
O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, assinalado anualmente a 23 de abril, lembra-nos que o livro é mais do que um objeto cultural. É uma ponte entre tempos, lugares, vozes e experiências. Proclamada pela UNESCO em 1995, a data valoriza a leitura, os livros e a proteção dos direitos de autor, reconhecendo na palavra escrita um instrumento decisivo para o desenvolvimento pessoal, cultural e social.
Ler é sempre entrar em diálogo. Cada livro transporta uma mundividência, uma memória, uma esperança. Nas suas páginas cruzam-se autores e leitores, de ontem e de hoje, próximos ou distantes. Por isso, a leitura alarga o horizonte interior, educa a sensibilidade, desafia certezas e ajuda a compreender melhor a complexidade da vida e das sociedades.
Uma das raízes mais sugestivas desta celebração encontra-se na tradição catalã de São Jorge, também celebrado a 23 de abril. Da lenda do santo que vence o dragão e da roseira nascida do sangue do monstro surgiu o costume de oferecer uma rosa como sinal de afeto. Mais tarde, em 1926, por iniciativa do editor Vicent Clavel, Espanha instituiu uma “festa do livro”, que em 1930 passou para 23 de abril. Uniram-se, assim, o patrono, a feira das rosas e a festa dos livros, dando origem ao gesto de oferecer uma rosa e um livro.
Na Madeira, a Feira do Livro do Funchal surgiu em 1974, o mesmo ano da Revolução de Abril. Num país que saía de décadas de censura, o livro deixava de ser um objeto controlado para se afirmar como território de liberdade. Ao ocupar a rua, tornou-se mais próximo das pessoas, mais acessível e mais partilhado, num tempo em que Portugal reaprendia a falar, a escutar e a pensar livremente.
Essa relação entre livro, liberdade e espaço público permanece viva em várias iniciativas regionais. A Feira do Livro do Funchal continua a ser a principal referência, a par da Feira do Livro de Santa Cruz, da Feira do Livro de Machico — Francisco Álvares de Nóbrega, da feira do livro integrada na Semana da Cultura da Ribeira Brava e do FALEMOS — Festival do Livro e da Leitura da Madeira. No seu conjunto, estas propostas mostram que a leitura continua a criar comunidade, preservar memória e abrir caminhos de pensamento. Entre a rosa de São Jorge e o cravo de Abril, o livro permanece como sinal de beleza, liberdade e futuro.






















