Leão XIV chega aos Camarões e pede paz “acima de qualquer interesse particular”

Chegada do Papa aos Camarões. Foto: Vatican Media

O Papa Leão XIV chegou esta quarta-feira, 15 de abril, aos Camarões, dando início à segunda etapa da sua viagem apostólica a África. O Pontífice aterrou às 14h57 locais no Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, onde foi recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt, seguindo depois para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya.

No primeiro discurso dirigido às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático, o Papa deixou um forte apelo à paz, num contexto marcado por tensões e violência em várias regiões do país. Leão XIV sublinhou que “A paz não pode ser reduzida a um slogan: deve encarnar-se num estilo, pessoal e institucional, que repudie toda e qualquer forma de violência”, acrescentando: “O mundo tem sede de paz […] Chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados!”.

No encontro no Palácio Presidencial, o Santo Padre destacou também a diversidade dos Camarões, frequentemente designados como “África em miniatura”, apresentando-a como um valor decisivo para o futuro do país. “Esta variedade não é uma fragilidade: é um tesouro. Constitui uma promessa de fraternidade e um sólido fundamento para a construção de uma paz duradoura”, afirmou.

Leão XIV, que se apresentou como “pastor e servidor do diálogo, da fraternidade e da paz”, dirigiu ainda uma atenção particular aos jovens, falando da urgência de lhes abrir caminhos de participação e esperança. “Quanta fome e sede de justiça! Quanta sede de participação, de visões, de escolhas corajosas e de paz!”, declarou, defendendo depois que “Investir na instrução, na formação e no empreendedorismo dos jovens é, portanto, uma escolha estratégica para a paz.”

No mesmo discurso, o Papa insistiu na responsabilidade ética da autoridade política, evocando Santo Agostinho para recordar que “Aqueles que mandam estão ao serviço daqueles a quem, aparentemente, parecem mandar.” Neste contexto, pediu instituições credíveis, justiça e transparência, considerando essencial combater a corrupção. “Para que a paz e a justiça se afirmem, é necessário quebrar as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade, esvaziando-a de legitimidade”, advertiu.

Leão XIV destacou igualmente o papel da sociedade civil e, de forma particular, das mulheres na construção da paz e da coesão nacional. “Muitas vezes, infelizmente, elas são as primeiras vítimas de preconceitos e violências, e, no entanto, continuam a ser incansáveis artífices da paz”, afirmou, defendendo que “a voz delas deve ser plenamente reconhecida nos processos de tomada de decisão”.

A agenda do Papa nos Camarões inclui ainda a visita ao Orfanato Ngul Zamba, um encontro privado com os bispos do país na sede da Conferência Episcopal e o regresso à Nunciatura Apostólica, onde termina o dia em ambiente reservado. Na sua intervenção, Leão XIV assegurou que a Igreja Católica “deseja colaborar lealmente com as autoridades civis e com todas as forças vivas da nação para promover a dignidade humana e a reconciliação”.