Devoção Reparadora: Um caminho onde a vida ganha um sentido novo e alargado – Rui Corrêa d’Oliveira

D.R.

Tal como o Jornal da Madeira já noticiou, a Diocese do Funchal vai promover em maio, na Igreja da Sé, um ciclo de conferências profundamente ligado à mensagem de Fátima: a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados. Esta iniciativa visa guiar os fiéis na compreensão e prática deste caminho espiritual de oração, conversão e reparação.

A primeira conferência lugar na quinta-feira, 30 de abril, às 19h00, e será dedicada à “História do pedido de Nossa Senhora à Irmã Lúcia”. O orador convidado é Rui Corrêa d’Oliveira, membro da Associação de Servitas de Nossa Senhora de Fátima, que conduzirá pelas origens e pelo significado profundo deste apelo celestial.

No seguimento desta conferência, o sábado, dia 2 de maio, será dedicado à vivência prática da devoção, incluindo confissões (10h00), o terço meditado (10h30) e a Santa Missa com comunhão reparadora (11h00).

Nesta pequena entrevista ao nosso jornal, o orador antecipa os temas centrais da sua intervenção, explorando o contexto histórico das aparições, a atualidade da devoção reparadora e os frutos espirituais que esta prática pode trazer para a vida cristã hoje, sublinhando, entre outras ideias, que a Devoção Reparadora é um caminho onde “a vida ganha um sentido novo e alargado”.

Em que contexto surge o pedido de Nossa Senhora à Irmã Lúcia?

O pedido da Devoção dos Cinco Primeiros Sábados, acontece no contexto dos acontecimentos de Fátima de 1917. Durante a aparição de dia 13 de Julho de no diálogo entre Nossa Senhora e a Lúcia, Nossa Senhora diz: «Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração» e acrescenta que para impedir uma nova guerra, «virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados».

No misterioso “tempo de Deus”, é no dia 10 de Dezembro de 1925, no início da vida religiosa da Irmã Lúcia que, na pequena cidade galega de Pontevedra, o pedido lhe é feito numa aparição do menino Jesus e de Nossa Senhora.

A Guerra tinha acabado em 1918, mas o mundo vivia tempos muito difíceis, apesar da paz conseguida: a Europa estava em reconstrução, em muitos países ascendiam regimes autoritários e o crescimento económico era muito assimétrico, com uma industrialização que explodia sem regras e com forte exploração da mão de obra. Avolumavam-se as condições que haveriam de desembocar na grande depressão americana e, mais tarde, na Segunda Grande Guerra.

“A Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados “é” parte integrante da Mensagem de Fátima”.

O que vai destacar nesta conferência sobre a história desse pedido?

Sendo a primeira das 5 conferências, focar-me-ei em descrever a história deste pedido do Céu acompanhado de alguns comentários que ajudem a compreender o que foi pedido, em que circunstâncias foi finalmente aprovado pelo Bispo de Leiria e que sentido tem para nós hoje esta devoção.


Há algum momento ou detalhe menos conhecido que considera essencial compreender?

Há vários detalhes a que se tem dado menos atenção. Talvez o mais relevante seja a intervenção do Menino Jesus que marca ser este um desejo de Deus.


Que relação existe entre este pedido e a mensagem global de Fátima?

A Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados “é” parte integrante da Mensagem de Fátima. Os estudiosos destes acontecimentos estabelecem três ciclos na história de Fátima:

  • O Ciclo Angélico, relativo às 3 aparições do Anjo em Aljustrel, em 1916
  • O Ciclo Mariano, relativo às 6 aparições de Nossa senhora
  • O Ciclo CordiMariano, relativo às aparições de Pontevedra e Tuy

É neste conjunto de acontecimentos e no seu conteúdo que encontramos a Mensagem de Fátima.

“esta devoção traz consigo uma proposta de caminho simples que transforma a nossa vida”.

Este pedido continua atual? Porquê?

A Mensagem de Fátima afirma os valores do Evangelho. Nada lhe acrescenta, mas abre caminhos novos e acessíveis para que ele se concretize na vida do homem contemporâneo. Nada mais atual que o Evangelho que nos traz a certeza de que Deus veio ao encontro do homem e que com connosco quis ficar e fazer caminho ao nosso lado, não para nos impor leis, mas nos libertar do nosso limite.

O que significa, na prática, viver hoje a devoção reparadora?

Quem adere a esta devoção, coloca Deus no centro da sua vida. Não como algo acessório, mas insere os critérios e os valores evangélicos no nosso quotidiano.


Que frutos espirituais pode trazer a quem a assume com seriedade?

O maior dos frutos é o de enriquecermos a nossa humanidade com a perspectiva da eternidade. A vida ganha um sentido novo e alargado. Reforça a consciência de que somos filhos amados de Deus, feitos para o bem e para uma felicidade verdadeira desde já e para um horizonte de plenitude. 

Que importância tem este ciclo de conferências promovido na Sé do Funchal?

Não devo ser eu a responder a esta pergunta, mas adiantaria que para muitos será o relembrar coisas sabidas, mas nem sempre vividas. Para outros a descoberta do que há 100 anos o Céu trouxe-nos um pedido e uma promessa que vale a pena escutar, compreender e aderir.


Que mensagem gostaria de deixar a quem está a ponderar participar, mas ainda tem dúvidas?

Lembrar que Deus surpreende sempre. Que só podemos aderir àquilo que conhecemos. Que esta devoção traz consigo uma proposta de caminho simples que transforma a nossa vida.

D.R.