquia da Assomada realizou, ao início da noite de sexta-feira, dia 24 de abril, uma apresentação pública do projeto do futuro órgão de tubos da igreja paroquial.
A iniciativa, que teve lugar no interior do templo, contou com a presença das principais entidades locais nomeadamente presidente da Câmara e da Junta, bem como de mecenas e visou dar a conhecer em detalhe um investimento que promete enriquecer a liturgia e valorizar o património cultural da freguesia, sendo descrito como um passo significativo para elevar o louvor e a espiritualidade da comunidade.
Durante a sessão, o pároco Ronald Vieira sublinhou a importância desta aquisição, evocando o espírito do Salmo 150 ao apelar ao louvor de Deus através da música.
O projeto centra-se num instrumento de exceção, construído originalmente no século XIX pela prestigiada oficina de organaria Sugar & Model em Dalston, Londres. Tecnicamente o órgão, construído pelo mesmo mestre que concebeu o órgão da Sé Catedral do Funchal destaca-se pela sua magnitude e complexidade, contando com mais de mil tubos e uma fachada artística singular, cujos tubos foram integralmente pintados à mão. Trata-se de um instrumento mecânico de estilo romântico, conhecido pelo seu som encorpado e potente, capaz de preencher uniformemente o espaço da igreja e proporcionar um impacto visual imponente no coro alto.
O organista Francisco Ramos e o mestre organeiro António Simões são figuras centrais neste processo de recuperação. O instrumento, que foi descoberto numa comunidade em Brixton onde já não era utilizado, apresentava danos devido à queda do teto da sua antiga igreja, mas está a ser alvo de um restauro rigoroso para devolver a funcionalidade a todos os seus componentes, desde o teclado histórico até aos registos que o tornam um dos mais belos exemplares da Região. Uma vez montado, este será o terceiro maior órgão da Madeira, superado apenas por instrumentos na capital, o que permitirá à Igreja da Assomada acolher concertos de grande envergadura com coro e orquestra.
O encontro, dirigido a todos os paroquianos e grupos paroquiais, reforçou o carácter comunitário da iniciativa, destacando que a concretização deste projeto depende do envolvimento e da união de todos. Após a apresentação detalhada das fases de montagem e das potencialidades deste “instrumento intemporal” — que, ao contrário dos órgãos eletrónicos, possui uma vida útil secular — os presentes participaram num momento de convívio no salão paroquial, celebrando aquele que é considerado um dos maiores marcos culturais da história recente da paróquia.


























