Papa Leão XIV, na Argélia, em terras de S. Agostinho

Foto: Vatican Media

“Uma viagem verdadeiramente abençoada”, além de “uma belíssima oportunidade para continuar a construir pontes e promover o diálogo”, foi a expressão usada pelo Santo Padre após uma emocionante visita à Basílica de Notre-Dame d’Afrique, em Argel, e à Basílica de Santo Agostinho, em Annaba, na colina que domina tanto a cidade moderna como as ruínas da antiga cidade romana de Hipona, onde Santo Agostinho foi bispo por mais de trinta anos.

Leão XIV exprimiu muita gratidão à Igreja católica da Argélia, “pequena, mas muito significativa” e agradeceu às autoridades argelinas que tornaram possível a visita, tendo inclusive colocado à disposição uma escolta durante o sobrevoo do espaço aéreo argelino. “É um sinal da bondade, da generosidade e do respeito que o povo argelino e o governo argelino quiseram demonstrar à Santa Sé e a mim pessoalmente.”

Leão XIV visitou também a Grande Mesquita reiterando que “apesar de crenças diferentes e de modos diversos de rezar, podemos viver juntos em paz”, testemunho e mensagem de que o mundo hoje tanto necessita: “Viver em paz apesar das diferenças”.

“Como peregrino da paz e da unidade, expresso a minha alegria por estar aqui a visitar a vossa terra e, sobretudo, por partilhar o vosso caminho, os vossos esforços e as vossas esperanças”.

Salientando a actualidade de Santo Agostinho, Doutor da Igreja e grande filósofo medieval, século V, cujos escritos e ensinamentos são um “convite a buscar Deus e a buscar a Verdade” sendo “a mensagem de que temos tanta necessidade no mundo contemporâneo, uma mensagem muito actual para todos nós, crentes em Jesus Cristo, mas também para cada pessoa”, assegurou o Papa Leão XIV, sublinhando que o povo argelino, cuja imensa maioria não é cristã, “honra e respeita profundamente a memória de Santo Agostinho como um dos grandes filhos de sua terra”.

Para um Papa que desde o início se declarou “filho de Santo Agostinho”, foi “uma graça particular” poder retornar a Annaba e “oferecer à Igreja e ao mundo” a visão do grande Padre da Igreja: “A da busca de Deus e do esforço por construir a comunidade, por buscar a unidade entre todos os povos e o respeito recíproco apesar das diferenças”.

Quem obedece a Deus antes do que aos homens e ao modo humano e terreno de pensar, reencontra a própria liberdade interior, consegue descobrir o valor do bem e não se resignar ao mal, redescobre o caminho da vida e torna-se construtor de paz e fraternidade.

Recordemos o apelo do apóstolo Pedro: obedecer a Deus, mais que aos homens.